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Mercado Financeiro

Bolsa cai 0,39% e dólar sobe 0,48% com pressão de servidores para reajuste salarial e revisão no teto de gastos

Números negativos da Bolsa refletem o mal-estar de investidores com o cenário de incertezas doméstico

Data de publicação:04/01/2022 às 19:09 -
Atualizado 5 meses atrás
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Em mais um pregão de elevada volatilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, emendou a segunda queda consecutiva no ano nesta terça-feira, 4.  Após iniciar o pregão em alta, inverteu o sinal em meados da manhã e assim persistiu até o fim dos negócios. A B3 encerrou o pregão com queda de 0,39%, em 103.513 pontos.

O dólar seguiu trajetória inversa e emplacou nova valorização, de 0,48%, a segunda consecutiva, cotado por R$ 5,69% para a venda.

Bolsa
Foto: B3/Divulgação

O comportamento do mercado de ações “foi muito parecido com o do dia anterior”, analisa Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Messem Investimentos. Em sua avaliação, os números negativos dos mercados, com queda da bolsa e valorização do dólar, refletem o mal-estar de investidores com o cenário de incertezas doméstico.

“O rápido avanço da variante ômicron do coronavírus pelo mundo, principalmente nos EUA e na Europa, não parece preocupar os mercados do ponto de vista de atividade econômica”, afirma. Para ele, o mercado está preocupado com a questão fiscal, com a volta de pressões para a revisão do teto de gastos e o movimento de funcionários do Banco Central e do Receita Federal por reajustes salariais.

Bertotti afirma que tanto posições de políticos em favor da revisão do teto de gastos quanto a pressão de servidores públicos por melhoras salariais aumentam as preocupações com as contas públicas e a deterioração do cenário fiscal neste ano, agravado pelo calendário eleitoral.

Incertezas fiscais têm impactado os mercados de dólar e juros futuros, dois ativos em alta, aponta o especialista da Messem. O juro futuro embutido em contratos para vencimento em 2025 subia 2,43%, para 11,15%, e em 2029 avançava 1,82%, para 11,20%, no fim da tarde desta terça-feira.

Alta dos juros futuros afeta a bolsa

A alta dos juros futuros funciona como sinalização negativa para o mercado de ações, porque indica a manutenção das taxas de juro em níveis elevados por um bom período, com efeitos sobre a bolsa de valores: piora das condições financeiras para as empresas, com redução de lucros, e aumento de atratividade das aplicações da renda fixa, com baixo risco.

Com o cenário doméstico negativo, a bolsa de valores andou em descompasso mais uma vez com o dia positivo das bolsas americanas. O índice Dow Jones da bolsa nova-iorquina fechou com alta de 0,59%. Já os índices S&P 500 e Nasdaq, embora tenham transitado pelo terreno positivo, fecharam com queda de 0,06% e 1,33%, respectivamente, com a reação das taxas dos Treasuries (títulos de dez anos do Tesouro americano) à tarde, que subiram para 1,65%.

O movimento dos juros nesses títulos de prazo mais longo teria refletido as expectativas com a ata do Fed (federal Reserve, banco central americano) que será divulgado nesta quarta-feira com possíveis mudanças no programa de redução de estímulos à economia americana.

O cenário internacional, a despeito da rápida propagação da variante ômicron, foi favorável ao mercado doméstico, avalia Romero de Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos. A decisão por ora sem novidades da Opep, cartel do petróleo, de manter a produção em 400 mil barris favoreceu as empresas ligadas ao setor, afirma Bertotti, da Messem.

Outro setor em destaque no exterior foi a forte valorização do minério de ferro. A tonelada fechou em alta na China e beneficiou as siderúrgicas, com valorização de ações da Gerdau, que subiram 1,39%, aponta Oliveira, da Valor Investimentos.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.