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TRIG11: conheça o ETF de small caps

Proposta é alinhada às pequenas empresas do mercado acionário doméstico

Data de publicação:30/11/2022 às 05:00 -
Atualizado 2 meses atrás
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Dentro do universo da bolsa de valores, nós temos várias estratégias para investir em ações. Ainda assim, geralmente elas acabam se dividindo principalmente entre a seleção de empresas mais conservadoras (pagadoras de dividendos) e outras mais agressivas, focando em crescimento. Se você se enquadra no segundo grupo, um produto que pode te interessar é o ETF TRIG11.

Esse ETF tem uma proposta alinhada às pequenas empresas, as small caps, do nosso mercado acionário. Hoje, nós vamos entender melhor como funciona esse produto e se ele faz sentido para a sua carteira de investimentos.

small caps

O que é o TRIG11?

O TRIG11 é um ETF (Exchange Traded Fund), representando que ele é um fundo de índice (isto é, ele replica uma carteira teórica, permitindo assim que o investidor tenha uma performance próxima daquele indicador) negociado em bolsa de valores. A taxa de administração cobrada é de 0,6% ao ano, próxima a outros fundos passivos.

TRIG11, na prática, é o código de negociação do ETF Trígono Teva Ações Micro/Small Cap Fundo de Índice. O produto tem por objetivo, como o próprio nome sugere, replicar o desempenho da carteira do Índice Teva Ações Micro Caps.

Esse índice é formado por uma parceria entre a Teva e a Trígono Capital, uma gestora de investimentos que possui, entre outros fatores, um fundo de ações voltada para o mercado de micro e small caps. O entendimento é que a principal referência da categoria, o índice SMLL, acaba agrupando empresas de maior porte que, na verdade, já são midcaps.

Ou seja, ao investir nas pequenas companhias por meio do TRIG11 você estaria, de fato, comprando empresas de porte menor e com ótimo potencial de crescimento. Já pelo SMLL, muitos negócios já mais consolidados podem prejudicar a performance positiva — casos de BRMALLS, Gerdau, Locaweb, entre outras.

Qual é a composição do TRIG11?

O portfólio do TRIG11, como vimos anteriormente, vai seguir a proposta do Índice Teva Ações Micro Caps cuja metodologia consiste em selecionar de forma mais específicas as menores companhias da bolsa de valores que, segundo a estratégia, possuem consequentemente um maior potencial de crescimento.

Dessa forma, o filtro do índice utilizado pelo TRIG11 leva em consideração alguns critérios específicos como, por exemplo:

  • Valor de mercado máximo de 5% da capitalização total da bolsa de valores;
  • Liquidez mensal de ao menos R$50 milhões e presença em todos os pregões;
  • Free float (ações em circulação) de pelo menos 20% do total da empresa;
  • Sem processos de recuperação judicial;
  • Exclusão de empresas de segmentos como tabaco e armamentos (filtro ESG).

E em termos práticos? Quais são os tipos de empresas e os respectivos pesos dentro do TRIG11? Em novembro de 2022, esses eram os principais ativos do ETF:

  • Yduqs (YDUQ3): 4,19%
  • Petz (PETZ3):3,62%
  • Boa Vista (BOAS3): 3,41%
  • IRB Brasil (IRBR3): 2,74%
  • Qualicorp (QUAL3): 2,49%
  • Banco Banrisul (BRSR6): 2,46%
  • JHSF (JHSF3): 2,31%
  • Ferbasa (FESA4): 2,22%
  • OdontoPrev (ODPV3): 2,20%
  • Eztec (EZTC3): 2,16%

Note, portanto, que o TRIG11 é um produto bem diversificado. Nenhum dos seus ativos tem uma representação maior do que 5% do patrimônio — o que pode ser positivo para quem busca investir em micro ou small caps, mas tem receio de alguma delas ter uma performance muito ruim.

Qual é a vantagem de investir no TRIG11?

A principal vantagem de investir em um ETF de small caps, como é o TRIG11, está na diversificação. Como vimos anteriormente, com um único investimento você tem acesso a uma carteira completa de ativos com bom potencial de crescimento.

Outro benefício é que o índice utilizado pelo produto é desenvolvido com uma metodologia própria, fugindo um pouco da versão tradicional do SMLL11 e trazendo uma abordagem específica para o mercado de empresas menores da bolsa. Isso sem falar na gestora, a Trígono, que é especializada nesse segmento.

Também podemos destacar que as empresas do portfólio do TRIG11 são, em geral, menos conhecidas pelo mercado e pelos analistas. Até mesmo os fundos de investimentos tendem a olhar menos na medida em que a liquidez é reduzida. Esse cenário é positivo para os nossos investimentos, pois aumenta a chance de assimetria.

Com uma gestora atuante, como a Trígono, é possível colher informações interessantes sobre o futuro dessas companhias e aproveitar um ciclo de crescimento dos resultados — algo que tende a se refletir no preço dos ativos.

E quais são as desvantagens do TRIG11?

Já em relação aos riscos, o TRIG11 pode apresentar dois pontos negativos. O primeiro deles é comum a outros ETFs: a falta de controle sobre a carteira. Um fundo passivo é muito diversificado e, neste pacote, conta com ativos de ótimo potencial, mas também empresas que são ruins. E o investidor não tem qualquer tipo de controle sobre elas.

Além disso, o perfil do TRIG11 exclui empresas mais renomadas e consistentes. Em um período de recessão, a tendência é de que as baixas sejam maiores do que os principais índices de ações, como o Ibovespa — embora, diga-se, também haja uma chance de maiores lucros em momentos positivos do mercado financeiro.

Qual é a rentabilidade do TRIG11?

Esse último ponto que comentamos no parágrafo anterior fica mais claro quando colocamos frente a frente o TRIG11 com o Ibovespa (que talvez não seja o benchmark ideal já que temos o SMLL, mas também é pertinente).

Vamos então analisar o desempenho do TRIG11 desde o seu lançamento, realizado em novembro de 2021. Abaixo você tem um gráfico comparando os resultados acumulados do ETF em relação ao Ibovespa, que é o nosso principal índice acionário. Você pode conferir outros indicadores desse fundo na nossa ferramenta de comparação de ativos.

Gráfico de rentabilidade Trig11 - Fonte: Mais Retorno

Como podemos perceber no gráfico, fica clara uma forte correlação com o Ibovespa, mas com maior intensidade. Os crescimentos do TRIG11 são maiores do que o nosso principal índice de ações, mas as quedas também se mostram mais acentuadas. O lançamento pegou um período não tão bom da bolsa, o que prejudicou um pouco sua rentabilidade.

De qualquer forma, é mais uma opção de investimento em empresas de menor porte, que oferecem um potencial de crescimento interessante. Antes de investir, lembre-se de avaliar o seu perfil de investidor e se essa proposta faz sentido para a sua estratégia.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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