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Pré, Pós ou híbrido? Qual título de renda fixa devo investir?

Por:
25/07/2019

Qualquer formação de riqueza passa necessariamente por 3 pontos:

  1. Uma renda que cresce ao longo do tempo;
  2. Permitindo receitas acima das despesas;
  3. Cuja diferença é investida para aumentar o patrimônio.

Dito isso, um investidor precisa selecionar as suas prioridades em função da ordem cronológica da vida. As necessidades de curto prazo devem ser supridas antes dos objetivos de médio e longo prazo para que sobre dinheiro sempre.

Para novos investidores encontrar tantas opções de títulos no mercado pode parecer uma tarefa difícil. Mas investir é muito mais fácil do que você imagina. E é isso o que você vai descobrir na sequência.

O que é um título de renda fixa?

Título de Renda Fixa

Um título de renda fixa é uma aplicação com as seguintes características:

  • Principal – o montante investido;
  • Juros – a taxa de remuneração (prefixada, pós-fixada ou atrelada a um índice);
  • Vencimento – por quanto tempo o dinheiro ficará investido.

Sua tributação é em função do prazo:

  • 22,50% para valores (juros e principal) creditados em 6 meses;
  • 20,00% para valores (juros e principal) creditados entre 6 e 12 meses;
  • 17,50% para valores (juros e principal) creditados entre 12 e 18 meses;
  • 15,00% para valores (juros e principal) creditados após 24 meses;

Transações com títulos, realizadas em um período inferior a 30 dias, sofrem ainda a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que segue uma tabela regressiva própria.

Conhecer o seu emissor é fundamental, visto que ele pode ser tanto um agente público (governo) como privado (empresas e bancos).

Título público

Investir em um título público nada mais é do que emprestar dinheiro para o governo financiar atividades como saúde e educação. Como garantia para o pagamento do empréstimo, ele conta com os impostos e as taxas que arrecada, além dos dividendos das estatais.

É por isso que o título público é considerado o investimento mais seguro do mercado.

Adquiri-lo não é difícil. Basta entrar na plataforma do Tesouro Direto e escolher em função de:

  • Vencimento – prazo;
  • Taxa de rendimento (% ao ano) – é a taxa de juros;
  • Valor mínimo – 1% do valor do título, valor mínimo para investir;
  • Preço unitário – quando custa adquirir cada título.

Em relação à rentabilidade, cada título tem a sua própria forma de remuneração:

  • Tesouro IPCA+ - remunera pela taxa oficial de inflação, além de uma taxa de juros adicional (exemplo típico de um papel híbrido);
  • Tesouro Prefixado – os juros (nominais) são indicados no momento da aplicação;
  • Tesouro Selic – remuneração pós-fixada, conforme taxa definida pelo Banco Central (BC).

Caso não seja possível comprar um título inteiro, pode-se estipular mensalmente um valor para cobrir o valor mínimo e selecionar a data para a opção de aplicação automática junto à corretora.

Título privado

O título privado, por oferecer um retorno maior que o título público, é mais arriscado. Isso se deve ao fato de depender, entre outras coisas, da saúde financeira da empresa ou instituição financeira que o emite.

Portanto, para quem o adquire, é importante conhecer a dinâmica do setor e quão experiente é a sua gestão.

Os elementos que identificam um título privado são parecidos com o título público, contendo algumas informações a mais:

  • Emissor - a empresa ou banco que está emitindo o papel;
  • Preço – o valor necessário para a compra de um título:
  • Juros – a remuneração prometida ao investidor:
    • Fixa - taxa nominal prefixada;
    • Variável - segue o CDI para os papéis pós-fixados ou um índice de preço (IPCA) acrescido de uma remuneração para os papéis híbridos.
  • Vencimento – prazo para a devolução do montante investido;
  • Rating – nota que indica a capacidade de pagamento do emissor.

Os títulos privados mais comuns do mercado de capitais, emitidos por empresas, são:

  • Debêntures – financiam os projetos de investimentos das empresas ou reestruturam o perfil de suas dívidas;
  • Debêntures de infraestrutura - semelhantes às debêntures, servem para os projetos de longo prazo; ou seja, os de infraestrutura portuária, rodoviária, de energia elétrica, entre outros;
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) – direcionados às operações de empresas de construção civil, seja diretamente na construção ou no financiamento em si;
  • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) – semelhantes ao item anterior, financiam os agentes de qualquer parte da cadeia do agronegócio.

Sendo papéis com liquidez menor e mais sujeitos a grandes oscilações de preços, o investidor deve dar preferência para empresas que já acessam o mercado de títulos com frequência como também para as grandes emissões.

Excluindo-se as debêntures, todas as demais opções oferecem isenção de imposto de renda para a pessoa física.

No caso dos títulos bancários, temos:

  • Certificado de Depósito Bancário (CDB) – aplicação tradicional e bastante conhecida do público investidor;
  • Letra Financeira - é a “debênture dos bancos”;
  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI) - semelhante ao CRI;
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) - semelhante ao CRA;
  • Letra de Câmbio (LC)– papéis de emissão das financeiras, que viabilizam o consumo a prazo.

Por serem de responsabilidade das instituições financeiras, são amparados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com exceção da Letra Financeira.


Qual título de renda fixa escolher?

Qual título de renda fixa escolher?

O seu projeto de vida é que define qual o melhor título. Isso porque cada objetivo de curto, médio e longo prazo implica necessariamente em dois elementos:

  • Custo: o quanto que você vai precisar para realizá-lo;
  • Tempo: o prazo para alcançá-lo, dado o valor necessário e a sua disponibilidade financeira.

Seguindo a ordem da meta mais recente para a mais distante, vamos analisar qual título seria mais adequado para cada caso.

Reserva para emergências

É o dinheiro que precisa ser acessado a qualquer momento. A escolha recai sobre o Tesouro Selic 2025, título público bastante conservador, com remuneração pela Selic, e facilmente vendido no mercado.

Férias

Se elas estiverem programadas para ocorrer em até um ano e meio, o exemplo anterior também é aplicável, podendo ainda ser substituído por um CDB pós-fixado de mesmo prazo, atentando sempre para a alíquota de imposto de renda (IR).

Uma ressalva é feita para os períodos sabáticos no exterior. Por envolverem moedas estrangeiras, títulos de renda fixa não são os mais adequados.

Educação

São os cursos previstos para no máximo 5 anos.

As opções são maiores, podendo ser:

  • Título público prefixado (Tesouro Prefixado 2022) ou, caso seja mais conservador, um título público híbrido atualizado pela inflação (Tesouro IPCA+ 2024);
  • Qualquer título privado pós-fixado com vencimento em 5 anos ou isento de imposto de renda como os CRIs/LCIs e os CRAs/LCAs.

Para a formação dos filhos, todos os títulos híbridos são aplicáveis, tanto os públicos como os privados, pois garantem o poder de compra ao longo do tempo. O que vai definir a escolha é a:

  • Qualidade do emissor;
  • Taxa oferecida;
  • Preferência pela garantia do FGC (presente apenas nos títulos bancários);
  • Tributação (isenção de IR ou não).

Mobilidade

Financiamentos de 60 meses ou planos de consórcio de prazo similar podem ser substituídos por uma compra planejada. Os valores mensais a serem investidos são bastante acessíveis pois não incluem as taxas e os impostos cobrados nas operações de crédito. Suas aplicações incluiriam:

  • Títulos públicos: híbridos como o Tesouro IPCA+ 2024 ou pós-fixados como o Tesouro Selic 2025;
  • Títulos privados: híbridos como as debêntures de infraestrutura ou pós-fixados, como os bancários.

Moradia própria

A casa própria é o maior ativo que as famílias possuem. Dado que poucos podem pagá-la à vista, o recomendado, financeiramente falando, é dar a maior entrada possível.

Um título público híbrido (Tesouro IPCA+ 2024 ou de vencimento maior) ou qualquer debênture de infraestrutura, que possui prazos mais longos além da isenção de imposto, são as opções mais adequadas.

Aposentadoria

Você pode bancar a sua própria aposentadoria, desde que atente para essas 2 etapas:

  1. Formação da reserva – o hábito da aplicação mensal, onde incidirão os juros;
  2. Retirada mensal ou periódica – momento em que a reserva passa a ser consumida como renda.

Para a reserva, quanto mais longo o prazo em que os recursos permanecerem aplicados, melhor. Assim, o título a ser escolhido precisa:

  • Ter qualidade;
  • Manter o poder de compra;
  • Remunerar a taxas atrativas.

Não havendo a necessidade de receber o dinheiro até a data da aposentadoria, você pode ainda descartar os papéis que pagam juros intermediários, evitando assim qualquer tributação ao longo do caminho.

Para prazos muito extensos, o mercado só oferece títulos públicos (Tesouro IPCA+ 2035 e Tesouro IPCA+ 2045), o que não impede que sejam complementados por títulos privados de qualquer natureza.

Isso vai fazer a diferença na hora de usufruir a aposentadoria: a combinação de papéis públicos e privados, que pagam juros em meses diferentes, garante um fluxo de receitas durante todo o ano. Isso obviamente dependerá dos títulos escolhidos, mas é possível usar um exemplo a título de ilustração:

  • 50% do patrimônio aplicado em papéis Tesouro IPCA+ com vencimento em anos pares (finais 2, 4, 6, etc) – o pagamento de juros semestrais ocorre em fevereiro e agosto;
  • 50% restantes aplicados em papéis Tesouro IPCA+ com vencimento em anos ímpares (finais 1,3, 5, etc) – o pagamento de juros ocorre em maio e novembro.

Seguindo o cronograma, o investidor tem a sua renda depositada a cada 3 meses.

Conclusão

Seus objetivos e metas definem os títulos de renda fixa mais adequados e não o contrário. Enquanto todos estão tentando vender a “melhor aplicação”, seja por blog, “live” ou vídeo, ninguém está vendo o que o principal interessado (você) realmente quer.

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Sobre o autor

  • Nohad Harati
  • Possui MBA em Finanças e LLM em Direito do Mercado Financeiro (ambos pelo Insper/SP). É gestora de uma carteira proprietária, além de ser responsável por um Family Office.

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