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Economia

PIB dos Estados Unidos recua 0,9% no 2° trimestre de 2022 e leva o país a uma recessão técnica

Com dois trimestres consecutivos de contração no PIB, especialistas caracterizam uma recessão econômica

Data de publicação:28/07/2022 às 12:24 -
Atualizado 4 meses atrás
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O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos registrou contração de 0,9% no segundo trimestre de 2022, em termos anualizados, de acordo com a primeira leitura do indicador divulgada nesta quinta-feira, 28, pelo Departamento do Comércio do país.

Como a atividade econômica encolheu 1,6% nos três primeiros meses do ano, a maior economia do planeta teve dois trimestres consecutivos de retração, um critério normalmente utilizado por economistas para definir uma recessão técnica.

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PIB dos Estados Unidos cai pelo segundo trimestre consecutivo | Foto: Envato

O resultado contrariou a mediana das previsões de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que apontava para crescimento de 0,4%. O dado, no entanto, está dentro do intervalo das estimativas, que ia de redução de 1,5% para avanço de 1,5%.

O Departamento do Comércio dos EUA informou também que o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu à taxa anualizada de 7,1% entre abril e junho, replicando desempenho do primeiro trimestre. Já o núcleo do PCE, que desconsidera preços de alimentos e energia, avançou 4,4% no mesmo intervalo, após alta de 5,2% no trimestre anterior.

Repercussão no mercado

"A queda do PIB parece já refletir a elevação das taxas de juros pelo Fed, já que os dados divulgados pelo mostram uma diminuição nos investimentos, principalmente residenciais e não residenciais" afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. Com o resultado, os principais índices acionários do país abriram em baixa nas primeiras horas do pregão desta quinta-feira.

No entanto, Sung destaca que o crescimento do consumo no país, que subiu 1% no trimestre entre abril e junho, dá "sinais ambíguos" sobre a economia americana, "já que o mercado de trabalho também está bastante aquecido. Para o economista, o resultado do consumo pessoal ainda é robusto e isso pode ajudar a aliviar as pressões sobre os mercados em nível global.

"Mesmo com a queda no PIB, a forte criação de empregos, o desemprego próximo do pleno emprego e o aumento do consumo pelas famílias demonstram que a economia dos EUA não estaria numa espiral recessiva, mas sim numa correção de rota após a crise da Covid-19. Por fim, este resultado é um indicativo de que alguns setores da economia norte-americana já estão desacelerando, o que pode aliviar a inflação e diminuir o ritmo de aperto monetário do Federal Reserve (Fed o banco central americano). Porém, pode ser mais uma dor de cabeça para a popularidade do presidente Joe Biden."

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research

Expectativas para o PIB dos Estados Unidos

De acordo com a equipe de Research do BTG Pactual, os números do crescimento americano diminuíram as perspectivas da instituição para o PIB dos Estados Unidos no ano de 2022. Em contrapartida, os especialistas acreditam que o Fed - que elevou os juros no país em 0,75 ponto percentual na véspera, a um nível entre 2,25% e 2,50% - deve continuar com seu ciclo de aperto monetário, tendo em vista que os dados de inflação continuam fortes.

"Na política monetária, apesar da queda do PIB, o comitê sinalizou na reunião realizada ontem que prefere acompanhar outras medidas, como criação de empregos e métrica de renda. Nesse sentido, sinais de enfraquecimento da atividade econômica não devem refletir em uma política monetária mais branda no curto prazo enquanto os números de inflação continuarem pressionados."

Equipe de Research do BTG Pactual

Para o segundo semestre do ano, os analistas pontuam que as expectativas são de uma "acomodação de crescimento" nos próximos meses, com o consumo de bens e o setor industrial apresentando desaceleração. Tudo isso, segundo os especialistas, é uma consequência do aperto das condições financeiras naquele país. "O crescimento positivo para 2022 reflete um forte carrego deixado por 2021", destacam. / Com Agência Estado

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