Última modificação em 11 de maio de 2021

O que é FLIRB?

FLIRB é uma abreviação no mercado financeiro para Front Loaded Interest Reduction Bond. Em Português, podemos traduzir para "Bônus de Redução Temporária de Juros".

Esse foi o nome dado a um título de renda fixa emitido para reestruturação da dívida externa brasileira que, em dado momento, enfrentava problemas para honrar seus compromissos.

Em conjunto com outros países, o Brasil esteve integrado ao Plano Brady, que foi justamente um acordo global com o objetivo de auxiliar na recuperação econômica dessas nações que enfrentavam uma crise econômica severa.

No artigo de hoje, vamos explicar para você o funcionamento histórico do FLIRB e como ele contribuiu para que o Brasil superasse alguns dos seus principais desafios econômicos — como o controle da dívida externa.

Qual é a relação do FLIRB com o Plano Brady?

É normal que um país tome dívida no mercado para financiar suas próprias atividades. No entanto, quando os valores contraídos em pagamento superam a sua arrecadação, temos um cenário em que se torna inviável o pagamento dos títulos na data de vencimento.

É o que vemos atualmente na Argentina e é algo que já aconteceu no Brasil no passado. Foi justamente nesse ambiente que surgiu a ideia do Plano Brady: um projeto de reestruturação econômica para países endividados.

Para isso, os Estados Unidos participavam como intermediários do processo. Não por acaso, o nome desse plano foi uma homenagem a Nicholas Brady, então secretário do Tesouro estadunidense. Um dos títulos emitidos na reestruturação da dívida brasileira foi justamente o FLIRB.

Como funcionava o FLIRB?

O grande segredo do Plano Brady na reestruturação financeira de países endividados estava na possibilidade de emitir os títulos de dívida externa como se fossem títulos estadunidenses. Isso representava uma oportunidade de redução nas taxas de juros pela participação de um país desenvolvido — no caso, os Estados Unidos.

Entre esses títulos de dívidas utilizados na reestruturação da dívida brasileira estava o FLIRB (Front Loaded Interest Reduction Bond). Lançado em 1994, o papel tinha seu vencimento apenas em 2009.

Neste período, houve um prazo de carência até o ano de 2003. A partir do final do prazo de carência estabelecido, o FLIRB passou a remunerar os seus investidores com valores semestrais. O período iniciou concedeu fôlego financeiro ao governo brasileiro, permitindo a reestruturação da dívida externa.

Esse modelo de título de dívida apresentava ainda algumas características importantes como, por exemplo, uma alta liquidez. Como havia maior índice de negociação do papel, tornava mais fácil a captação de recursos.

Qual foi a importância do FLIRB?

A emissão do FLIRB (Front Loaded Interest Reduction Bond) foi essencial para permitir que o Brasil deixasse o cenário de grave crise econômica e reestruturasse a sua dívida. E, neste contexto, houve um papel fundamental dos Estados Unidos.

Em primeiro lugar, isso se deve a um fator já destacado: a possibilidade de trabalhar com baixas taxas de juros — algo que, emitido diretamente pelo Brasil, não seria possível. Além disso, a participação brasileira no Plano Brady obrigou o governo a assumir algumas obrigações adicionais como a flexibilização das exportações ou então a redução das taxas cambiais.

A verdade é que essa contribuição dos Estados Unidos não veio de graça. Houve uma contrapartida para atender alguns dos seus interesses econômicos, em especial para o desenvolvimento do país em direção a um ambiente econômico mais liberal.

De qualquer forma, o FLIRB desempenhou um papel importante nessa recuperação econômica tanto de vista do pagamento da dívida, como também do controle inflacionário e da melhoria da balança comercial. Foi, portanto, uma ferramenta essencial para o cenário de maior estabilidade econômica que vivemos ao longo dos últimos anos.

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