Economia

Saiba como ficam os investimentos com a Selic de 4,25% ao ano

Rendimento da renda fixa melhora, mas não consegue repor perdas para a inflação

Data de publicação:17/06/2021 às 08:00 - Atualizado 6 meses atrás
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A elevação da taxa básica de juros, a Selic, para 4,25% ao ano, confirmando a expectativa da maioria dos analistas, melhora ligeiramente o rendimento nominal de investimentos remunerados por taxas de juro que têm como referência a Selic. Mas não o suficiente, ainda, para assegurar ganho real, acima da inflação, ao investidor.

Permanecem com rendimento transitando no terreno negativo, apesar de nova alta da Selic, todas as modalidades tradicionais de renda fixa, como CDB, poupança, Tesouro Selic, fundo DI, LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito Agrícola), dentre outras.

Em uma simulação de investimento de R$ 1.000 pelo período de um ano remunerado pela nova Selic nenhum deles conseguiria ganhar da inflação. Todos amargariam rendimento negativo, o que significa que quem deixa o dinheiro ancorado nesses investimentos perderia poder de compra.

Nessa simulação, considerando o rendimento líquido, a caderneta fica praticamente empatada com o fundo DI. A poupança rende 70% da Selic, mas é isenta de imposto de renda, enquanto o fundo DI, com carteira formada por títulos que remuneram com a Selic integral, recolhe imposto.

O Tesouro Selic, cujo rendimento anda colado na taxa básica, teria desempenho ligeiramente superior à caderneta. Dentre as letras de crédito, que são isentas de imposto, LCI e LCA levariam relativa vantagem sobre a poupança, o Tesouro Selic e os fundos DI. Ponto comum, no entanto, é que todos não conseguiriam ganhar da inflação. 

Remuneração negativa para os investimentos

Especialistas dizem que pelas estimativas de inflação e juros o cenário de remuneração negativa para esses investimentos tende a persistir ainda por algum tempo. Pelo menos nos próximos meses.

A expectativa de analistas e economistas consultados pelo Banco Central para o boletim Focus é que a Selic, que passa por um ciclo de alta, chegue ao fim de 2021 no nível de 6,25% ao ano – algumas projeções correntes no mercado já apontam para 6,50%. O IPCA estimado no Focus para o ano está pouco atrás, em 5,82%, mas a inflação oficial acumula elevação de 8,06% nos últimos 12 meses, até maio.

Não obstante a temporada de elevação da Selic, não está fácil ganhar da inflação na renda fixa. A menos que o investidor contrate uma aplicação que remunere com correção monetária, uma blindagem de proteção contra a inflação, e ofereça um ganho adicional na forma de juro real.

Uma dessas opções de investimentos é o Tesouro IPCA, um título da dívida pública que o investidor pessoa física compra pela internet na plataforma do Tesouro Direto. É um papel que rende juro real prefixado, que se conhece na hora da compra, e correção monetária pela variação do IPCA. Camila Dolle, analista de Renda Fixa da XP, diz que a recomendação da equipe de analistas da corretora para junho é o Tesouro IPCA 2026.

Alta esperada da Selic não deve tirar o investidor da bolsa, que segue com seus atrativos

Nova Selic sem impacto na bolsa

Especialistas avaliam que a nova elevação da Selic está longe de tirar o interesse do investidor pela bolsa de valores. Por dois motivos. Primeiro porque, embora em alta, os juros ainda não estão suficientemente interessantes para atrair o investidor para a renda fixa.

O mercado de ações continuará como opção de diversificação de carteira, de acordo com analistas, principalmente em um momento que cresce o otimismo com a perspectiva de recuperação da atividade econômica, com o possível avanço do programa de vacinação contra o coronavírus.

De todo modo, a sinalização do Fed (Federal Reserve, banco central americano) de aumento dos juros nos EUA até o fim de 2023 e a declaração de Jerome Powell, presidente do Fed, ontem, de que a inflação nos EUA pode ser mais persistente do que o esperado, criou ruído momtâneo nos mercados. O efeito da surpresa com o Fed, antes do anúncio da decisão do Copom, foi a queda da bolsa e alta do dólar.

Dólar reage à perspectiva de alta dos juros nos EUA

O dólar também reagiu à sinalização de que o Fed poderá antecipar a alta dos juros. Para Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, a surpresa com o Fed continuará pesando sobe o mercado de dólar. Analistas entendem que os investidores devem passar a acompanhar com mais atenção a trajetória dos juros dos Treasuries, títulos de dez anos do Tesouro americano, que poderiam antecipar-se à alta sinalizada pelo Fed.

A alta de juro de juros nos EUA, principalmente nos Treasuries, é quase sempre um fator de pressão sobre o dólar pelo mundo, inclusive no mercado doméstico, porque a rentabilidade mais atraente da renda fixa americana passa a atrair capitais dos mercados globais para aplicação nos EUA. A saída de dólares pressiona a moeda local para baixo.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.
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