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Com a movimentação frenética dos últimos meses, e até mesmo dias, parece clara a tentativa de empresas do varejo em se reposicionar no mercado. Isso significa crescer, promover fusões e sinergias e se preparar para uma briga de gente grande. O segmento vem vivendo dias estressantes e de rápidas decisões.

Parece cada vez mais claro que uma empresa não pode se sentir confortável ao dominar apenas o seu "quadrado". Um dos casos mais emblemáticos foi o de Magazine Luiza que se diversificou em várias frentes, apostou no online e vinha trabalhando fortemente para virar um "super app".

magazine luiza
A Magazine Luiza foi a primeira a se movimentar no varejo para diversificar e reforçar as vendas online. Foto (Divulgação)

O movimento da Arezzo, que fez oferta agressiva pela Hering, mostra o interesse da calçadista em migrar para as confecções - e não em um negócio especializado, como a Reserva (que já adquiriu), mas com uma grande marca. Ofereceu R$ 3 bilhões à Hering, que considerou a oferta baixa. Nesta segunda-feira, 26, Hering e Grupo Soma anunciam uma fusão que deve envolver algo acima de R$ 5 bilhões.

Ao mesmo tempo, a Renner contratou bancos para uma oferta de ações para arrecadar até R$ 6,5 bilhões. O alvo seria o e-commerce Dafiti - que é forte na internet, meio no qual a todo-poderosa Renner ainda engatinha.

"É um movimento simples. Agora, ou a empresa vai ser a consolidadora ou vai ser consolidada", define Marcos Gouvêa de Souza, fundador da consultoria em varejo Gouvêa. Para o presidente do banco americano Morgan Stanley no País, Alessandro Zema, a tendência é que as empresas busquem no mercado negócios para reforçar setores em que ainda não são fortes, e não a busca de escala em áreas que já dominam. O raciocínio se encaixa tanto no caso de Arezzo e Hering quanto na aproximação de Renner e Dafiti.

Mas não só. Na semana passada, a Lojas Americanas colocou para dentro de casa a Uni.co, dona de marcas como Puket (moda) e Imaginarium (decoração). Ainda em 2019, o Magazine Luiza comprou a Netshoes em uma disputa acirrada com a Centauro - e fincou bandeira nas áreas de moda e esportes.

Tendo o Magalu como exemplo a ser seguido, um grupo de empresas se movimenta para dominar um mundo multicanal e multissetorial - para não acabarem engolidas por quem teve coragem de partir para o ataque primeiro. "A diferença do Magalu para as outras é que há muito tempo ela não é uma empresa de eletrodomésticos", diz um executivo de banco.

Hering recusou a oferta da Arezzo, mas fechou acordo de fusão com Grupo Soma envolvendo mais de R$ 5 bilhões - Foto (Divulgação)

O desafio também envolve acrescentar tecnologia a negócios de varejo. "A guinada para a tecnologia está ocorrendo em todos os setores, com adequação ao e-commerce e ao delivery", diz Diogo Aragão, responsável pela área de fusões e aquisições do Bank of America. "As empresas podem decidir entre comprar ou construir, mas, por vezes, é mais vantajoso para a empresa comprar."

E adquirir um negócio já pronto economiza algo que as empresas hoje não têm: tempo. "Há percepção de que a agenda digital precisa ganhar velocidade no pós-pandemia", diz Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese. "Um negócio isolado é mais vulnerável a ser comprado por um ecossistema, como o do Magalu."

Quem é emergente no varejo

Se em tese toda empresa quer crescer e se tornar o próximo Magalu ou Amazon, o que determina quais são nomes "emergentes" nesse movimento? Em duas palavras: resultado e credibilidade. Três nomes aparecem com força. A Arezzo está com o caixa cheio para ir às compras; a Renner, que há anos entrega resultados, tem cacife para captar bilhões para aquisições. Já Americanas é uma gigante que está integrando digital e lojas físicas, antiga demanda de investidores./Agência Estado

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