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Termos começando com "F"

  • FAANG: saiba o que é e como funciona

    O que é o FAANG? É chamado de FAANG o grupo de empresas formado por Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google - cinco companhias que dominam o mercado da tecnologia e são tidas como representantes de, não somente um novo cenário econômico, como também nas relações de consumo e no comportamento social globalizado. Obviamente, a influência que cada uma dessas empresas possui, seja oferecendo entretenimento, eletroeletrônica ou soluções no varejo, garante a elas uma valiosa base de clientes. Esse fato, aliado à perspectiva de fortalecimento e expansão da dependência à tecnologia por parte da população, atrai a atenção ao FAANG. Ao longo das últimas 2 décadas, todas as companhias passaram por uma abertura de capital, aumentando continuamente o seu valor de mercado até chegar a níveis trilionários (como é o caso da Apple e da Amazon, por exemplo). Além de seu papel representativo no mercado de ações, o FAANG também é reconhecido como referência em seus respectivos modelos de negócios. A inovação e a excelência em seus processos internos, elaboração de produtos, relacionamento com o cliente e valorização da cultura organizacional são estudados e replicados em diversas redes acadêmicas e companhias ao redor do mundo. Quais são as empresas que compõem o FAANG? Ao começar o dia, o indivíduo verifica a hora em seu iPhone. Atrasado, decide checar rapidamente no Google a previsão do tempo para escolher uma roupa adequada e, já com o celular em mãos, procrastina um pouco no Facebook, Instagram ou Whatsapp. Para sermos sinceros, às vezes nos três, seguindo um ciclo quase automático. Ao voltar para casa, após o trabalho, percebe que precisa de um novo eletrodoméstico para a cozinha e procura pelas opções disponíveis no Google, caindo por sua vez, numa das ofertas da Amazon. Decidido a descansar e relaxar um pouco, ele clica na sua série favorita do momento na Netflix. Talvez a sua rotina não seja exatamente a desse exemplo, mas temos certeza de que você fez alguma dessas coisas hoje: Acessou o Facebook, rolou o Feed do Instagram ou respondeu algumas mensagens (da sua mãe, do seu chefe ou do seu melhor amigo) no WhatsApp; Acessou a internet através do seu iPhone, iPad… Procurou por um nova compra na Amazon ou leu algo no Kindle; Assistiu a um filme ou uma série na Netflix (ou pensou no que assistirá assim que encontrar tempo livre); Realizou uma pesquisa no Google (aliás, talvez tenha sido através da ferramenta de busca que você tenha encontrado este artigo). Como sabemos disso? Bom, porque esse é um comportamento mundial. Qualquer um que tenha acesso a internet inevitavelmente se depara com algum desses produtos. E é justamente essa onipresença tecnológica do FAANG que permitiu, inclusive, que a sigla fosse criada. Essas empresas são tidas como representantes da nova ordem econômica mundial e extremamente eficientes na fidelização. Diferentemente dos bens físicos, elas possuem uma vida útil quase infinita: você não “compra” o Facebook uma única vez e o vê se depreciar com o uso - pelo contrário, você poderia passar horas do seu dia consumindo conteúdo e ainda haveria mais a se consumir (sendo que é justamente com esse acesso contínuo que a empresa lucra). Mesmo aquelas que comercializam produtos físicos, como a Amazon e a Apple, se especializaram na diversificação e no oferecimento de serviços e experiências que mantenham o cliente fidelizado e entretido. Como veremos a seguir, nada disso é por acaso. Na verdade, parte de estratégias bem aplicadas interna e externamente. Como as empresas componentes do FAANG prosperaram? Como já te contamos lá na primeira seção, todas as companhias da FAANG são empresas de capital aberto. Com exceção da Apple, todas as outras não distribuem dividendos e ainda possuem um crescimento expressivo ao longo dos anos no valor das ações, negociadas diretamente na Bolsa de Valores de Nova Iorque e no Brasil através dos BDRs. Como isso é possível? A verdade é que o FAANG partilha de algumas características organizacionais que fazem com que os seus investidores enxerguem as ações como excelentes ativos de valorização a médio e longo prazo. São eles: Culturas organizacionais alinhadas ao produto comercializado; Equipes fortes, formadas pelos melhores profissionais de cada área; Atenção obsessiva à experiência do cliente; Capacidade de antecipar tendências, desenvolvendo previamente tecnologia suficiente para dominar novos mercados.

    26/02/2022
  • Fatores de Produção: que são, como funcionam e para que servem

    O que são os fatores de produção? São chamados de fatores de produção o conjunto de elementos considerados indispensáveis para a produção dos produtos e serviços. É a partir da reunião de todos os fatores que se cria o que conhecemos como cadeia produtiva, visto que sem eles é impossível se entregar qualquer bem. Os fatores de produção são compostos, segundo o conceito inicial, por três itens: o capital, a terra e o trabalho. Cada um deles possui as suas características particulares, mas entende-se que compartilhem entre si três atributos principais: a adaptabilidade, a complementaridade e a substituibilidade. Cada uma delas coopera para que os fatores de produção figurem como um elemento central dentro da teoria econômica. Isso porque são considerados o centro das próprias relações de consumo. E conforme elas avançam, surgem defensores da extensão do termo fatores de produção para contemplar elementos como a própria tecnologia da qual já dispomos no século XXI. Como funcionam os fatores de produção? Como já te contamos, os fatores de produção são compostos por três elementos principais: o capital, a terra e o trabalho. A Terra Nessa categoria estão contidos todos os recursos naturais utilizados no processo produtivo: do solo arado na agricultura ao algodão da indústria têxtil, passando pela água contida no refrigerante e pela eletricidade que movimenta o maquinário. Todo e qualquer meio proveniente da natureza e aplicado na produção é atualmente considerado dentro do grupo “Terra”. O Capital A definição mais básica da aplicação do capital na cadeia produtiva é como um bem usado para produzir outros bens. Portanto, não somente o dinheiro é considerado como “Capital”. O parafuso que compõe o carro, a máquina que mistura os ingredientes na indústria alimentícia, o prédio onde a fábrica está abrigada, o veículo que transporta as cargas ou ara a terra no campo… Todos são exemplos de Capital, quando o assunto são fatores de produção. O Trabalho Dedicado inteiramente à atividade humana, o “Trabalho” congrega todos os tipos de esforço (físico ou mental) que o ser humano emprega para produzir. Desde o gerente que passa longas horas a pensar em estratégias para o seu setor até o trabalho braçal que opera máquinas, todas as pessoas economicamente ativas, ao desempenharem as suas funções estão se transformando em um fator de produção. Para que servem os fatores de produção? Como podemos perceber, cada um dos fatores possui as suas particularidades. Mas você sabia que eles também partilham características em comum? Segundo a teoria econômica, elas são: a adaptabilidade, a complementaridade, a escassez e a substituibilidade. Veja: Adaptabilidade Também chamada de versatilidade, essa é a característica dos produtos que podem ser multifuncionais. Esse é o caso, por exemplo, da água (fator “Terra”). Com a água, é possível realizar o preparo de um alimento, a confecção de uma embalagem e a limpeza de produtos. Tudo dependendo, portanto, da conveniência do produtor. Complementaridade Como o próprio nome indica, a complementaridade representa a capacidade dos fatores de se tornarem interdependentes em uma determinada função - para que um seja empregado, é necessária a presença do outro. E não há forma mais simples de explicar o conceito do que a utilizada por Chaplin em Tempos Modernos. No filme, os funcionários (fator “Trabalho”) são utilizados como operadores do maquinário (fator “Capital”) de uma empresa: sem o trabalhador, a máquina não cumpria a sua função; sem a máquina, entretanto, não havia sequer função para o trabalhador. Escassez Seguindo na onda cinematográfica, se há algo com o que a Disney nos presenteou no estudo dos fatores de produção é o filme Wall-e. Nele, os seres humanos deixam a Terra depois de terem esgotado todos os recursos naturais disponíveis. Mas se engana quem pensa que, no processo produtivo, apenas o que vem da natureza é finito. Na verdade, todos os fatores possuem um limite de uso, um ponto de escassez. Assim como a água não é a infinita, o número de cidadãos economicamente ativos não o é - imagine então o capital, que é apenas um bem e depende também dos outros fatores para ser fabricado. Substituibilidade Ao se falar da substituibilidade, muito se cita o papel da tecnologia na substituição do trabalho humano na cadeia produtiva. E esse é mesmo o melhor exemplo, presente de forma corriqueira no nosso dia a dia, para indicar essa capacidade que os fatores possuem de serem substituídos por outros (mesmo que apenas de forma parcial).

    21/02/2022
  • Faturamento: o que é e como funciona?

    O que é Faturamento? Quando uma empresa registra uma venda ou a prestação de um serviço, isso significa que ela está registrando um faturamento. Ou seja, quando a empresa vende um produto ou serviço, deve registrar essa venda realizar a emissão da nota fiscal ao final desse processo. Logo, o faturamento nada mais é do que a soma de todas as vendas (tanto de produtos quanto de serviços) que uma empresa faz dentro de um determinado período. O faturamento também pode ser conhecido como Invoice no exterior. Além disso, vale reforçar que o faturamento em si é o valor bruto das vendas, sem levar em consideração dedução de eventuais impostos a atividade da empresa possa ter. Como funciona o Faturamento? Ao registrar uma venda, tanto de produto quanto de serviço, a empresa deve realizar a emissão de uma nota fiscal de saída. Nota fiscal de saída se refere ao registro fiscal de uma saída de produtos ou serviços. Pois bem, com essa emissão, haverá várias informações referentes à operação na nota fiscal, desde o valor da venda, até os impostos sobre a operação, além da quantidade de produtos vendidos, e as suas especificações. Pronto! Com todos esses dados registrados, a contabilidade poderá fazer a emissão das notas e lançar esses valores em várias declarações que exigem o reconhecimento dessas informações. Um exemplo de declaração é o Sped Fiscal. Até a emissão de impostos para órgãos das esferas municipais, estaduais e federais exigem o reconhecimento dessas notas. Por fim, esses dados ainda serão lançados em relatórios gerenciais como o Balancete, Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Através desses relatórios, o interessado poderá conciliar esses valores referentes ao faturamento junto à conta Receita Bruta. A empresa também pode utilizar o faturamento líquido, mas para isso precisará deduzir todos os impostos que incidem sobre as vendas do faturamento bruto. Utilização do Faturamento O faturamento tem uma serventia enorme para aqueles que possuem interesse sobre a operação da firma e, logicamente, para seus gestores. Com o número do faturamento é possível realizar as mais diferentes formas de análise sobre a operação de uma empresa. Por meio do faturamento é possível identificar indicadores fundamentais como a margem líquida, margem bruta, a margem EBIT, além de muitos outros múltiplos referentes à operação. A margem nada mais é do que o reconhecimento de quanto do faturamento realmente sobra (ou faltam, em caso de margem negativa) para a empresa. Em um DRE, após o lançamento do faturamento, haverá a dedução de impostos, despesas, custos, a inclusão dos resultados financeiros e, por fim, é chegado ao resultado. Ou seja, a empresa poderá ver quantos reais sobram da sua atividade, partindo do seu faturamento. Por exemplo, na margem líquida a empresa encontra a porcentagem do faturamento que sobra como resultado líquido. Já a margem bruta, envolve os valores referentes à Receita Bruta (faturamento) em relação a Receita Líquida.

    10/02/2022
  • Feed-in tariff

    O que é Feed-in tariff? Feed-in tariff (FIT) significa tarifa de incentivo feed-in e se trata de um benefício financeiro para que se utilize mais fontes de energia renováveis, em vez das não renováveis. Esse subsídio foi originado nos EUA, na década de 70, no contexto da crise do petróleo. Como a política gerou bons resultados, ela foi replicada por outros países, como Alemanha, Japão e China. Acredita-se que 3/4 da energia solar, no mundo, está vinculada à feed-in tariff. Como funciona a feed-in tariff? As fontes de energia renovável, normalmente, são caras e oferecem mais riscos aos produtores. Por isso, foi criada a feed-in tariff , para que os produtores possam vender essa energia renovável a um bom custo-benefício. Assim, os contratos são de longo prazo — na faixa de 10 a 20 anos — e a custo de produção. Mas que produtores podem receber esse incentivo? Veja alguns exemplos: proprietários de imóveis, no geral;proprietários de empresas;fazendeiros;investidores privados. No Brasil, os procedimentos para receber esse incentivo ainda são um pouco imaturos. Ainda não foi feito um aperfeiçoamento dessa política, se restringindo apenas aos mercados de energia a biomassa, energia eólicas e pequenas hidrelétricas. O que é diferente do acontece em outros países, como na Alemanha, onde já se reduziu em 50% o custo de instalação dos painéis fotovoltaicos em um intervalo de cinco anos. Qual a relação entre a feed-in tariff e o net metering? O net metering é um sistema que funciona como se fosse um pré-requisito para acessar a tarifa de incentivo feed-in. O net funciona sob a lógica de compensação de energia elétrica, ou seja, os produtores instalam painéis solares ou turbinas eólicas, por exemplo, e a energia produzida por meio deles é descontada do consumo tradicional, da rede hidrelétrica. Quanto mais energia produzida, pela via renovável, maior o desconto na fatura da conta de luz do mês seguinte. A partir do momento que essa produção de energia limpa se torna bem maior que a convencional, o feed-in tariff fica elegível, pois assim o produtor pode comercializar essa energia produzida e vendê-la a baixo custo. Em resumo: o net metering está envolvido com descontos no consumo de energia, como recompensa, já o feed-in tariff é uma ajuda na comercialização dessa energia. Sendo que existe essa provável necessidade de comercialização justamente pelo excedente gerado pelos descontos. Com o tempo, espera-se que, à medida que a política funcione, a demanda pela energia renovável aumente e o custo diminua. Mesmo com o feed-in tariff, o que limita o desenvolvimento da energia renovável no Brasil? A matriz energética brasileira, felizmente, já é composta em quase 50% de energia renovável. Junto com a energia eólica, a energia solar é a que mais participa dessa geração. De 2018 a 2021, o crescimento desse tipo de energia foi de 200% — na modalidade centralizada, com grandes usinas — e de 2000%, nas pequenas centrais de geração. É válido reconhecer que esses avanços tornaram o nosso país o líder em energia limpa entre os Brics, mas ainda há barreiras a serem derrubadas, como: falta de incentivos tributários: ainda há muitas restrições para a obtenção de isenção do ICMS;poucas opções de financiamento: segundo uma pesquisa de 2018, da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), aproximadamente 75% das empresas entrevistadas relataram problemas com financiamento;ambiente macroeconômico: o Brasil costuma ter taxas altas de juros, o que causa insegurança ao consumidor para a realização de empréstimo pessoal e investimentos. Dito isso, mesmo com o feed-in tariff e os avanços existentes na geração de energia limpa, o Brasil ainda carece de iniciativas fiscais e financeiras que auxiliem essa mudança de paradigma.

    06/10/2021
  • Falibilidade

    O que é falibilidade? O conceito de falibilidade diz respeito, no contexto da economia, ao índice de falência de empresas. Em outras palavras, ele permite acompanhar o desempenho dos negócios no nosso país. A palavra "falibilidade" tem origem na falha. No mundo dos negócios, falhar em uma empresa significa levá-la à falência. Isto é, gerar um prejuízo que comprometa todo o caixa da companhia e não permita que ela continue com suas atividades operacionais. No entanto, cabe a ressalva de que esse não é um contexto exclusivo do universo econômico. A falibilidade pode ser aplicada a outros tipos de processos também, como é o caso do processo jurídico, por exemplo. Independente do contexto em que a falibilidade esteja inserida, contudo, o objetivo costuma ser o mesmo: identificar o índice de erros dentro da execução e acompanhar a evolução do indicador. Como calcular o índice de falibilidade das empresas? Apesar de ser um indicador relevante dentro da sociedade brasileira, não é difícil monitorar o índice de falibilidade. Ele é encontrado com uma divisão simples entre o total de negócios que fecharam suas portas diante do total de negócios abertos no país. Portanto, em resumo, o cálculo da falibilidade pode ser realizado com a seguinte fórmula: Índice de Falibilidade = Negócios encerrados / Total de negócios abertos Imagine que, por exemplo, cem mil empresas tenham sido abertas no Brasil nos últimos cinco anos. Neste mesmo período, dois mil negócios foram à falência e tiveram que encerrar suas atividades. Utilizando da fórmula apresentada anteriormente, percebemos que o índice de falibilidade desse cenário hipotético seria de 2%. Veja você mesmo o racional: Índice de Falibilidade = 2.000 / 100.000 = 0,02 = 2,0% Embora seja mais comum a aplicabilidade desse cálculo no contexto empresarial, ele pode ser replicado para qualquer tipo de processo — inclusive em outras áreas. Um médico de UTI, por exemplo, pode dividir o número de vidas perdidas pelo total de pacientes recebidos. Como está o índice de falibilidade no Brasil? O número de falências de micro e pequenas empresas no Brasil sempre foi elevado. E essa é uma das grandes preocupações sobre o índice de falibilidade no nosso país. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 70% das empresas não ultrapassam a marca de dez anos de existência. Mais do que isso, o mesmo estudo apontou que aproximadamente 20% dos negócios abertos do Brasil não chegam ao segundo ano de atividade. Os dados convergem para pesquisa do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que apresenta números preocupantes para a taxa de mortalidade dos negócios brasileiros, algo que piorou durante a pandemia. Tão preocupante quanto os números frios é a evolução desse índice de mortalidade. Não há, nos últimos anos, uma perspectiva de evolução desse cenário. Portanto, o índice de falibilidade de negócios no Brasil continua elevado. Por que a falibilidade de empresas é alta no Brasil? Existem inúmeros motivos pelos quais os negócios possuem uma curta expectativa de vida no Brasil. A começar pelo despreparado. Muitos empreendedores de primeira viagem não se preocupam em realizar um plano de negócios aprofundado, avaliando com calma os riscos para o seu projeto. Uma das consequências desse cenário é que não há um capital de giro fortalecido para aguentar os meses de dificuldade. Com pouco caixa, a mortalidade acaba sendo um caminho natural, infelizmente. Além disso, o Brasil é um país com alta carga tributária. O empresário paga muito imposto e essas despesas financeiras dificultam a sobrevivência dos seus negócios. Há, portanto, um desafio adicional do nosso cenário econômico.

    01/09/2021
  • FCF (Fluxo de Caixa de Financiamento)

    O que é FCF? FCF é uma abreviação para Fluxo de Caixa de Financiamento. Trata-se, em resumo, de uma das mais importantes ferramentas de gestão financeira que uma empresa possui para controlar seus custos. O conceito, claro, deriva de outra ferramenta extremamente relevante que é o Demonstrativo de Fluxo de Caixa — modelo utilizado para controle de entradas e saídas de capital em relação ao caixa da companhia. Ao longo do texto, vamos perceber que o FCF nada mais é do que uma adaptação desse modelo para as atividades de financiamento da empresa, algo que se torna necessário em diversos momentos. Como funciona o FCF? A aplicação do Fluxo de Caixa de Financiamento é relativamente simples. A ferramenta deve registrar todas as entradas e saídas de caixa que tiverem alguma relação com atividades financeiras de financiamento ou empréstimos. Neste ponto, vale lembrar que o uso de capital de terceiros pode ser necessário em diversos momentos da história de uma empresa. Eles servem para levantar recursos em momentos adversos ou mesmo para permitir investimentos que acelerem o crescimento organizacional que não seria possível apenas com os capitais dos sócios. Ao mesmo tempo, esse tipo de operação financeira traz consigo um custo mensurado por meio da cobrança de juros. E esse tipo de atividade exige um acompanhamento próximo para não impactar demais a saúde das finanças do negócio. Portanto, em resumo, um empréstimo ou um financiamento podem tanto gerar capital para a empresa, representando uma entrada de caixa, como exigir o pagamento da dívida ao longo do tempo, representando uma saída de caixa. Quais os tipos de lançamentos do FCF? Apesar de ser mais comum o uso de empréstimos no controle do Fluxo de Caixa de Financiamento, vale observar que esse não é o único tipo de operação que gera algum tipo de impacto para o caixa de uma companhia. Outro caso em que há o uso dessa ferramenta para controle de caixa são as operações realizadas na bolsa de valores. É o caso, por exemplo, de uma recompra de ações. Neste caso, a empresa julga que seus papéis são negociados a um preço atrativo, podendo realizar a aquisição desses ativos. O valor utilizado para a compra é lançado como saída de caixa no FCF. O pagamento de dividendos ou de Juros Sobre o Capital Próprio é outra situação na qual há lançamento na linha de Fluxo de Caixa de Financiamento. Os proventos aos acionistas, afinal, representam uma saída de caixa. E eles só possuem o recebimento desses valores porque, anteriormente, investiram na empresa e realizaram o papel de financiadores do negócio. Aqui, falamos de operações que representam saída de caixa relacionado ao financiamento das atividades de uma empresa. No entanto, também há como ocorrer uma entrada de capital nesses moldes. É o caso, por exemplo, da abertura de capital por meio de um IPO (Oferta Pública Inicial) ou então de um follow-on (novos lançamentos de ações após a realização do seu IPO). Qual é a importância de um FCF? Assim como acontece com outros demonstrativos financeiros, o Fluxo de Caixa de Financiamento possui grande relevância para os investidores. Essa ferramenta, afinal, permite o acompanhamento de uma empresa em relação à saúde financeira do negócio. Para os gestores da companhia, o FCF é responsável por oferecer organização sobre todas as entradas e saídas de capital envolvendo as atividades de financiamento. Desta forma, é possível monitorar e analisar como o caixa vem sendo utilizado de maneira adequada. Por fim, assim como qualquer indicador, é fundamental esclarecer que não se deve tomar uma decisão de investimento baseado em apenas uma métrica. Portanto, o FCF é uma ferramenta de apoio, mas não deve ser a única forma de analisar uma companhia.

    19/08/2021
  • Farm-in

    O que é farm-in? O termo farm-in designa a atividade regida por um acordo entre as partes no que concerne à exploração de um determinado território, geralmente envolvendo companhias de óleo de gás e de mineração. Uma companhia de exploração (o farmee) adquire os direitos de concessão e exploração por parte de uma companhia de uma área da qual o proprietário (o farmor) abre mão, ao todo ou em parte, em troca de royalties. A operação conjunta do Farmor e do Farmee deverá alavancar os dispêndios de capital para ambas as partes. Nesse contexto, a mais valia do Farmee é disponibilizar dinheiro e tecnologia para agilizar o desenvolvimento dos campos de óleo e gás. Como ocorre esse tipo de negociação? Imagine que a Empresa Brasileira de Petróleo (Petrobrás) adquira blocos de exploração nos países vizinhos, tendo posse de 8 deles na Bolívia, por exemplo, sendo operadora de 6 deles. No caso de a petroleira negociar a participação em seus blocos de explicação naquele país, constitui-se uma operação denominada farm-out. Em contrapartida, a empresa que obter a compra de uma das áreas da Petrobrás realizará o processo de “farm-in'', uma vez que os dois procedimentos ocorrem simultaneamente. A comercialização acontece devido aos percalços ou mudança de estratégia por que passa a empresa arrendadora, que conclui valer mais a pena transferir parte da licença de exploração a uma outra empresa especializada na área do que correr riscos de prejuízo. A empresa arrendatária, por sua vez, projetando cenários e analisando as alternativas, conclui, portanto, ser propício o momento de adquirir os direitos de exploração. Como funciona o farm-in? As formas que os farm-ins assumem variam bastante devido às necessidades e motivações de ambas as partes que podem ser diversas, dependendo de cada caso. Um exemplo comum de farm-in envolve o titular de uma área (o proprietário), que celebra contrato com uma companhia de exploração de acordo com o qual a companhia aceita realizar e/ou financiar atividades de exploração ou mineração na área. Os fundos a serem investidos ou empreendidos em atividades geralmente são obrigatórios durante um período de tempo fixo (período de ganho), com pisos e limites negociados para custos ou despesas relevantes. Quais as vantagens do processo de farm-in? A companhia exploradora é geralmente compensada com a provisão de direitos relacionados ao território que será explorado e seu potencial de ganho e de renda. Por exemplo, depois de a companhia cumprir com as suas obrigações, o proprietário pode transferir-lhe o título legal e benéfico a um percentual acordado de participação no território para a companhia. Em alguns contratos, isso é feito progressivamente, conforme o direito for merecido; em outros, no final do período de ganhos. Além disso, em vez de concordarem com um longo período de ganho no início, as partes concordarão com um período de ganho inicial seguido de opção para um período de ganho subsequente no qual a companhia arrendatária pode ganhar uma porcentagem maior de participação no território. Quais são os riscos do farm-in? Alguns contratos incluem pontos específicos de revisão do progresso de qualquer exploração. Se necessário, as partes concordam em abandonar um projeto para limitar as perdas. Caso a companhia exploradora opte por se retirar do farm-in, antes do final do período de ganho, então pode ocorrer de não receber os juros sobre o território e não ter direito de recuperação contra o proprietário. Independentemente do motivo, o farm-in é um modelo de negócios e oportunidades de entrada e adequação operacional na rotina do setor de uma companhia. É uma excelente chance de se inserir no mercado de óleo, de gás e de mineração e, assim, aumentar a operação mesmo em momentos de baixa, acreditando sempre na recuperação.

    05/08/2021
  • Fiagro

    O que é Fiagro? Fiagro significa Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, criado com o objetivo de permitir que investidor pessoa física ou jurídica, inclusive estrangeiros, pudesse investir no agronegócio. Ao investir no Fiagro, os seus recursos são geralmente destinados aos investimentos em imóveis da zona rural, além de outros setores do setor agroindustrial — algo inspirado nos fundos de investimento imobiliários (FII). Quais as características do Fiagro? Não é novidade que o agronegócio sempre compôs a maior parte da economia brasileira, mas isso foi validado ainda mais com a pandemia do coronavírus, em 2020, quando ele foi o único setor que cresceu nesse período crítico — em 26,6%. Mas, para que um investidor, que tem poupado os seus recursos por anos, pudesse entrar nesse mercado, ele teria que adquirir um terreno, enfrentar a informalidade, estudar a área etc. A outra opção era comprar CRI e CRA (Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio).  Por isso que, da mesma forma que os investidores em FII não se preocupam com imobiliárias, reparos em imóveis e locações, quem investir no Fiagro também poderá ter esses benefícios ao atuar no agro business. Assim, a criação do Fiagro, pela Lei nº 14.130/2021, uniu a necessidade de crédito do setor para continuar a sua expansão junto ao aumento de investidores pessoas físicas na B3.  Imóveis rurais, participação em sociedades, títulos de crédito e cotas de FII são exemplos de aplicações do fundo e, em relação à tributação, a princípio, a alíquota é de 20% no Imposto de Renda de pessoa física. Como investir no Fiagro? Até o momento, o fundo mais característico do Fiagro é o Riza Terrax (RZTR11), já que os outros fundos estão mais relacionados à logística do agro e outras atividades relacionadas.  O RZTR11 é um FII híbrido, que investe em terras produtivas, legais e em normalidade com as regulamentações ambientais das regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.  Suas estratégias são de Sale & LeaseBack, Buy to Lease e Land Equity, com retorno de 9,5 a 10,5% a.a. Lembrando que: Sale & LeaseBack: é a venda (sale) da propriedade seguida da sua locação (leaseback) pelo ex-proprietário;Buy to Lease: é a compra do terreno para a sua posterior locação para um terceiro;Land Equity: não é tão popular no Brasil, mas é um crédito não-monetário concedido a um proprietário de uma terra caso ele decida contribuir com o terreno como patrimônio, em vez de vendê-lo em dinheiro ao comprador. O IPO do Riza Terrax se deu em outubro de 2020 e, desde então, ele tem pago dividendos regularmente (entre R$ 0,75 a 0,80) para os seus investidores. Quais os possíveis riscos nos investimentos com o Fiagro? Uma peculiaridade ao investir no agronegócio é a influência do arrendamento rural. Trata-se de um contrato no qual uma pessoa cede à outra o uso do imóvel para a exploração agrícola mediante uma retribuição ou aluguel — independente dos resultados. Para simplificar: o gestor do fundo, basicamente, compra terras, considerando muitos fatores, como microclimas, produtores próximos etc. Mas, além disso, se ele fecha um contrato de R$ 1000 por hectare, mesmo com uma colheita negativa, esse valor deverá ser pago. Adicionalmente, esses contratos de arrendamento normalmente são de longo prazo — em torno de 10 anos. Então existe a influência de oscilações de CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e outras taxas afetando também a lucratividade do investimento.  Por isso, é importante considerar todos esses riscos. Porém, o mais relevante do Fiagro continua sendo a democratização do agronegócio, em que, qualquer investidor, com apenas R$ 100, pode incrementar o seu patrimônio com um pedaço de terra.

    04/08/2021
  • Fato contábil

    O que é fato contábil? Um fato contábil — ou fato administrativo — é qualquer transação financeira de uma empresa, que ocorra com, pelo menos, duas contas e que afetem o patrimônio. Exemplos: compra, venda, pagamento, recebimento etc. É relevante saber o que é fato contábil porque na rotina de uma empresa há diversas operações que envolvem dinheiro, mas nem todas afetam o patrimônio líquido (PL). Para o investidor, é particularmente interessante que o PL da empresa na qual investe esteja equilibrado, já que ele demonstra o que realmente é de posse dos acionistas. Para que serve o fato contábil nos investimentos? O papel principal do fato contábil, nos investimentos, é deixar ainda mais claro as informações das organizações para os investidores. Em 2019, por exemplo, a Petrobras, junto com nove outras empresas, levou o Troféu Transparência do ano. O prêmio é dado para empresas de capital aberto que tenham: qualidade nas informações dadas nas demonstrações financeiras e notas explicativas;transparência dos dados;consistência nos relatórios e aderência aos princípios da Contabilidade.  Além disso, a diretora financeira da estatal dá preferência pela apresentação dos fatos contábeis logo no início das demonstrações financeiras, junto com comentários qualitativos sobre os principais ativos e passivos. Mas de nada adianta a empresa ter um documento altamente bem elaborado se o investidor não souber interpretá-lo, não é mesmo? Fato contábil: quais os principais tipos? Cada tipo de fato contábil promove um impacto diferente no patrimônio financeiro da empresa. Veja como ele pode ser classificado: Permutativos, qualitativos ou compensativos Não alteram o valor do PL, são puramente qualitativos. Isso quer dizer que essas transações mudam o peso dos ativos e passivos, sem gerar diferenças no saldo final. São chamados de compensativos porque um lado compensa o outro. Por exemplo: aquisição de um veículo de R$ 30 mil. Ocorre um aumento no ativo (débito), com a creditação dos R$ 30 mil. O mesmo funciona com financiamentos a prazo e outros. Modificativos ou quantitativos Alteram o PL, mas apenas em quantidade, não em qualidade. São subdivididos em aumentativo ou diminutivo: Aumentativo ou positivo Aumentam o ativo e/ou reduzem o passivo. Por exemplo: recebimento de receita de aluguel, com um crédito de R$ 5 mil.  Diminutivo ou negativo Provocam a redução do ativo e/ou aumento do passivo. Exemplo: pagamento de despesas com salários, isto é, saída de caixa. Mistos ou compostos São fatos permutativos e modificativos, ao mesmo tempo. Também sofrem uma subdivisão: Diminutivo Permuta com diminuição do patrimônio líquido, como o que ocorre com o recebimento de duplicatas no valor de R$ 10 mil com desconto de 10%. Aumentativo Ocorre a permuta e, ao mesmo tempo, um aumento da situação líquida. Pode ocorrer com o recebimento de duplicatas, como no exemplo anterior, mas com juros de 10%.  Destaca-se que, sempre que um fato contábil envolver pelo menos 2 contas, ele será necessariamente um fato misto ou composto. Isso porque, normalmente, há bancos, clientes e fornecedores envolvidos. O que acontece se um fato contábil não alterar o PL? As diferenças entre os tipos de fatos contábeis são bem sutis, então pode acontecer de o patrimônio líquido não ser afetado. Nesse caso, a denominação correta é ato contábil, não fato contábil. Os atos contábeis, também chamados de atos administrativos, são eventos que mantêm o PL constante — não afetando nem seu tamanho e nem sua composição. Alguns exemplos: garantias;consignações;custódias;cobranças de títulos de terceiros. Ainda existe um terceiro caso, que é o fato contábil que não envolve receitas ou despesas, mas altera o PL. São as reservas de capital, classificadas como fatos mistos, e a integralização de capital social, considerada fato modificativo ou misto aumentativo.

    20/07/2021
  • Fator de Cálculo de Indenização

    O que é fator de cálculo de indenização? O fator de cálculo de indenização é um método utilizado para encontrar o valor a ser pago por uma seguradora para o seu cliente em caso de alguma eventualidade contratada. Na prática, esse é um valor que será aplicado pelo valor total segurado, de modo a encontrar a quantidade de dinheiro que um segurado poderá receber. Esse fator de cálculo deve estar explícito no ato da contratação do seguro para maior transparência entre as partes. Importante lembrar que a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) não estabelece uma norma padrão para esse tipo de cálculo. É claro que as empresas são fiscalizadas e devem respeitar protocolos, mas há liberdade de selecionar entre alguns métodos para encontrar os valores da prestação do serviço. Outro ponto a mencionar é que existem diferentes modalidades de seguros. Desta forma, o ambiente e a metodologia de cálculo podem variar de acordo com a categoria contratada — como, por exemplo, seguro de saúde, de automóvel ou de vida. Como o fator de cálculo de indenização funciona? Se não há uma única maneira de realizar o cálculo de indenização, a SUSEP também não deixa a metodologia totalmente aberta às vontades das empresas seguradoras. Portanto, existem duas formas principais pelas quais as companhias podem estabelecer os valores para o pagamento de indenização aos seus clientes. A primeira delas é usar de um fator de cálculo de indenização fixo. Em outros casos, ele pode ser variáveis de acordo com uma tabela estabelecida previamente com o cliente. Importante reforçar que essa opção variável não permite que a seguradora altere as condições do seguro a qualquer momento após a contratação, algo que poderia prejudicar o seu segurado. Outro ponto que influencia no cálculo de uma indenização é o valor do bem segurado. Quanto mais valioso, mais cara será a contratação do seguro e também a indenização a ser paga pela seguradora caso o sinistro seja acionado. Por fim, vale lembrar que o cálculo do prêmio de uma seguradora ainda embute algumas taxas além do valor do bem e do fator de cálculo de indenização. É o caso de uma taxa de prêmio de risco, despesas administrativas e até mesmo uma taxa de segurança, para o caso de que o cálculo de indenização não tenha sido feito com precisão. Qual é a importância do fator de cálculo de indenização? O fator de cálculo de indenização tem uma grande importância no contexto da contratação de um plano de seguro. Em primeiro lugar, ele transmite transparência entre as partes. A fórmula do cálculo da indenização deve ser contemplada em contrato de modo que o cliente possa saber com antecedência a metodologia da empresa contratada. Ademais, é também uma forma da própria seguradora encontrar valores que sejam adequados para o serviço prestado. Tenha em mente que a empresa não pode assumir riscos maiores do que os eventuais custos com indenização, pois isso traria um problema grave para o caixa do negócio. Há também uma preocupação em termos de governança. Como fator de cálculo de indenização aplicado, a seguradora deixa claro como ela pratica seus valores no mercado de seguros. E essa é uma medida relevante como maneira de proteger contra a fiscalização da SUSEP, que é bastante rigorosa com as companhias do setor. Lembrando que, caso você opte pela contratação de um seguro, deve ler bem o contrato e todas as cláusulas, em especial aquelas que informam sobre as obrigações do segurado, assim como o fator de cálculo de indenização aplicável. É bem comum que os clientes ignorem esta etapa na contratação e depois venham a enfrentar problemas na hora de solicitar o seu prêmio em uma eventualidade.

    18/06/2021