Mercado Financeiro

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou a quarta-feira, 15, com queda de 0,96%, a segunda consecutiva, em 115.062,54 pontos. O resultado negativo destoou do comportamento das bolsas americanas, que, após uma manhã em queda, se recuperaram à tarde. Os índices da Dow Jones e S&P 500 fecharam em alta. A Nasdaq fechou na estabilidade

O índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) de 0,6% em julho, apenas pouco acima da estimativa de 0,4% do mercado, divulgado ontem pelo Banco Central não deixa de ser positivo, mas não teve força para animar o mercado. O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB oficial, calculado pelo IBGE.

Influenciou o desempenho negativo da B3 a queda de 2,3% da Vale, que tem peso relevante no Ibovespa, como resposta ao recuo de 3% do minério de ferro, após a divulgação de dados ruins da economia chinesa.

O vencimento do exercício de opções sobre o Índice Bovespa (Ibovespa), embora promova um giro de recursos maior, tampouco trouxe maiores impactos sobre o resultado do pregão, diferentemente do que é previsto para o vencimento de opções sobre ações, marcado para a sexta-feira, que pode gerar maior volatilidade nas blue chips (as mais negociadas).

Mercado faz projeções sobre Selic

As especulações em torno da nova taxa básica de juros, a Selic, que o Banco Central (BC) define na próxima quarta-feira, dia 22, devem ganhar mais espaço no mercado financeiro a partir desta quinta-feira, 16.

Entre hoje e amanhã, instituições financeiras e casas de análise estarão fechando as apostas que, de acordo com especialistas, foram revisadas para uma alta de um ponto porcentual após a declaração do presidente do BC, Roberto Campos Neto, dada na terça-feira, de que levará Selic aonde for preciso para atingir a meta inflacionária.

A declaração foi entendida como reforço da sinalização já dada, na ata da última reunião do Copom, de que a Selic terá nova elevação de um ponto porcentual. Se confirmada, a taxa básica de juros subiria para 6,25%.

Dados do exterior que refletem na B3

Além de acompanhar as apostas sobre a Selic, investidores e gestores de mercado estarão atentos à divulgação de dados de vendas no varejo e de pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Vendas no varejo superior às estimativas e redução nos pedidos de seguro-desemprego poderiam sinalizar uma economia mais aquecida, renovando as expectativas de uma redução gradual de recompra de títulos públicos.

A recompra de títulos pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) faz parte da política de estímulos monetários que consiste na injeção de US$ 120 bilhões no sistema financeiro americano, de onde parte dos recursos se espraiam pelos mercados financeiros globais. Motivo pelo qual uma redução no volume de recompra de títulos tende a reduzir a oferta de recursos no sistema financeiro global, um aperto na liquidez que pode deprimir a bolsa de valores e pressionar o dólar pelo mundo.

De resto, o mercado financeiro deve seguir a rotina de reagir a fatores pontuais, domésticos e externos, sem deixar de monitorar sobretudo os acontecimentos políticos e econômicos locais. No cenário político, se a trégua e a relação de cordialidade entre os Poderes permanecem, com o recuo do presidente Bolsonaro, e se existe mesmo disposição no Congresso de dar andamento a várias propostas e medidas relacionadas ao equilíbrio das contas públicas.

Os investidores devem monitorar com atenção também as sessões da Covid-19 no Senado, que chega à reta final e pode colher depoimentos de maior impacto.

No cenário internacional, dados sobre a economia chinesa que afetem os preços de minério de ferro e aço podem continuar respingando negativamente na bolsa de valores, que tem entre os principais protagonistas do Índice Bovespa (Ibovespa) exportadoras como a Vale.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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