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Mercado Financeiro

Em véspera de fim de semana prolongado, mercado pode operar mais na defensiva e com cautela

O mercado financeiro chega a esta sexta-feira, 12, véspera do fim de semana prolongado, tentando dar continuidade ao ambiente positivo que possibilitou a valorização do mercado…

Data de publicação:12/11/2021 às 07:00 -
Atualizado 6 meses atrás
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O mercado financeiro chega a esta sexta-feira, 12, véspera do fim de semana prolongado, tentando dar continuidade ao ambiente positivo que possibilitou a valorização do mercado de ações e queda mais acentuada do dólar.

A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o pregão de ontem com valorização de 1,54%, aos 107.594 pontos, a terceira alta consecutiva. O dólar recuou 1,74%, cotado por R$ 5,40 na venda.

foto: Envato
Feriado na segunda-feira é local, mercados internacionais tocam normalmente os negócios - Foto: Envato

O último dia de negócios pode deixar o mercado mais cauteloso, na defensiva, sem iniciativas para grandes posições. O motivo é que, enquanto os investidores domésticos fazem uma pausa, os mercados internacionais tocam os negócios normalmente na segunda-feira, 15, feriado de proclamação da República.

Os mercados estão reagindo a fatos pontuais, como dados positivos nos balanços corporativos do terceiro trimestre e ao vaivém das cotações do minério de ferro no mercado internacional, enquanto aguardam o início da análise da PEC dos Precatórios pelo Senado.

Mercado entende que aprovação da PEC pode clarear cenário fiscal

Embora não simpatizem com a manobra fiscal do governo de parcelar a quitação de precatórios, que dribla o teto de gastos, para pagar o Auxílio Brasil com valor mais alto, o entendimento de gestores é que o avanço da PEC dos Precatórios pode clarear o cenário fiscal.

O mercado de dólar está aparentemente mais calmo e em trajetória de baixa, após a aprovação da PEC, o que teria diminuído o prêmio de risco fiscal, mas não apenas isso, segundo os especialistas.

O movimento de queda seria uma reação antecipada à perspectiva de ingresso de capitais externos, para aplicação na renda fixa doméstica, com a elevação da Selic na próxima reunião do Copom, no início de dezembro.

A expectativa é que a taxa básica de juros tenha novo ajuste de 1,50 ponto porcentual e suba do patamar atual de 7,75% ao ano para 9,25%. A alta da inflação é um fenômeno global, mas por enquanto o Brasil é um dos poucos países com juros em alta, o que poderia atrair o investidor estrangeiro para aplicação em títulos de renda fixa no País. 

A inflação dá sinais de que preocupa também os EUA e os investidores passam a temer uma ação mais dura do Fed (Federal Reserve, banco central americano) em relação aos juros, com reflexos na bolsa de valores.

Em Nova York, ontem, o índice Dow Jones recuou 0,44%, para 35.921 pontos; o S&P 500 teve queda residual de 0,06%, para 4.649 pontos, e o Nasdaq avançou 0,52%, para 15.704 pontos.

Teto de gastos

Após o governo dar aval para a mudança na fórmula de cálculo do teto de gastos na PEC dos Precatórios, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, no dia anterior, que a regra fiscal é "apenas um símbolo".

"O teto de gastos é apenas um símbolo, uma bandeira de austeridade. Não podemos ser dogmáticos a respeito dele. A prova é que se fôssemos respeitar o teto, teria sido uma tragédia econômica e sanitária mais agravada (em 2020). O teto é um símbolo de um sistema político que ainda não conseguiu assumir a responsabilidade pelo orçamento", afirmou o ministro, em participação no Itaú Macro Vision 2021.

Apesar de o governo ter bancado a alteração na fórmula de cálculo do teto de gastos, Guedes argumentou que o presidente Jair Bolsonaro é o único candidato de 2022 que não quer mexer na regra fiscal. "Todos os candidatos estão dizendo que vão mexer no teto. Os únicos que não estão dizendo somos nós", argumentou, voltando a defender uma desindexação completa dos orçamentos públicos.

Em transmissão nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os empresários brasileiros vão ajudar a aprovar a PEC dos Precatórios e a reforma administrativa. A "ajuda", de acordo com o presidente, viria após a decisão do governo de prorrogar por mais dois anos a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia.

Bolsonaro chamou a PEC dos Precatórios de "solução com toda a responsabilidade". No entanto, o texto, além de postergar o pagamento de dívidas da União já transitadas em julgado, mexe no teto de gastos, considerado a âncora fiscal do País.

Lá fora

No exterior, os temores por aperto monetário nos Estados Unidos seguem deixando os investidores apreensivos. No dia anterior, o feriado do Dia dos Veteranos esvaziou a agenda local e manteve o mercado de Treasuries fechado.

No principal tema para os mercados no momento - a inflação e as possíveis reações do Federal Reserve (Fed) -, a LPL Markets avalia que o impacto da recente alta de preços não deve ser duradouro.

"Embora os números continuem a receber muita atenção e tenham potencial para serem elevados no curto a médio prazo, ainda acreditamos que a inflação de longo prazo permanecerá razoavelmente bem contida", aponta a consultoria.

No noticiário corporativo, o destaque ficou com a Rivian Automotive, montadora focada em veículos elétricos cuja ação disparou 22,10% após uma oferta pública inicial (IPO) que arrecadou valor maior que qualquer outra listagem em Nova York desde 2014

Na Ásia, os mercados acionários registraram ganhos nesta sexta-feira.  No mercado japonês, ações de montadoras puxaram os ganhos, enquanto na China papéis da indústria estiveram em destaque, mas com empresas do setor imobiliário em queda.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em alta de 1,13%, aos 29.609,97 pontos. Ações de montadoras estiveram em destaque. Toyota Motor subiu 2,4%, após ela projetar que em dezembro sua produção global aumentará, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Honda Motor subiu 1,3% e Nissan Motor, 0,8%.

Na China, a Bolsa de Xangai terminou com ganho de 0,18%, aos3.539,10 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 0,38%, aos 2.581,71 pontos.

Ações do setor imobiliário tiveram perdas no geral, ajustando ganhos fortes da sessão anterior, enquanto papéis ligados à indústria em geral subiram.

O índice Kospi, da Bolsa de Seul, fechou em alta de 1,50%, aos 2.968,80 pontos. A bolsa sul-coreana vinha de dois dias de queda e teve recuo semanal. Hoje, ações ligadas ao transporte marítimo, à biotecnologia e siderúrgicas estiveram entre as altas.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve ganho de 0,32%, aos 25.327,97 pontos. Na Bolsa de Taiwan, o índice Taiex terminou em alta de 0,38%, aos 17.518,13 pontos.

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 subiu 0,83%, aos 7.443,00 pontos. As mineradoras se destacaram, enquanto ações ligadas ao setor de saúde registraram baixas. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.