Economia

Sexta-feira está chegando! Este será, finalmente, o dia em que Jerome Powell, presidente do Fed, falará no Simpósio de Jackson Hole. Mas expectativas são maiores com a próxima reunião do Federal Reserve, em setembro, para conhecer melhor a tendência do dólar.

Antes de comentar sobre os próximos eventos, vamos comentar sobre a boa correlação entre o DXY e o dólar/real, conforme podemos observar no gráfico abaixo que mostra as cotações de fechamento semanal destas duas moedas.

Fonte: Wagner Investimentos

Há algumas semanas alertamos para a possibilidade do dólar/real dar um “susto” até R$ 5,50. Isso praticamente aconteceu na semana passada. O gráfico acima não mostra porque consideramos fechamento semanal.

Os dois motores sobre o real

Motor externo: o DXY pode continuar subindo em direção a 95 e esta é uma possibilidade que não descartamos! Caso isto ocorra, pressionará para cima o dólar/real, que poderá retornar para R$ 5,50.

Os investidores globais estão menos temerosos com o avanço da variante delta nos Estados Unidos (há alguns sinais de pico da infecção) e com o aperto na regulação na China.

Além disso, Robert Kaplan, presidente do Fed de Dallas, e uma das principais vozes contra a manutenção dos atuais estímulos do Fed para a economia, disse na sexta-feira que poderá mudar de ideia com relação ao início da redução das compras de ativos (“tapering”) caso a variante delta persista nos Estados Unidos e prejudique o progresso da economia.

Motor interno: o momento atual está menos conturbado. Arthur Lira garantiu que “não houve sinal de rompimento da responsabilidade fiscal e não haverá” e que “não existe democracia sem responsabilidade fiscal”.

O presidente da Câmara projeta que será dada uma solução para os precatórios e acredita na aprovação da reforma Administrativa. São declarações muito bem-vindas, apesar de não apresentarem nenhuma novidade.

Finalmente, Lira se mostrou contrário à criação de um fundo que receberia recursos de privatizações para pagamento de precatórios. A ideia até que era “boa”, mas o medo dos investidores seria a descaracterização de sua finalidade, ou seja, que fosse aprovada a criação de um fundo que pudesse bancar outras despesas, como um “Auxílio Brasil” turbinado.

Próximos eventos relevantes

Veja a agenda abaixo, com destaque para o dia 22 de setembro, nova Super Quarta e possível data que o Fed poderá anunciar o início da redução mensal das compras de ativos.

Caminhos para o dólar e real

Os investidores estão ansiosos, aguardando o Simpósio de Jackson Hole e a reunião do FOMC (Comitê de Política Monetária do Fed) do dia 22 de setembro.

Acreditamos que Jerome Powell dará poucas pistas sobre o que o Fed irá fazer em Jackson Hole, deixando um suspense ainda maior para a reunião do FOMC de 22 de setembro, até mesmo porque terá mais dados (mais um dado de emprego e mais um dado de inflação ao consumidor) e maior clareza com relação a evolução da variante delta nos Estados Unidos e no mundo.

O dólar/real deverá seguir acima da região de R$ 5,15 e deverá ter certa facilidade para voltar para a faixa de R$ 5,30. Alertamos para a chance de o DXY subir mais e, de acordo com o gráfico acima, o dólar pode novamente subir para próximo de R$ 5,50 e, caso rompa esta faixa, a situação pode piorar muito mais e o dólar poderá subir para próximo de R$ 5,75.

Por outro lado, as chances de cair muito abaixo de R$ 5,00 estão menores com base nas informações disponíveis neste momento. Após o Simpósio de Jackson Hole e após a reunião do FOMC de 22 de setembro teremos mais clareza para rever projeções.

Gostaria de convidá-lo a ler a coluna publicada no início de junho (https://maisretorno.com/portal/por-que-a-tendencia-de-alta-do-dolar-ainda-permanece-intacta), quando destacamos “e, o dólar/real, para onde vai e o que fazer?” Sim, demos uma sugestão bem prática de como uma pessoa física poderia comprar dólares neste cenário de grande volatilidade.

Desejo a todos uma ótima semana e bons negócios!

Abraços,

José Faria Júnior

Disclaimer: este material foi elaborado com a exclusiva finalidade de apresentar conteúdo meramente indicativo, não devendo, em nenhuma hipótese, ser interpretado como um texto, relatório de acompanhamento, estudo ou análise sobre câmbio ou valores mobiliários que possam auxiliar ou influenciar no processo de decisão. As informações utilizadas para a sua elaboração foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis e de boa fé, porém não há nenhuma garantia, expressa ou implícita, sobre mudanças, que não implica na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Desta forma, a Wagner Investimentos e o analista envolvido em sua elaboração não aceitam responsabilidade por qualquer perda direta ou indireta decorrente da utilização do conteúdo deste documento.

*Este artigo não expressa necessariamente a opinião do portal Mais Retorno"

Imagem do autor

José Raymundo de Faria Júnior é economista graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre em Administração pela Fecap. Sócio desde 2006 da Wagner Investimentos, possui as certificações financeiras CFP®️, CNPI, CGA e é Consultor de Valores Mobiliários.

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