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Renda Variável

Até quando o dólar vai se manter comportado e abaixo de R$ 5?

Segundo especialistas, há vários fatores que poderão pressionar os preços da moeda para cima e em curto espaço de tempo

Data de publicação:29/03/2022 às 01:53 -
Atualizado 2 meses atrás
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O dólar acumula uma queda de 14,36% desde o início do ano até a última segunda-feira, 28, quando fechou cotado a R$ 4,77. Mas até quando a moeda americana deve mostrar-se comportada a esses níveis, abaixo de R$ 5?

Segundo gestores e especialistas, há vários fatores que poderão pressionar os preços da moeda para cima e em curto espaço de tempo. As eleições no País que trazem muitas incertezas sobre os rumos da economia e uma política monetária mais austera nos Estados Unidos são as duas principais pressões de alta para o dólar.

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Fonte: Mais Retorno

O capital estrangeiro, que vem atraído pelos juros altos e preços descontados de ativos na Bolsa de Valores, na B3, e por empresas de commodities, está sendo o principal responsável pelo comportamento dos mercados nesses primeiros três meses de 2022. Só na Bolsa o ingresso já supera a casa de R$ 81 bilhões no período. Não à toa, o Ibovespa apresenta alta de 14,71% desde o início do ano.

Abrindo um pouco mais o leque dos fatores que fizeram o dólar despencar por aqui, o economista José Faria Júnior aponta que o Brasil é a melhor opção entre os BRICs, ja que a Rússia foi excluída dos portfólios globais, e a Índia teve sua nota rebaixada pelo Credit Suisse.

Já a China vem tropeçando em novos surtos de covid-19 e impôs restrições a empresas sediadas no país. Dessa forma, os investidores estão redistribuindo os recursos entre os emergentes e favorecendo o mercado brasileiro.

Mas esses recursos que entram no mercado doméstico, derrubam o dólar e sustentam a Bolsa, são de curto prazo, lembra Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest. Portanto, é um dinheiro que pode sair rapidamente do País, assim que novas e melhores oportunidades surgirem em algum canto do mundo.

Até porque alguns ativos já estão passando por uma correção no mercado brasileiro. E à medida que os juros nos Estados Unidos ou em países desenvolvidos subirem, reduzindo o diferencial, o mercado brasileiro vai perdendo parte da atratividade.

E para onde vai o dólar?

Para entender para onde vai o dólar, Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, prefere contextualizar o comportamento do dólar em um período maior.

Ele explica que em 2021, com os juros baixos, investidores entre empresas e bancos se posicionaram em ativos no exterior, e a saída desses recursos combinada com as tensões em relação ao furo do teto fiscal e aumento do risco fiscal, no segundo semestre do ano, deram combustível para a moeda americana.

No quadro abaixo, gerado pela nova ferramenta da Mais Retorno, o "Comparador de Ativos", veja que a performance da moeda frente à inflação é negativa em todos os períodos, exceto em 36 meses.

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Fonte: Mais Retorno

Com a elevação dos juros ao longo do ano passado, com a Selic saindo de 2,00% e chegando a 9,75%, e valorização das commodities, o real se valorizou criando condições mais interessantes por aqui, aponta o economista da Western. O novo contexto justificou a volta dos recursos que haviam saído no ano anterior, assim como também a chegada de novos investidores, formando um forte fluxo de capital ao País.

Para ele, o diferencial entre os juros domésticos e internacionais e o atrativo das empresas exportadoras de commodities tendem a continuar dando suporte ao real por mais algum tempo.

"Mas precisamos incorporar as eleições a esse cenário, que trazem risco e volatilidade", afirma Lima. É um fator desfavorável ao real e que pode valorizar o dólar.

Cristiane também acredita que as eleições vão trazer muita instabilidade para o segmento do dólar. " O que a gente acredita é que vai haver muita volatilidade para o dólar este ano. Pode ser que essa queda continue aí por um tempo ainda, até meados desse ano, mas ano eleitoral traz muita volatidade para a taxa de câmbio".

Nesse mesmo sentido de valorização do dólar, Adauto Lima afirma que a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai acelerar o processo de ajuste dos juros nos Estados Unidos, ou reduzir a liquidez dos mercados, mais do que o já esperado e precificado pelos investidores, também tende a fortalecer a moeda americana em todo o mundo.

Até o fim do ano passado, o Fed injetava algo em torno de US$ 110 bilhões a cada mês na economia, e de acordo com Faria Júnior até meados deste ano, esse volume tende a ser reduzido pela metade.

As projeções para os juros americanos entre 2% e 2,5% ao ano já ficaram para trás e agora rodam mais em torno de 3% ao ano.

Nesse momento, na avaliação de Lima, os preços do câmbio estão mais perto do equilíbrio entre R$ 4,70, e R$ 4,80, mas admite que a cotação pode cair ainda mais e chegar a R$ 4,60, dependendo do comportamento das commodities e manutenção do diferencial das taxas de juros.

A economista da Ourinvest explica que a valorização das commodities no mercado internacional favorece o País, que é um importante exportador dos produtos. O resultado das operações se traduz em mais dólares entrando no mercado brasileiro e segurando os preços da moeda e, portanto, a inflação.

As tendências de curtíssimo prazo

Para essa semana, destaca Cristiane, os investidores têm no radar a divulgação do payroll nos Estados Unidos, que mostra o comportamento do mercado de trabalho americano.

Se os dados indicarem um aquecimento do setor, com a economia crescendo acima das expectativas, o Banco Central americano pode aumentar os juros por lá de forma mais agressiva. E isso pode provocar a saída de fluxo de capital daqui em direção aos títulos americanos em uma economia mais segura.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.