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Crise da Americanas: queda de Ambev (ABEV3) e alta de Magalu (MGLU3) são momentâneas?

Na visão de analistas, as empresas de varejo devem captar parte do market share da Americanas

Data de publicação:26/01/2023 às 06:00 -
Atualizado 5 dias atrás
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Na esteira da crise da Americanas, que em janeiro viu suas ações (AMER3) derreterem 90,26%, duas companhias distintas seguem trajetórias opostas, porém impactadas pela calvário da varejista que até pouco tempo atrás era tida como a queridinha dos gestores brasileiros.

A Magazine Luiza (MGLU3), que amargou um 2022 sofrível e em 12 meses acumula desvalorização de 35,27%, engatou um rali desde a divulgação do rombo financeiro da Americanas e, desde então, valorizou-se 44,88%. Em janeiro, a ação já acumula alta de 58,76%.

Americanas
Crise da Americanas gerou impactos distintos em Magazine Luiza e Ambev | FOTO: Reprodução

Ambev segue caminho oposto. Uma das principais empresas de consumo do País sofreu o golpe da Americanas e, desde então, a ação (ABEV3) já caiu 4,76%. Em janeiro, o revés é 5,58%.

No gráfico da Mais Retorno é possível conferir a trajetória destes papéis do dia 11/01 até o dia 24 de janeiro. 
 

Magazine Luiza Ambev Americanas
Fonte: Comparador de ativos Mais Retorno até 24/01/2022

Mas qual a relação essas empresas guardam com a Americanas e porque são impactadas de forma distinta?

A dívida de R$ 43 bilhões da Americanas, que levou a empresa a entrar em processo de recuperação judicial, impacta outras partes do mercado financeiro. Isso por que os principal controlador da companhia, a 3G Capital, também controla empresas como a Ambev. Por outro lado, se a empresa está em crise, outras companhias devem ocupar um espaço que ela preenche.

Ambev

A queda de quase 5% nos papéis de Ambev expõe que o investidor prefere sair de um risco que deixou de ser exclusivamente da Americanas e passou a ser da gestão, segundo Idean Alves, sócio da Ação Brasil Investimentos. Ele reitera que é pouco provável que o caso Americanas se repita com a Ambev.

Em relatório, o Credit Suisse se posicionou afirmando que a queda nos papéis da Ambev não é justificável. O Credit afirma que, ao contrário da Americanas, a empresa de bebidas é uma forte geradora de fluxo de caixa livre, com um rendimento de aproximadamente 6%.

O momento é de maior aversão ao risco devido aos últimos acontecimentos e para Marco Saravalle, estrategista-chefe da SaraInvest, caso o papel (ABEV3) sofra quedas ainda maiores, pode ser uma oportunidade de compra

Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, tem perspectiva negativa para o papel (ABEV3) e a casa reitera short (venda). A motivação vai além do risco de imagem atrelado à crise da Americanas. 

Para a Empiricus, a empresa já tem desafios próprios a serem enfrentados, como a possibilidade do fim do JCP (Juros sobre Capital Próprio) que retiraria benefício tributário da empresa. Ele também cita que o “momentum” da indústria cervejeira é ruim, dado o alto preço das commodities e a dificuldade em repassar esses preços para o consumidor final. 

Magazine Luiza

Já no caso da Magazine Luiza, que surpreendeu com uma alta de mais de 40% desde o início desta crise, o benefício para a empresa vem de captar vendedores que utilizavam o e-commerce da Americanas. A Empiricus Research já indica que o  GMV (volume total de vendas) da Magazine Luiza deve crescer 18% neste ano. 

Ferrer explica que com todo esse imbróglio, está acontecendo uma migração de vendedores da plataforma da Americanas para o e-commerce da Magazine Luiza, movimento que justifica parte da alta nos papéis.

Os gestores e investidores que haviam investido em Americanas transferiram as posições para outros papéis dentro do mesmo setor, segundo Marco Saravalle, estrategista-chefe da SaraInvest. Ele acredita que a alta é momentânea e pode haver correção nos próximos dias.

Idean Alves, sócio da Ação Brasil Investimentos, afirma que não houve uma mudança drástica nos fundamentos da companhia que explique a alta de 44,88%. 

Além disso, os analistas acreditam que assim como a Magazine Luiza captou parte dos vendedores da Americanas, outras companhias como Via, Amazon e Mercado Livre também ficarão com parte deste market share.

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Sobre o autor
Mari Galvão
Repórter de economia na Mais Retorno

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