Logo Mais Retorno
Economia

Dólar pelo mundo: entenda o cenário e sua importância

O dólar é a principal referência de câmbio do mundo. Muito disso se deve ao fato de ser a moeda utilizada pelo maior país do mundo…

Data de publicação:07/04/2022 às 04:30 -
Atualizado um mês atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

O dólar é a principal referência de câmbio do mundo. Muito disso se deve ao fato de ser a moeda utilizada pelo maior país do mundo que, ao menos até 2022, ainda eram os Estados Unidos. No entanto, esse não é o único fator que explica a importância desse ativo para a nossa economia global.

Mercado ao vivo: confira a Bolsa e o dólar nesta quarta-feira, 6 de abril
Foto: Envato

Afinal, por que dólar é tão importante?

Quando se fala de câmbio, é importante mencionar que muitos países utilizam uma moeda chamada dólar como oficial. Além dos Estados Unidos, por exemplo, Canadá, Austrália e Equador também utilizam os seus respectivos dólares como câmbio da economia nacional.

No entanto, quando falamos pura e simplesmente de "dólar", sem especificar qual a origem da moeda, estamos nos referindo ao câmbio utilizado nos Estados Unidos. Isso acontece porque essa é a principal economia global e, desta forma, é natural que ela tenha uma grande importância nos tempos atuais.

A verdade é que a força econômica dos Estados Unidos oferece ao seu câmbio um cenário de estabilidade e segurança — de modo que, especialmente em crises, é comum que pessoas e países busquem atrelar suas reservas a esse câmbio. A esse movimento dá-se o nome de Fly to Quality ("voar para a qualidade", em tradução para o português).

Outro fator que justifica a importância do dólar é que as próprias transações comerciais entre países utilizam esse câmbio como referência. É o caso das commodities, por exemplo. Ainda que a Petrobras seja uma empresa brasileira, ela exporta o seu petróleo no mercado internacional que, não por acaso, precifica cada barril de maneira dolarizada.

Ou seja, podemos atribuir ao dólar um peso de moeda universal por conta de fatores como estabilidade, liquidez (o volume negociado diariamente é bem acima de outros câmbios) e segurança.

Dólar comercial vs. dólar turismo: qual é a diferença?

Se você assiste aos jornais na televisão, provavelmente já reparou que o noticiário econômico costuma trazer a atualização do valor do dólar sob duas perspectivas diferentes: a sua versão comercial e a sua versão de turismo.

O que acontece é que, apesar de tudo que vimos no tópico anterior, o dólar é uma moeda e, assim como as demais, está exposta às variações cambiais de acordo com o cenário global. Em outras palavras, isso significa que a sua precificação depende de uma lei bem comum no contexto econômico: oferta e demanda.

E o que isso tem a ver com a diferença entre dólar comercial e dólar turismo? Tudo! Como vimos, o dólar é muito utilizado em transações comerciais entre países. Assim, o volume movimentado é bem relevante, algo que confere liquidez ao câmbio. Desta forma, há como negociar a moeda com um preço menor.

Já o dólar turismo é utilizado por pessoas físicas em viagens internacionais. Ou seja, é um volume transacionado bem menor do que por empresas e nações. É por isso que, via de regra, ele costuma ser cotado acima do dólar comercial, em função do menor volume negociado.

A relação é similar com uma compra de varejo e uma compra de atacado. Ao adquirir grandes volumes, você geralmente ganha um desconto no custo unitário do produto, certo? É exatamente o que acontece com a transação do dólar comercial em relação ao dólar turismo.

Como funciona a variação de preço do dólar?

Uma vez que o dólar também está exposto à lei da oferta e demanda, há uma relação clara para a sua precificação: o valor do câmbio pode aumentar (em um processo de valorização) ou diminuir (em um processo de desvalorização). Mas, afinal, quais são os fatores que influenciam o preço do dólar?

Podemos agrupar a relação da precificação da principal moeda global em dois aspectos principais:

Balança comercial

A balança comercial diz respeito, basicamente, aos movimentos de entrada e saída de dólar do Brasil (ou de outro país que você esteja analisando). Se há uma força maior no envio de dólares para fora, há também uma redução da circulação da moeda no país. Portanto, como consequência, ela se valoriza em relação ao real. O inverso também é verdadeiro.

Outra situação importante que afeta a balança comercial é o gasto no exterior. Quando compramos em sites internacionais, estamos enviando dólares para fora. Individualmente, o volume transacionado pode ser irrelevante. No entanto, imagine milhões de brasileiros repetindo esse processo.

Portanto, de acordo com a quantidade de dólar em circulação, a moeda americana pode se tornar mais cara ou mais barata em relação ao real. E o mesmo acontece com outras moedas globais.

Taxa de juros

Além da balança comercial, outro fator que interfere diretamente na precificação do dólar são as taxas de juros dos países. Um aumento das taxas de juros americanas, por exemplo, leva à valorização do dólar na medida em que os investidores e os países podem aproveitar para colocar suas reservas de valor no mercado americano, que é mais seguro.

Novamente, o inverso também se aplica. Se as taxas de juros em países de maior risco, como é o Brasil, elevam-se muito, elas se tornam atrativas para o investidor estrangeiro. Deste modo, o movimento pode ser o contrário. Isto é, os investidores passam a aportar dólares no Brasil, aproveitando uma taxa de juros elevada e, consequentemente, valorizando o real em relação ao dólar.

Por que o dólar vem caindo em 2022?

Se você acompanha de perto o mercado financeiro, deve ter percebido que o dólar vem sofrendo uma forte desvalorização em relação ao real. Desde o mês de janeiro até o começo de abril, data da última atualização deste artigo, a queda foi de R$5,57 para R$4,69 por dólar — uma perda de 15,8%.

No entanto, em um ano de dificuldades econômicas, com cenário político instável em função das eleições presidenciais e a explosão de um conflito armado na Europa entre Rússia e Ucrânia, quais são os fatores que justificam uma valorização do dólar em relação ao real? Não deveria ser justamente o oposto?

Existem, em resumo, quatro razões para esse movimento. São elas:

  1. Entrada de capital estrangeiro: o real e a bolsa brasileira sofreram muito com quedas em 2020 e 2021. O cenário se tornou extremamente atrativo para investimentos estrangeiros, com empresas baratas e dólar valorizado.
  2. Preço das commodities: o cenário atual vem trazendo forte valorização para commodities — e o Brasil é um dos maiores exportadores do mundo. Empresas do setor, portanto, se beneficiam do dólar elevado e geram receitas maiores.
  3. Taxa de juros brasileira: há sim muitas incertezas políticas, mas o Banco Central do Brasil já elevou consideravelmente a taxa de juros (em 11,75% até abril de 2022). Com isso, o retorno de investir no país se torna bem atrativo, reforçando o primeiro item.
  4. Mercados emergentes: a Rússia é um mercado emergente, mas com o conflito diante da Ucrânia recebeu diversas sanções — e travou o seu mercado financeiro. Assim, tomadores de risco passaram a olhar para outros mercados emergentes, como o Brasil, no direcionamento do seu capital.

O dólar vai continuar caindo em 2022?

Não há como saber para onde vai o dólar nos próximos meses. Se o cenário econômico se agravar, podemos encontrar uma recuperação da moeda americana como forma de proteção para os investidores. Da mesma forma, o real havia sido muito penalizado e, em 2022, mostrou recuperação diante do principal câmbio global.

Por esse motivo que sempre recomendamos a diversificação nos investimentos, de modo a se proteger de eventuais oscilações da moeda americana. Com uma carteira equilibrada, você consegue se aproveitar dos diversos cenários econômicos, sem sofrer grandes perdas patrimoniais em variações não esperadas — como essa recente do dólar em relação ao real.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.