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Com inflação acima do esperado nos EUA, o que especialistas recomendam na renda fixa americana

No cenário atual, a recomendação é em títulos do governo americano e de empresas sólidas, mas de curto prazo

Data de publicação:15/02/2023 às 08:00 -
Atualizado um mês atrás
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A inflação dos EUA ainda mostra força e os juros devem subir mais por lá. A partir dessas duas variáveis, especialistas ouvidos pela Mais Retorno, apontam boas oportunidades na renda fixa americana, em títulos de curto prazo, em crédito privado de empresas sólidas, e em bonds do governo, que oferecem o menor risco do mundo.

As indicações levam em conta a divulgação dos preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA, nesta terça-feira, 14, de 0,5%. Com isso, o acumulado em 12 meses foi para 6,4%, quando as estimativas do mercado estavam em 6,2%. Portanto, embora em queda, já que bateu em 9,1% em junho de 2022, a inflação americana ainda é fonte de preocupação.

dólar azul
Juros devem cair mais adiante, mas há boas oportunidades no momento em títulos americanos

Sem queda dos juros com inflação atual

"Não acredito que com esses dados acima do esperado, o Fed (banco central americano) vai parar de subir os juros tão cedo. Com isso, o próximo aumento do Fed será de 25 p.p e não duvido que chegue a 50 p.p”, afirma Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos.

Cohen chama atenção para o comportamento errático dos ativos demonstrando incertezas: “O mercado americano está em processo de redução da inflação, porém o mecado está mais otimista do que deveria. A gente consegue ver isso pelos dados, que vieram acima do esperado. Quando foi divulgado, S&P subiu e logo na sequência já ficou no zero a zero. O dólar subiu na hora da divulgação e logo depois despencou”.

De concreto, a renda fixa americana segue oferecendo boas oportunidades não só pelo rendimento, mas pela diversificação, que permite a proteção em dólar e reduz o risco Brasil nos portfólios.

Corrida para papeis de empresas sólidas

“Existe uma corrida para a renda fixa nos Estados Unidos para garantir um rendimento entre 4% e 4,5% nos títulos de curto prazo do governo americano, o melhor pagador, mas também para a renda fixa privada”, conta Fabio Fares, analista macro da Quantzed, casa de análise, e empresa de tecnologia e educação financeira para investidores.

O especialista da Quantzed destaca os atrativos em papeis das gigantes como Microsoft, Apple, Google e CVS (empresa do setor de saúde), todas com a capacidade de se financiar, com potencial enorme de geração de caixa e estão também garantindo um bom retorno.

“Com títulos da Microsof, por exemplo, a 5,5% por 3 anos, você trava seu dinheiro em dólar mais esses 5,5%, e o devedor é a Microsoft” argumenta Fares. 

“São títulos de renda fixa de qualidade, com grau high grade de investimento, e a gente tem visto não apenas gestores atrás desses papeis, mas as pessoas físicas a torto e direito também”, complementa. Segundo ele, os ETFs são o caminho mais prático e rápido para acessar esses títulos no caso do investidor comum.

Por mais que os juros continuem elevados nos EUA, na opinião do analista da Quantzed, de oito a dez meses, essas empresas não encontrarão dificuldades em levantar recursos, só “a Google vale US$ 80 bilhões”.

Para Fares, depois do fator Americanas no Brasil onde o crédito privado ficou perigoso e arriscado, esse movimento tende aumentar.

O sócio e co-CIO da Vita Investimentos, Tharcisio Santos, tem a mesma tese de que há boas oportunidades para investir em títulos de empresa com qualidade de crédito pagando, de 4,5% a 5,5%, ou até um pouco mais, nesse momento.

“Não precisa correr um risco de crédito muito grande para conseguir esse rendimento, afirma Santos. "Gostamos de fazer alocação nesses títulos mais seguros, de grandes empresas do setor financeiro, de tecnologia, que geram bastante caixa e têm classificação de crédito elevada”, diz o especialista da Vita.

Bonds do Tesouro também estão atrativos

Em relação aos bonds do Tesouro americano, os treasuries, o diretor afirma que estão pagando algo em torno de 4,5% ao ano, ou um pouquinho mais dependendo do dia. “A gente entende que esses ativos fazem muito sentido na composição de um portfólio”.

Por mais que o mercado já esteja embutindo algumas quedas de juros bem adiante, o entendimento de Santos  é que a inflação corrente nos EUA, rodando perto de 4,5%, ainda está longe da meta, que é de 2%.

“Pode ser que o Fed tenha que subir ainda mais os juros, mais do que o mercado acha, ou permanecer com eles elevados por mais tempo, o que pode gerar perdas nos títulos mais longos, por isso é preferível comprar títulos com vencimento entre 2025 e 2027”, orienta o co-CIO da Vita.

Guilherme Zanin, analista da Avenue, lembra que há 2 anos a taxa de juros americana era próxima de zero e agora em nível entre  4 ou 5%, a renda fixa americana se tornou mais atrativa ao investidor internacional. Condição que permitiu forte entrada de capital estrangeiro nos EUA e valorizou o dólar nos últimos anos, segundo ele.

“A gente tem o menor risco com um retorno em ascenção crescendo ao longo de meses, e isso tem atraído capital nos EUA, o momento é oportuno para o mercado americano", relata Zanin.

Como aplicar na renda fixa americana

Mas a festa pode ter hora para acabar: "Dado esse cenário de desaceleração da inflação pode ser que a gente veja uma redução da taxa de juros americanos, voltando para próximo de 3 a 2%. Os investidores que hoje asseguram entre 4 e 5% acabam se beneficiando mais.

O analista da Avenue aponta 3 caminhos para investir na renda fixa americana: os ETFs, com mais de 800 opções só na renda fixa e aplicações a partir de US$ 1; os fundos de investimentos com vantagens tributárias e na sucessão patrimonial, a partir de US$ 2 mil; e os bonds, os corporate bonds e os treasuries bonds, do Tesouro americano, também com benefícios tributários e sucessórios,  com valores de US$10 a US$ 50 mil.

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Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.

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