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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira, 24, que provavelmente, a maior parte dos países precisará normalizar total ou parcialmente as taxas de juros nos próximos meses. Lembrou ainda que países em desenvolvimento iniciaram este ajuste antecipadamente.

Roberto Campos - Presidente do BC - foto Fabio Rodrigues Pozzebom - agência Brasil
O Presidente do Banco central, Roberto Campos Neto, defendeu aprovação da reforma administrativa em trâmite no Congresso

"Estamos em um movimento de reprecificação. Parte desse movimento já foi, mas ainda terá um ruído pela frente. Temos um movimento inflacionário no mundo desenvolvido, que terá que ajustar as taxas de juros, o que leva a uma diferenciação. O mundo emergente tem dívida mais alta, e precisa fazer um ajuste mais forte e mais rápido", avaliou ele, em evento digital promovido pelo eB Capital.  

Especulação no mercado de commodities 

Campos Neto destacou ainda movimentos especulativos acima do normal no mercado de commodities. Com todos os auxílios e medidas, muitos agentes correram para as commodities, assim como já houve movimentos anteriores em criptomoedas", afirmou.

Citou soja, boi e petróleo como produtos cujos preços se mantiveram estáveis durante as últimas semanas. "O preço do milho teve alta de preços e também já começou a voltar", completou. Ao reconhecer que a pressão inflacionária cresce no Brasil acima dos níveis observados em outros países, atribuiu o problema ao quadro fiscal. 

Campos Neto defende reforma administrativa

O líder da política monetária avaliou como “fundamental” a aprovação da reforma administrativa, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados

"Além do custo de pessoal que é muito grande, o tema de eficiência e de busca de talentos para o setor público também é importante. Gastamos muito e os serviços públicos prestados não são de ótima qualidade. A reforma administrativa precisa vir com uma grande dimensão de digitalização, para reduzir custos e aumentar a eficiência dos serviços públicos, como ocorreu em outros países", afirmou. 

Campos Neto defendeu também o avanço do projeto, ainda que não haja condições políticas para aplicar as mudanças previstas aos atuais servidores.  "Mesmo a sinalização para o futuro terá efeitos positivos para o País".

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