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Economia

Produção industrial sobe 0,3% em março, mas saldo é ainda negativo no ano, diz IBGE

Com a alta de 0,7% em fevereiro, indústria cresce 1% em dois meses, mas janeiro houve queda de 2%

Data de publicação:03/05/2022 às 15:35 -
Atualizado 13 dias atrás
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A produção industrial subiu 0,3% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, divulgou na manhã desta terça-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro das expectativas dos analistas, que esperavam desde uma queda de 1,2% a alta de 1,1%, com mediana positiva de 0,2%.

Em relação a março de 2021, a produção industrial caiu 2,1%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de um recuo entre 5,3% e 0,4%, com mediana negativa de 2,8%. No acumulado do ano, que tem como base de comparação o mesmo período do ano anterior, a indústria teve uma queda de 4,5%. Em 12 meses, a produção acumula elevação de 1,8%.

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A produção industrial está ainda prejudicada em alguns setores pela falta de matéria-prima e insumos - Foto: Reprodução

Saldo é ainda negativo

A indústria brasileira mostrou melhora na produção nos últimos dois meses, embora insuficiente para recuperar todas as perdas recentes provocadas pelos problemas ainda persistentes pelo lado tanto da oferta quanto da demanda, avaliou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção industrial cresceu 0,3% em março, após uma expansão de 0,7% em fevereiro, acumulando no período um avanço de 1%. Em janeiro, porém, houve recuo de 2,0%, mostraram os dados da Pesquisa Industrial Mensal.

"Ainda temos setores industriais, plantas industriais, sentindo efeitos de desabastecimento de matérias-primas e insumos industriais", lembrou André Macedo, acrescentando ainda que o setor produtivo também é afetado pelo encarecimento dos custos de produção.

Pelo lado da demanda doméstica, ele menciona que a inflação pressionada permanece reduzindo o poder de compra das famílias, os juros em elevação seguem encarecendo o crédito e o mercado de trabalho, que mostra algum grau de melhora, ainda tem um contingente elevado de trabalhadores sem emprego, enquanto a massa de rendimento se mantém sem avanços.

"Embora tenha mudança de comportamento, o saldo negativo permanece na indústria", disse ele. "Tenho maior frequência de resultados positivos. Nos últimos cinco meses são quatro taxas positivas, apenas uma negativa. Mas o saldo ainda é negativo", afirmou.

O pesquisador aponta que o patamar de produção atual é semelhante ao de janeiro e fevereiro de 2009. "Isso ainda está longe de se traduzir numa reversão de todos aqueles saldos negativos que o setor industrial mostrou nos últimos tempos", explicou Macedo. "A indústria ainda 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia dá dimensão de tudo que ainda tem para recuperar", acrescentou.

Segundo Macedo, houve melhora em alguns segmentos de bens de capital e de bens intermediários, relacionados à produção de caminhões, ao setor extrativo (tanto minério de ferro quanto petróleo e gás), a outros produtos químicos, minerais não metálicos e metalurgia, entre outros. "Alguma parte relacionada a commodities, parte da construção, alguma parcela do setor de alimentos voltada às exportações", enumerou o pesquisador do IBGE.

Por outro lado, a fabricação de bens de consumo segue prejudicada por uma demanda doméstica reprimida, além de restrição de oferta de insumos, contou.

Entre as categorias de uso, a produção de bens de capital está 16,1% acima do nível de fevereiro de 2020, e a fabricação de bens intermediários está 1,9% acima do pré-covid. Os bens duráveis estão 23,1% abaixo do pré-pandemia, e os bens semiduráveis e não duráveis estão 8,5% aquém do patamar de fevereiro de 2020.

Produção de bens de capital sobe 8,0%

A produção da indústria de bens de capital subiu 8,0% em março. Na comparação com março de 2021, o indicador avançou 4,4%. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do IBGE. No acumulado em 12 meses, houve elevação de 20,9% na produção de bens de capital.

Em relação aos bens de consumo, a produção registrou queda de 2,5% na passagem de fevereiro para março. Na comparação com março de 2021, houve redução de 3,8%. No acumulado em 12 meses, a produção de bens de consumo encolheu 1,9%.

Na categoria de bens de consumo duráveis, a produção subiu 2,5% em março ante fevereiro. Em relação a março de 2021, houve queda de 12,8%. Em 12 meses, a produção caiu 2,9%.

Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve redução de 3,3% na produção em março ante fevereiro. Na comparação com março do ano anterior, a produção caiu 1,2%. A taxa em 12 meses ficou negativa em 1,7%.

Para os bens intermediários, o IBGE informou que a produção cresceu 0,6% em março ante fevereiro. Em relação a março do ano passado, houve uma queda de 2,2%. No acumulado em 12 meses, os bens intermediários tiveram alta de 1,3%.

O índice de Média Móvel Trimestral da indústria registrou queda de 0,4% em março.

Atividades

O avanço de 0,3% na produção industrial em março ante fevereiro foi resultado de uma expansão em 14 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE.

As principais influências positivas partiram de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,9%), outros produtos químicos (7,8%), bebidas (6,4%) e máquinas e equipamentos (4,9%). Outras contribuições relevantes partiram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (7,9%), couro, artigos para viagem e calçados (8,9%) e indústrias extrativas (0,9%).

"Este mês tem predominância de atividades no campo positivo", ressaltou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Na direção oposta, entre as atividades em queda, os destaques foram produtos alimentícios (-1,7%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-8,4%). Os recuos também foram significativos em produtos de metal (-3,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-4,9%).

Indústria opera 2,1% abaixo do pré-pandemia

A indústria brasileira chegou a março operando 2,1% aquém do patamar de fevereiro de 2020: apenas nove das 26 atividades investigadas se mantêm operando em nível superior ao pré-crise sanitária.

Em março de 2022, os níveis mais elevados em relação ao patamar de fevereiro de 2020 foram os registrados pelas atividades de produtos de fumo (18,1%), máquinas e equipamentos (16,5%), outros produtos químicos (8,1%), minerais não metálicos (5,3%) e produtos de madeira (4,9%).

No extremo oposto, os segmentos mais distantes do patamar de pré-pandemia são móveis (-27,9%), artigos de vestuário e acessórios (-20,9%), produtos têxteis (-14,3%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,2%) e couro e calçados (-13,8%).

Entre as categorias de uso, a produção de bens de capital está 16,1% acima do nível de fevereiro de 2020, e a fabricação de bens intermediários está 1,9% acima do pré-covid. Os bens duráveis estão 23,1% abaixo do pré-pandemia, e os bens semiduráveis e não duráveis estão 8,5% aquém do patamar de fevereiro de 2020.

"As categorias de uso que operam acima do pré-pandemia estão ainda muito abaixo dos seus pontos mais altos da série histórica", ponderou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Produção industrial cresce 0,3% no 1º trimestre, após 4 períodos de quedas

Rio - A produção industrial cresceu 0,3% no primeiro trimestre de 2022 ante o quarto trimestre de 2021, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado positivo sucede quatro trimestres seguidos de quedas: -1,0% no primeiro trimestre de 2021 ante o trimestre imediatamente anterior; -2,9% no segundo trimestre de 2021; -1,8% no terceiro trimestre de 2021; e -0,1% no quarto trimestre de 2021.

O último avanço tinha ocorrido no quarto trimestre de 2020, com alta de 4,5% ante o terceiro trimestre daquele ano.

Na comparação do primeiro trimestre de 2022 ante o mesmo trimestre do ano anterior, a produção industrial caiu 4,5%. /Agência Estado

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