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Mercado Financeiro

Bolsa cai 1,79% aos 103 mil pontos, menor nível desde 10 de janeiro; dólar sobe 1,60% a R$ 5,16

Juros altos, menor crescimento da economia chinesa e global e queda de petróleo e minério de ferro prejudicaram o mercado de ações

Data de publicação:09/05/2022 às 18:17 -
Atualizado 15 dias atrás
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A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3 teve mais um baque nesta segunda-feira e fechou com recuo de 1,79% aos 103.250 pontos, menor nível desde 10 de janeiro (101.945). Motivos não faltaram para afundar os preços das ações. Lá fora, os mercados ainda estão assimilando os indigestos juros altos, a China mostra sinais de enfraquecimento econômico, e com isso as principais commodities caíram. O dólar, em sentido inverso, fechou com alta de 1,60%, cotado a R$ 5,16.

Foi um dia pesado para os mercados de ações. A fala de dirigente do Federal Reserve, o banco central americano, sobre a possibilidade de haver mais dois ou três ajustes de 0,50 pontos-base para o juro básico americano, os Fed Funds, afetou as bolsas. Mas, alem disso, segundo Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3, a preocupação maior é que haja um aumento ainda maior nas taxas, de 0,75 pp.

Bolsa
Foto: Reprodução

Como reação imediata a esse contexto derrubou as bolsas de Nova York e também fortaleceu o dólar, frente às demais divisas. Esteves explica que há um aumento na procura pelo dólar pelos investidores interessados em aproveitar essa onda de alta dos juros nos EUA. Dow JOnes fechou com queda de 1,99%, S&P 500, de 3,20%, e Nasdaq, de 3,98%.

Isso leva a um movimento de liquidação das posições em risco, como as de ações, e migração para os papeis da dívida americana. Ele ressalta que os Treasuries de 10 anos continuam acenando com rentabilidade acima de 3% ao ano, nível considerado elevado diante do histórico dessas taxas.

O mercado entende que o aperto monetário mais duro nos Estados Unidos, tanto pela elevação dos juros como pela redução de balanço do Federal Reserve (redução na recompra de ativos do mercado), pode levar a uma desaceleração global.

Por isso, as atenções se voltam agora para dados da inflação americana ao consumidor, que serão divulgados na próxima quarta-feira, para novos direcionamentos da política monetária nos EUA. Se haverá necessidade, ou não, de o Fed forçar mais a mão sobre os juros para tentar controlar a inflação.

Na China, destaca Esteves, continuam as medidas restritivas na economia, seja na movimentação de pessoas, ou para cargas e descargas em portos, nos esforços do governo para chegar à taxa de covid zero. Os números do mercado imobiliário de maio já vieram fracos e essas medidas tendem a acentuar ainda mais a redução do crescimento econômico chinês e, portanto, global. Lembrando que a China é a segunda maior economia do mundo.

Queda das commodities afeta a bolsa

Com o recuo de 2% do petróleo no mercado internacional, ações ligadas ao setor tiveram quedas expressivas. Petrobras caiu 2,72%; PetroRio, 8,60%, 3R Petroleum, 8,70%.

O setor de mineração também fechou no vermelho, com a queda de mais de 6% do mínério de ferro. Vale teve uma queda de 4,10%, Usiminas, de 1,82%, Gerdau, 2,34%.

Não bastassem os fatores externos, por aqui a equipe econômica ressucitou o tema de tributação dos dividendos, colocando-o em debate no Congresso. E isso ajudou a azerdar ainda mais o humor da bolsa, com reprecificação dos ativos.

Entre as maiores quedas do dia, papeis do setor de serviços e varejo. Localiza derreteu 14,44%; Petz, 11,1% e Magalu, 9,07%, além das petroleiras PetroRio e 3R Petroleum.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.