Economia

Acredite, mas a notícia de que a lira turca recuou perto dos 17% perante o dólar nesta segunda-feira, 22, por conta da remoção do presidente do Banco Central do país, impacta no mercado financeiro aqui no Brasil.

No âmbito doméstico, eles já foram sentidos logo cedo. Juntando com os demais fatores que hoje influenciam o cenário, como o anúncio do BC na semana passada sobre a taxa de juros, a movimentação da política monetária dos Estados Unidos, essa desvalorização lá na Turquia contribui para a alta do dólar, que terminou a manhã cotado a R$ 5,53, alta de 0,87% em relação ao real. Já o Ibovespa, ás 13h46, estava no campo negativo, a 113,996 mil pontos, queda de 1,91%.

Dólar foi comportado em sua reação à notícia da Turquia, diz Mauro Orefice, do BS2

Segundo analistas, a reação do mercado financeiro no Brasil é pontual e, de certa forma, contida. Para Mauro Orefice, diretor da BS2 Asset, o dólar obteve uma alta moderada, assim como a Bolsa não obteve uma queda tão expressiva nesta segunda-feira como impacto dessa notícia. "Houve pouco estresse nesse sentido. O impacto maior foi na elevação da taxa de juros longo".

Setores mais impactados com essa decisão

Júnior Raymundo, diretor da Wagner Investimentos, acredita que esse movimento feito pelo presidente da Turquia não será motivo de deterioração do real no Brasil. "O dólar deve transitar em um range entre R$ 5,40 e 5,50 nos próximos dias. Esse evento não mudará a direção da economia brasileira".

Mauro Morelli, gestor da Davos, reforça que essa mudança não impacta com tanta força os papeis de empresas que não exportam produtos para mercados emergentes e também aquelas que têm receita em dólar.

Segundo os analistas, os exemplos de setores menos prejudicados são as siderúrgicas e as voltadas para o mercado de papel e celulose.

Andrei Spacov, economista-chefe da Exploritas Investimentos, ressalta que seu escritório está apostando há algum tempo em uma carteira de investimentos mais defensiva, o que hoje ajuda a manter os investimentos protegidos em dias como hoje, influenciados por uma notícia que pegou o mercado de surpresa. "Optamos por exportadoras, mineradoras, empresas agrícolas e de utilities (energia elétrica, por exemplo), que acabam sendo um pouco mais blindadas dos efeitos desse tipo de movimentação".

Quanto deve durar esses efeitos no mercado financeiro brasileiro?

Morelli destaca que o prazo de duração dos efeitos dessa decisão nos mercados emergentes deve ser curto. “A menos que continuem vindo más notícias da Turquia ou de outros países emergentes, a aversão não será duradoura”.

Além disso, o analista faz um lembrete à classe política do Brasil sobre o que pode acontecer quando se mexe com certas instituições nacionais do mercado financeiro, como consequência de medidas populistas.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destaca que nesta semana a agenda econômica do mundo tem acontecimentos importantes que acabam reduzindo os holofotes desse tema no mercado, como a divulgação da ata de reunião do Copom, do índice IPCA-15, o avanço da vacinação pelo mundo, entre outros fatores.

O que aconteceu na Turquia?

O movimento de troca de comando no BC na Turquia veio após um aumento de 200 pontos-base na mais recente decisão de política monetária do país, superior ao consenso de elevação em 100 pontos, e levou as taxas de juros do país em 19%.

Erdogan destituiu o então presidente do Banco Central, Naci Agbal. Sahap Kavcioglu foi nomeado como o novo chefe da autoridade monetária local. Desde 2019, é a terceira vez que o titular do cargo é destituído por Erdogan.

Kavcioglu se apresenta nas redes sociais como deputado pelo Partido da Justiça de Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), o mesmo do presidente Erdogan. Além disso, mantém uma coluna de economia no jornal Yeni Safak. / com Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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