Última modificação em 19 de abril de 2021

O que é imunização clássica?

A imunização clássica é uma estratégia que garante que uma mudança nas taxas de juros não afetará o valor total de uma carteira. Da mesma maneira, pode ser utilizada para garantir que o valor dos ativos de um fundo de pensão ou de uma empresa aumentará ou diminuirá exatamente no valor oposto de seus passivos. Dessa forma, o valor do excedente permanece inalterado — independentemente das mudanças nos juros.

A imunização clássica pode ser realizada por vários métodos, como a volatilidade, duração correspondente, correspondente de fluxo de caixa e pela convexidade correspondente. Além disso, também pode ser negociada a termos de títulos — sejam eles futuros ou de opções.

Uma curiosidade sobre a imunização clássica é que ela foi descoberta de forma independente por vários pesquisadores entre as décadas de 1940 e 1950. Na época, todo esse trabalho foi amplamente ignorado antes de ser totalmente reintroduzido no início dos anos 1970, quando se tornou bastante popular.

Como a imunização clássica funciona?

Na prática, a imunização clássica pode ser feita em uma carteira de um único tipo de ativo — como os títulos do governo — e, dessa forma, cria posições tanto curtas quanto longas no decorrer da curva de rendimentos. Geralmente, é possível imunizar uma carteira contra os fatores de risco mais prevalentes.

Com o conhecimento gerado pela prática desse tipo de estratégia, uma carteira imunizada pode ser formada ao criar posições longas com durações nas pontas — longa e curta — da curva. Da mesma forma, é possível criar uma posição curta combinada com uma duração no meio da curva. Todas essas posições protegem o investidor e o investimento contra deslocamentos paralelos e mudanças de inclinação em troca dessa exposição às mudanças de curvatura.

Qual é a importância e os riscos da imunização clássica?

Quando bem executada, a imunização clássica pode oferecer retornos fantásticos aos investidores. Ela não é, todavia, isenta de riscos. Essa estratégia exige que os investidores calculem e cronometrem os passivos futuros — o que nem sempre é preciso ou mesmo fácil de ser feito.

A imunização clássica também supõe que, quando as taxas de juros mudam, a mudança acontece no mesmo valor para todos os tipos de vencimentos de títulos, o que pode ser chamado de mudança paralela na curva de juros. É preciso pontuar que isso raramente acontece no mundo real e, automaticamente, faz com que a correspondência por duração seja mais difícil. Com isso, a estratégia não consegue garantir o retorno esperado quando as taxas de juros mudam.

Uma forma de controlar esses riscos é investir apenas em títulos de cupom zero com vencimentos que sejam correspondentes ao horizonte de tempo do investidor. As carteiras que oferecem alto risco de imunização, por outro lado, incluem títulos de alto cupom que vencem em intervalos regularmente espaçados ao longo do horizonte de tempo da própria carteira — o que é chamado de escada.

Quais são as maiores dificuldades da imunização clássica?

A imunização clássica, se possível e completa, pode proteger contra a incompatibilidade dos prazos, mas não contra outros tipos de riscos financeiros, como a inadimplência do tomador — ou emissor do título. Nessa estratégia, também pode ser difícil encontrar ativos com estruturas de fluxo de caixa que sejam adequadas e necessárias para garantir um determinado nível de volatilidade geral dos ativos — para que, assim, consiga ter uma correspondência adequada com os passivos.

Uma vez que haja uma mudança na taxa de juros, por menor que seja, toda a carteira precisará ser reestruturada para que seja possível imunizá-la novamente. Esse processo de reestruturação contínua nas carteiras torna a imunização uma tarefa que pode sair cara — e tediosa.

Termo do dia

Peter Hansen

Quem é Peter Hansen? Peter Hansen é o nome de um famoso economista e professor estadunidense. Nascido em 1952 no estado de IIIinois, Hansen cresceu em meio…