Mercado Financeiro

O mês foi marcado por muitos eventos negativos ao mercado de ações: crise política e institucional aqui no Brasil, escalada da inflação e consequente nova alta dos juros, crise energética, medidas restritivas na China derrubando o preço do minério de ferro, crise financeira na gigante do setor imobiliário Evergrande e preocupações com a economia americana. Tudo isso levou os investidores a ficarem mais cautelosos e adotar forte posição de aversão ao risco, com isso, Bolsa a caiu 6,57% em setembro.

Esses mesmos fatores deram gás ao dólar, que avançou 5,88%, fechando o mês cotado a R$ 5,452, maior nível desde 29 de janeiro de 2021. Especialistas explicam que, em momentos de incertezas e cautela, a moeda americana se torna mais atrativa para os investidores que buscam proteção por ser considerada uma moeda forte.

Foto: Arquivo

Embora, no mês, o desempenho do Ibovespa tenha sido bastante negativo, no pregão desta quinta-feira, 30, a Bolsa operou praticamente de lado neste pregão, fechando em leve baixa de 0,11%, aos 110.979,10 pontos.

De acordo com Everton Medeiros, especialista de Renda Variável da Valor Investimentos, os investidores aproveitaram o último pregão de setembro para comprar as pechinchas da B3 - ações de empresas que estão muito baratas. No entanto, o dia não foi melhor por conta do exterior, como o mercado cauteloso quanto às incertezas econômicas nos Estados Unidos

Destaques da Bolsa

Entre os principais destaques do dia estão as companhias ligadas ao minério de ferro. Com as medidas restritivas da China para preservação ambiental, além dos problemas do setor imobiliário no país asiático - que é um dos principais consumidores da commodity - o preço do minério despencou nos mercado globais, impactando negativamente as ações brasileiras do setor.

Entretanto, o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, explica que essas empresas se beneficiaram, no último pregão do mês, com a divulgação do PMI industrial chinês (índice de compras da indústria), que interrompeu o movimento de queda recente.

O índice subiu de 49,2 em agosto para 50 em setembro, segundo a IHS Markit, indicando estabilidade. Com um aquecimento da indústria, a demanda por minério de ferro aumenta, refletindo positivamente nas exportadoras brasileiras da commodity.

Com um preço mais atrativo, a Vale, que corresponde a cerca de 14% da carteira teórica da B3, subiu 0,58% neste pregão, sustentando o Ibovespa. As siderúrgicas também se beneficiaram do movimento e reportaram algumas das maiores altas do dia. CSN, Usiminas e Gerdau saltaram 3,05%, 2,68% e 3,95%, respectivamente.

Também no terreno das commodities, a quinta-feira foi um dia movimentado para as empresas ligadas ao petróleo. O motivo são as negociações em torno do pacote de desinvestimento da Petrobras, que inclui os campos de Albacora e Albacora Leste, na Bacia de Campos.

Segundo informações do mercado e do site BrasilEnergia, estão envolvidos no negócio os consórcios PetroRio/Cobra e Enauta/3R Petroleum/Talos Energia/EIG Global Energy Partners – Harbour Energy.

Neste contexto, a PetroRio disparou 9,50% e foi a maior alta do pregão. A 3R Petroleum foi pelo mesmo caminho e saltou 6,42%. Já a Petrobras e a Enauta foram pelo caminho oposto e caíram 0,58% e 3,50%.

Dólar e exterior

Ribeiro da Clear Corretora considera que o dia para o Ibovespa só não foi melhor por conta dos Estados Unidos, com as bolsas em queda com os investidores preocupados com a economia local, em especial com o rumo da inflação — após mais um discurso do presidente do Fed, Jerome Powell.

Powell, afirmou nesta quinta-feira, 30, que deve haver "algum alívio" na inflação nos EUA no primeiro semestre de 2022. Durante depoimento em comitê da Câmara dos Representantes, o presidente do Fed destacou que o país está em uma situação difícil com a inflação elevada e o nível do emprego longe do quadro ideal.

Em sua fala, Powell chegou a qualificar o quadro na inflação como "frustrante", diante de gargalos na cadeia de produção que perduram e "parecem ainda ficar um pouco pior". Nesse quadro, ele disse que a inflação deve ficar elevada por mais tempo do que o antes esperado.

Simultaneamente, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma medida, chamada de "resolução contínua", que evita o "shutdown" do governo, ou seja, a paralisação da máquina pública. O projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes antes de ser enviado ao presidente norte-americano, Joe Biden. O texto prevê recursos para o financiamento do governo até o dia 3 de dezembro.

Para evitar o "shutdown", Biden precisa assinar a medida até às 23h59 desta quinta-feira pelo horário local ou 00h59 de sexta-feira, pelo horário de Brasília.

Neste cenário de incertezas, o dólar se fortaleceu, por mais um dia, frente às outras moedas com os investidores em busca de proteção cambial. Nesta quinta-feira, a moeda americana registrou alta de 0,67% ante o real, cotada a R$ 5,452.

Já as bolsas de Nova York viveram um pregão negativo. Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 recuaram 1,19%, 1,59% e 0,43%, na sequência.

Evergrande

O dia positivo para a Bolsa brasileira foi favorecido pela perspectiva de que a crise da incorporadora Evergrande, deve trazer impactos com menos intensidade às economias globais.

Hoje, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês), injetou 100 bilhões de yuans - US$ 15,47 bilhões - em recursos no sistema financeiro do país por meio de operações de recompra reversa de 14 dias.

A autoridade monetária chinesa vem intensificando esforços para manter a liquidez do sistema bancário por conta da crise da gigante do setor imobiliário do país - essa não é a primeira vez que o BC chinês coloca dinheiro no setor financeiro nos últimos dias.

Nesta quinta-feira, a Evergrande comunicou aos investidores que realizou os "primeiros" 10% dos reembolsos de seus produtos de gestão de fortunas com vencimento para hoje. De acordo com a empresa, os fundos investidos foram retornados às contas dos operadores.

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