Economia

Os analistas ainda estão cautelosos para indicar os impactos do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos na política monetária do banco central americano, o Federal Reserve (Fed). No entanto, é inevitável destacar que o debate sobre um possível adiantamento na alta de juros retorna para a agenda do mercado nesta terça-feira, 13.

Walmart é termômetro do comércio nos Estados Unidos
Pacote de estímulos turbinaram o consumo nos Estados Unidos - Foto: Divulgação

O Departamento do Trabalho divulgou hoje que o CPI subiu 0,9% em junho ante o mês de maio, acima das estimativas do mercado que apontavam alta de no máximo 0,5% no período. Na comparação anual, o indicador saltou 5,4% em junho, registrando assim o seu maior avanço em quase 13 anos, desde agosto de 2008.

Alta de juros

Imediatamente após o anúncio, os contratos futuros dos fed funds, monitorados pelo CME Group, já mostravam que ao menos uma elevação nos juros nos Estados Unidos já passavam a integrar as apostas majoritárias do mercado. Os investidores acreditavam em uma alta dos juros já para novembro de 2022.

Em novembro de 2022, 45,6% das apostas monitoradas pelo CME são de manutenção dos juros. No entanto, 39,0% são de uma alta de 25 pontos base, sendo 13,0% de uma elevação de 50 pontos base, 2,1% para uma alta de 75 pontos-base.

Acima do esperado

Para o time de macroeconomia e estratégias do banco BTG Pactual digital, o dado de junho apresentou uma aceleração acima do esperado. Isso, diz o banco, "deve intensificar os receios dos agentes de mercado, principalmente pela pressão no núcleo de inflação e como o Fed deverá reagir à essas novas informações em sua próxima reunião deste mês".

O banco, contudo, traz como ressalva o fato de que as maiores pressões no índice são advindas de segmentos que aparentam caráter não persistentes, como alimentos e energia elétrica.

Com relação ao núcleo do CPI, que exclui os preços de alimentos e energia, por serem considerados muito voláteis, o indicador avançou os mesmos 0,9% na comparação mensal de junho. Neste caso, tratando apenas do núcleo, a inflação registrou ganho anual de 4,5%.

Para Paula Zogbi, analista da Rico, os fatores que estão pressionando a inflação ainda parecem transitórios e isso não deve modificar, pelo menos por hora, a sua postura.

"Mais de um terço do aumento da inflação veio de venda de carros e de caminhões usados. Então, é muito possível que, com esse dados, o banco central dos Estados Unidos mantenha a postura de estímulos de compra de títulos, que é o que o mercado está mais olhando, se (o Fed) vai deixar de estimular a economia antes do que se espera", diz.

Ainda é cedo

Para André Perfeito, economista-chefe da Nécton, ainda é cedo para firmar que a inflação dos Estados Unidos tem caráter persistente. "Contudo sabemos que o mercado vai olhar com desconfiança estes números e o tema da inflação pode voltar ao radar nos próximos dias nos EUA", escreve, em nota.

"Lembramos que os juros de 10 anos nos EUA tem caído na esteira de uma inflação mais 'moderada' ou mesmo de um FED persistente na sua leitura de juros baixos, no entanto não seria de estranhar se alguma incerteza voltasse ao mercado de títulos norte-americanos", registra Perfeito. É bom ficar de olho.

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Editor-chefe do Portal Mais Retorno.

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