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Economia

BCE mantém juros, mas acelera redução de compras de ativos

De acordo com a autoridade monetária europeia, a alta nas taxas de juros deve ocorrer após o fim da retirada de estímulos econômicos

Data de publicação:10/03/2022 às 13:14 -
Atualizado 2 anos atrás
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O Banco Central Europeu (BCE) deixou inalteradas suas principais taxas de juros nesta quinta-feira, 10, após decisão monetária divulgada em seu site. A taxa de depósitos permaneceu em -0,50%, a taxa de refinanciamento em 0% e a taxa de empréstimo em 0,25%.

Dado o atual cenário inflacionário na zona do euro, o BCE decidiu acelerar o processo de redução das compras de ativos por meio do Programa de Compras de Ativos (APP, na sigla em inglês) e reiterou que o Programa de Compras Emergenciais da Pandemia (PEPP, na sigla em inglês) terminará este mês.

BCE mantém juros, mas acelera redução de compras de ativos
Christine Lagarde, presidente do BCE, relatou divergências entre os membros do Conselho sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia -Foto: Reprodução

Agora, por meio do APP, a entidade vai comprar 40 bilhões de euros mensais em abril, 30 bilhões de euros em maio e 20 bilhões de euros em junho. Caso a inflação não reduza a ponto de moderar a expectativa de médio prazo, o BCE vai suspender as compras pelo APP no terceiro trimestre de 2022, anunciou.

Há, porém, a possibilidade de rever os planos caso a inflação evolua para um nível inconsistente com a meta de 2% ao ano, segundo o BC comum.

Taxas de juros: alteradas após a retirada dos estímulos

De acordo com o BCE, as taxas básicas de juros só serão alteradas "um tempo depois" do término das compras pelo APP e o processo será feito de forma gradual.

"Esperamos que os juros básicos fiquem nos níveis atuais até que a inflação atinja 2% bem antes do final do horizonte de projeção e duradouramente pelo resto do horizonte de projeção", diz o BC, que retirou a possibilidade de juros mais baixos de sua comunicação nesta decisão.

A instituição ainda decidiu estender a linha de crédito para bancos centrais até 15 de janeiro de 2023, e também repetiu que o as condições especiais do programa de Operações de Financiamento Direcionado de Longo Prazo (TLTRO III) serão descontinuadas em junho deste ano.

O BCE comentou ainda sobre a invasão da Rússia na Ucrânia, "um divisor de águas para a Europa". Neste ambiente, a instituição defendeu uma posição flexível para evitar ameaças à transmissão dos instrumentos de política monetária e assegurou que tomará "quaisquer ações necessárias" para garantir a estabilidade de preços.

Lagarde: discordância entre dirigentes do BCE

Em coletiva de imprensa após o anúncio da decisão monetária do BCE, a presidente do BCE, Christine Lagarde relatou que as opiniões de membros do Conselho da entidade variaram para os "dois extremos" possíveis, com alguns dirigentes defendendo que o BC europeu "não faça nada" em meio às incertezas para a perspectiva por conta da guerra na Ucrânia, enquanto outros advogaram por ir em frente com a remoção da acomodação monetária "sem opcionalidades", apesar das incertezas.

Segundo ela, o comunicado de política monetária divulgado nesta quinta-feira engloba o conjunto de visões trazidas por todos os 25 membros do Conselho do BC comum.

Quanto ao choque provocado pela invasão da Rússia, o vice-presidente da entidade, Luis de Guindos, disse que o impacto não se compara ao período do começo da pandemia de covid-19, uma vez que a ligação financeira entre Rússia e zona do euro "não é relevante".

Lagarde ainda tratou do projeto de criar uma moeda digital de BC (CBDC, na sigla em inglês) do BCE. Segundo ela, a entidade "não pode errar" e é necessário estar "um pouco à frente da curva" para cumprir com as expectativas dos consumidores europeus. / com Agência Estado

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