Mercado Financeiro

A menos que surja alguma expectativa ou fato negativo que se sobreponha ao cenário otimista no exterior, como alguma má notícia sobre uma possível inadimplência da Evergrande, ou o IPCA-15 de setembro venha muito fora do esperado, a Bolsa pode manter o tom positivo dos últimos dias nesta sexta-feira, 24, fechamento da semana, acreditam especialistas.

Além disso, os investidores estão atentos ao discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, às 11h (horário de Brasília), que pode trazer mais algum sinal sobre o movimento da autoridade financeira sobre a retirada de estímulos da economia.

A Bolsa de Valores de São Paulo, B3, emplacou ontem a terceira alta consecutiva, com avanço de 1,59%, acumulando uma valorização de 2,36% na semana. A B3 não subiu sozinha.  O dólar foi junto, embora com alta mais discreta, de 0,10%, cotado por R$ 5,31.

Foto: B3
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O mercado financeiro tomará conhecimento sobre como anda a inflação corrente em setembro com a divulgação nesta sexta-feira do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial medida pelo IPCA.

A expectativa de analistas é que ela continue pressionada, reforçando a ideia de novas altas da Selic, que o presidente do Banco Central prometeu levar onde for necessário para conter a escalada da inflação. 

Nota divulgada após a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que elevou a Selic para 6,25%, na quarta-feira, 22, já sinalizou um novo aumento de um ponto porcentual na taxa básica para o encontro do colegiado, no fim de outubro.

Bolsa não reagiu mal à alta de juros

A continuidade do ciclo de alta da Selic nesse ritmo não tem gerado reação negativa dos mercados. A B3 tem dado seguimento à correção do Ibovespa (Índice Bovespa), após as fortes quedas da semana passada e início desta, aproveitando o clima mais positivo do cenário internacional.

O dólar também está relativamente comportado, embora em nível considerado ainda elevado, uma resistência à queda que os especialistas atribuem aos ruídos provocados pelas incertezas políticas e econômicas.

Do lado político, pela aversão ao risco, com a aproximação das eleições do próximo ano e o sentimento de que a campanha eleitoral vai ganhando a rua e cada vez mais as mídias sociais. 

Na área econômica, a preocupação com a questão fiscal diminuiu nos últimos dias, com os sinais de que Congresso e governo estão a caminho de um entendimento para a quitação dos precatórios de uma forma que não atropele a regra do teto de gastos. Uma conta que beira R$ 90 bilhões para ser quitada em 2022.

Reforma e precatórios

Ainda no radar político, a reforma administrativa avançou alguns passos na Câmara, com a aprovação do texto-base do relatório do deputado Arthur Maia por 28 votos contra 18 na comissão especial.

No texto, se aprovado, pontos como a possibilidade de parceria privada para execução de serviços públicos, aposentadoria integral para policiais e contratos temporários com duração de até 10 anos passarão a valer no País.

A próxima etapa agora é a votação de 21 destaques – pedidos de alteração ao texto principal – pelos deputados. Após isso, a PEC vai ao plenário da Câmara, onde precisa do apoio de, no mínimo, 308 deputados em dois turnos para chegar ao Senado.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) enviada ao Congresso pelo governo no ano passado prevê uma reformulação no RH do Estado, com novas regras para contratar, promover e demitir funcionários públicos, assim como corte de jornadas e salários de servidores em até 25%, condicionado à situação específica.

No universo dos precatórios, o acordo para nova proposta das dívidas definidas pela Justiça vai exigir a montagem de uma grande mesa de negociação de ativos da União em troca da quitação de cerca de R% 50 bilhões.

Essa é a soma dos precatórios que ficarão fora do teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação, e não serão pagos à vista, mas poderão ter a quitação acelerada mediante acerto entre as partes.

Se aprovada a proposta, o pagamento dos credores atingidos deixa de ser obrigatório no ano que vem e pode demorar, assim a União ganha poder de barganha para obter acordos hoje considerados não atrativos.

Pelo acordo, o governo só se compromete a pagar à vista cerca de R$ 40 bilhões da conta de R$ 89,1 bilhões das despesas com precatórios. O valor é R$ 17 bilhões abaixo do que o governo previa destinar às dívidas judiciais em 2022.

Para os R$ 50 bilhões fora do teto, ou os credores renegociam com o governo, ou esperam. Essa fila vai aumentando à medida que os anos passam, de forma que o governo acredita que haverá interesse dos credores na negociação. Um precatório emitido em 2023, por exemplo, pode acabar só sendo pago muitos anos para frente.

Nova York e Ásia

O bom humor que tomou conta da Bolsa na véspera foi influenciado pelo maior apetite por risco nos mercados internacionais, embora o temor sobre a situação da incorporadora chinesa Evergrande ainda persista. Os futuros negociados nas bolsas de Nova York refletem essa apreensão, operando em baixa.

Soma-se a isso a expectativa do mercado a respeito da fala do presidente do Fed, Jerome Powell, que fala em evento ainda na parte da manhã.

A incorporadora chinesa mais endividada da China não fez uma declaração sobre o pagamento da dívida que venceu na véspera. A inquietação com o caso diminuiu, mas ainda não está claro como o governo chinês administrará as consequências de uma eventual inadimplência.

Por outro lado, alguns bancos chineses revelaram o quanto têm a receber da Evergrande e alegam estar preparados para absorver um possível calote.

Os investidores também seguem avaliando a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que manteve a política monetária no mesmo caminho, mas sinalizou que pode começar a reduzir as compras de bônus – o chamado tapering – nos próximos meses.

As negociações sobre o pacote de US$ 3,5 trilhões, proposto pelo presidente americano, Joe Biden estão avançando. Os líderes do Partido Democrata no Congresso do país afirmaram que a Câmara dos Representantes, o Senado e Casa Branca chegaram a um acordo sobre como financiar esse montante. A proposta prevê investimentos sociais e focados no combate à mudança climática.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, em coletiva de imprensa, ao ser questionada se o pacto entre o governo e legislativo significava que o montante do pacote seria menor do que o proposto por Biden, respondeu o objetivo é fechar a proposta em US$ 3,5 trilhões.

Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão desta sexta-feira, em sua grande maioria, em baixa, refletindo as incertezas sobre a Evergrande, que seguem pesando nos negócios.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,30%, aos 24.192,16 pontos, enquanto a ação local da Evergrande sofreu um tombo de 11,61%.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,80%, aos 3.613,07 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,70%, a 2.434,23 pontos. Em Seul, o sul-coreano Kospi teve perda marginal de 0,07%, aos 3.125,24 pontos.

Já em Tóquio, o índice Nikkei saltou 2,06%, aos 30.248,81 pontos, na volta de um feriado nacional no Japão. O mercado de Taiwan também ficou no azul, com ganho de 1,07% do Taiex, aos 17.260,19 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés predominantemente negativo da Ásia, e o S&P/ASX 200 caiu 0,37% em Sydney, aos 7.342,60 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Imagem do autor

Colaborador do Portal Mais Retorno.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Veja mais Ver mais