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Seguradoras surfam em juros altos, e BB Seguridade é destaque na bolsa

Volume de caixa elevado remunerado a juros altos aumentam os resultados financeiros

Data de publicação:05/07/2022 às 05:00 -
Atualizado um mês atrás
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As companhias seguradoras também se beneficiam, ao lado de bancos, do ciclo de alta dos juros. Com o volume de caixa elevado, a rentabilidade dos recursos aplicados com indexação ao CDI tem seguido a escalada da Selic, que saiu de 2% ao ano, em março de 2021, para 13,25%, o nível atual.

A BB Seguridade (BBSE3) é a que registra melhor retorno no ano, com uma rentabilidade de 31,46%, até 1º de julho. Período em que o Ibovespa está atolado no vermelho, com queda acumulada de 4,78%.

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Fonte: Comparador de Ativos da Mais Retorno

“A BB vem performando bem com os juros altos impactando positivamente o resultado da seguradora”, comenta Romero de Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos.

As demais seguradoras com ações negociadas na B3, como Caixa Seguridade (CXSE3), Porto Seguro (PSSA3) e Sul América (SULA11), não acompanham o desempenho da BB Seguradora. Até pela diversidade dos segmentos de seguro em que atuam, segundo especialistas.

Aplicação do caixa traz bons resultados

De forma geral, concordam, os juros em alta beneficiam as empresas do setor de seguros. Há resultados que equilibram receitas operacionais com as financeiras.  “Caso da BB Seguridade, que combina resultados financeiros, obtidos pela aplicação do caixa, com os operacionais, da própria atividade”, analisa Henrique Tavares, analista CNPI, da DV Invest.

Algumas companhias do setor chegam a ter resultado financeiro maior que o operacional, destaca. “A receita financeira da BB Seguridade cresceu mais de 300% desde março de 2021”, diz Tavares, quando a Selic começou a escalada.

Vitorio Galindo, analista de investimentos CNPI e head de análise fundamentalista da Quantzed, não compartilha da ideia de que os juros altos estejam lançando os holofotes para as ações dessas companhias. “Mercado e investidores estão olhando mais para as seguradoras, porque os demais setores estão apáticos, apagados.”

De fato, o setor é um dos poucos bem capitalizados que, com o caixa recheado, acenam com boa rentabilidade e baixo risco. “Como trabalham com caixa relevante, para o pagamento de sinistros, os recursos acabam sendo remunerados até com juro maior que a média”, diz Galindo.

Por esse potencial de remuneração maior, “faz sentido que, pelos resultados, o setor seja olhado com mais atenção, mas isso não significa que o resultado operacional seja maior”, diz Galindo. 

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Por lei, seguradoras são obrigadas a manter parte do capital em aplicações com menos riscos para indenizações

Pagamento de sinistros

As seguradoras são obrigadas, pela legislação, a manter certo volume de capital protegido. Dinheiro em aplicações consideradas seguras, remuneradas pelo CDI, para bancar indenizações em sinistros.

Tavares diz que as companhias do setor são “empresas de valor”, boas pagadoras de dividendos, dotadas de estrutura financeira sólida, “com risco menor até mesmo que a do mercado de forma geral”.

Para Romero de Oliveira, da Valor Investimentos, “o risco depende muito de como a companhia seguradora administra o controle para ter um nível de sinistralidade saudável”. O ponto, segundo ele, é “casar bem o passivo (a indenização a ser paga) com o que se recebe como prêmio (os pagamentos de clientes)”.

Como exemplo, Oliveira diz que os seguros mais focados em sinistralidades relacionadas a bens materiais, como veículos, cobram prêmios maiores enquanto um seguro de vida tem vencimento mais longo, portanto custo de prêmio menor.

Segmento de atuação define nível de risco das seguradoras

Os especialistas afirmam que fora o risco específico de cada operadora, que depende do segmento a que cada carteira está exposta (a Porto Seguro tem bastante exposição a veículos, a Sul América à saúde), há também o risco macroeconômico no caminho das seguradoras. 

A dificuldade para o segmento, para os especialistas, estaria na busca de um equilíbrio estável entre o resultado financeiro e o operacional. Uma melhora macroeconômica, com aumento de renda e emprego, tenderia a levar a um interesse maior pela contratação de seguro.

Um ambiente que não combinaria com ganho financeiro do atual ciclo de juros, já que essa virada de cenário levaria, como contrapartida, a uma trajetória de queda de juros.

O setor de seguridade, de todo modo, estaria em posição mais confortável que o de bancos, outro segmento que costuma beneficiar-se dos juros altos. O setor bancário assume o risco de crédito e neste momento, de acordo com especialistas, assiste a um aumento de índices de inadimplência, risco que as seguradoras acabam minimizando.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.