Economia

A economia brasileira ficou praticamente estagnada no segundo trimestre de 2021, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE. Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) teve contração de 0,1%, embora tenha sido registrado um avanço no setor de serviços, com a vacinação progredindo e a atividade voltando ao normal. Reflexos de uma inflação cada vez mais alta que encarece os processos de produção e, consequentemente, o consumo.

Foto: Envato pib
Alguns analistas já consideram que o Brasil está entrando num momento de estagflação

Com o resultado, a chefe de economia da Rico, Rachel de Sá, afirma que a projeção da corretora do PIB para 2021 caiu de 5,5% para 5,3%. Já para 2022, a queda é maior, passando de 2,3% para 1,7%.

A alta do risco fiscal, além da piora da crise hídrica, que pressiona ainda mais os preços da economia, se juntam em um ano eleitoral, montando o cenário perfeito para uma inflação mais alta, menos investimentos no País e, por consequência, redução do crescimento.

O que realmente é o PIB?

A economista explica que o cálculo do PIB é feito com base na soma entre os números de consumo, investimentos no País, gastos do governo, mais a diferença entre exportações e importações. "Isso quer dizer que o serviço prestado por manicures, consultas em dentistas, carros, armários e tudo o que faz parte da economia do País é contabilizado no PIB", afirma.

"Aqui, vale destacar um ponto importante. Nada á contabilizado duas vezes no PIB. Assim, na produção de um carro, o cálculo final do PIB não incluirá a roda, o motor e cada porta, separadamente, para depois contabiliza-los de novo quando o carro estiver finalizado – pronto para ser comprado por uma empresa de locação e depois alugado por um Uber. Cada item produzido será contabilizado apenas uma vez", explica Rachel.

Assim, podemos concluir que o PIB representa o fluxo de tudo o que produzimos na economia de bens e serviços. Falamos em fluxo, porque o indicador mede a riqueza de determinada economia em um espaço de tempo. Ou seja, ao longo de um período – como um ano, um semestre, um trimestre ou um mês.

Isso significa que a soma do que foi produzido entre abril e junho desse ano, por exemplo, caiu 0,1% em relação ao que havia sido produzido entre janeiro e março. Ou ainda, que a economia cresceu 12,4% no período entre abril e junho do ano passado e abril e junho desse ano (um ano) – o que faz sentido, dado que a economia contraiu muito no segundo trimestre do ano passado, devido a pandemia.

Os valores do indicador são demonstrados com base em espaços de tempo pela dificuldade em calcular uma espécie de "estoque do PIB", conforme nomeia a chefe de economia da Rico.

"Imagine só, como você faria para calcular quantos cortes de cabelo acumulados na história, que entrariam na contabilização de serviços? Qual seria o 'estoque de cortes de cabelo' e como todo esse cabelo ainda estaria ali, 'estocado'? Além de não ser um resultado preciso, seria ainda mais complexo fazer essa comparação de estoque de bens e serviços produzidos entre países", explica.

Vale lembrar que o PIB também não contabiliza questões como desigualdade social e de oportunidades, de cunho ambiental ou social. Por isso, nunca deve ser usado como único fator de comparação entre países, ou de nível de desenvolvimento econômico de um país.

O impacto do PIB nos investimentos

Um dos principais impactos do PIB nos investimentos se dá por meio da economia. De maneira bastante simplificada, com uma economia crescendo, as empresas poderão ter mais oportunidades para crescerem também, aumentando investimentos, contratando mais funcionários, contribuindo para mover a economia e levar a mais crescimento econômico – e assim por diante, em um ciclo positivo.

Normalmente, maior crescimento leva a maiores retornos ao investidor.

Além disso, uma performance positiva da economia também acaba impactando a precificação de outros ativos do Brasil, de maneira indireta, por meio da percepção de risco em relação ao País. Ou seja, se as perspectivas de crescimento forem positivas, investidores verão riscos menores em alocar seu dinheiro por aqui. Dessa forma, isso acaba impactando fatores como os juros, o câmbio e o mercado de renda fixa.

"Mas, isso significa que toda vez que a economia crescer, seus investimentos só irão crescer, e vice-versa", ressalta Rachel. A economista explica que a Bolsa e o mercado de capitais brasileiro ainda representam pouco da economia do país como um todo.

Bolsa de Valores

A B3 tem pouco mais de 400 empresas listadas para negociação, enquanto o País tem mais de 19 milhões de companhias registradas. Ou seja, não são todos os setores que podem crescer ou contrair em determinados períodos que estão sendo precificados em ações na Bolsa, títulos de renda fixa ou outros ativos.

Além disso, nem tudo que impacta a performance de uma empresa ou o valuation de um título vem do cenário macroeconômico, muito menos apenas daquilo que está refletido no crescimento do PIB.

No caso das empresas, diversas outras questões, como estratégia de negócios, nível de endividamento e posicionamento no mercado impactam tanto quanto o cenário macroeconômico em que elas se inserem. Assim, apesar de ser importante, o movimento do PIB não é o único determinante da performance das companhias e, consequentemente, do retorno de suas ações/dividendos.

Da mesma maneira, o crescimento do PIB não é o único determinante de movimentos em ativos como o dólar e a curva de juros. O risco fiscal e o ambiente político, por exemplo, muitas vezes acabam por ser os principais fatores da valorização ou desvalorização da moeda e de como os investidores precificam o risco de financiar o Brasil.

"Em suma: você deve se importar com o PIB para a sua vida e seus investimentos? Sim! Eles são o único fator determinante disso tudo? Não! Como sempre (e amamos isso na economia), depende", finaliza Rachel.

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