Economia

Em sua última carta enviada aos investidores, com os principais destaques observados durante o mês de setembro, a gestora Dahlia Capital falou sobre como a agenda climática deve estar presente nas decisões de governos e empresas daqui pra frente e os impactos desse engajamento na economia global.

No documento intitulado "A Era do Gelo 2", a gestora explica como a volatilidade da temperatura na Terra se assemelha ao que é observado nos mercados de ações, trazendo um paralelo entre o ciclo do aumento da presença de gás carbônico na atmosfera e a inflação global acentuada, ocasionada, sobretudo, pela alta nos preços das commodities.

Foto: envato
Símbolo do dióxido de carbono | Foto: Envato

Ciclos climáticos

A carta já começa citando um estudo da Instituição Smithsonian, organização americana de pesquisa associada a vários museus, que tentou estimar o clima na Terra dos últimos 500 milhões de anos. Com base em fósseis, rochas e crostas de gelo, a pesquisa concluiu que, na maior parte desse período, a temperatura média do planeta foi maior do que é agora.

Diversas são as causas para um clima mais quente: dos ciclos solares ao eixo da Terra em relação ao espaço. No entanto, o principal motivo para o aumento das temperaturas em todos os ciclos climáticos do planeta é algo que já estamos habituados a ouvir: a alta nos níveis dos gases do efeito estufa na atmosfera terrestre, principalmente o gás carbônico.

Esse avanço na concentração de carbono no planeta é natural e cíclico, ou seja, já aconteceu diversas vezes na histórias desses 500 milhões de anos. O que preocupa os cientistas, ativistas e diversos setores da sociedade, entretanto, é como a atividade humana está acelerando o ciclo da emissão de carbono.

"Oscilações da temperatura da Terra são processos naturais, resultantes dos ciclos solares, da inclinação do eixo do planeta e dos próprios ciclos do carbono. Porém, o aumento da temperatura ao longo dos últimos 100 anos (na mesma proporção que caiu nos últimos 6.000 anos) não pode ser explicado pelos modelos científicos como um processo exclusivamente natural. Ele é produto da atividade humana", destaca a gestora.

A Terra é capaz de compensar os ciclos de carbonos que acontecem de forma natural, levando centenas de milhares de anos. O planeta possui "mecanismos naturais de equilibro", afirma a carta, mas eles levam tempo para acontecer.

Impactos nos países

Com o avanço tão rápido do gás carbônico na atmosfera e, consequentemente, o aumento da temperatura no planeta, diversos desastres ambientais passaram a acontecer e as projeções para o futuro não são animadoras para os seres humanos. Neste contexto, países ao redor do mundo passaram a adotar medidas de preservação ambiental numa tentativa de melhorar as perspectivas.

A Dahlia Capital destaca que a preocupação ambiental com a redução de emissões de carbono desestimulou novos investimentos em produção de combustíveis fósseis - que, quando queimados, liberam uma quantidade imensa de gás carbônico para a atmosfera.

Este cenário é um dos fatores que pode explicar o ciclo de alta de preço das commodities, junto a falta de investimentos na indústria e um aumento expressivo na demanda por matéria-prima com os estímulos monetários adotados por governos ao redor do mundo em decorrência da pandemia de covid-19.

A falta de insumos, por sua vez, leva a outra pauta que está deixando o mercado de cabelo em pé: a indisponibilidade de insumos energéticos para a atividade econômica global.

A gestora explica que, na Europa, a falta de gás natural fez com que os custos de energia elétrica para a população subissem. Além disso, o gás natural também é um importante insumo para a indústria de fertilizantes, que já teve que cortar sua produção, impactando os custos de toda a cadeia de alimentos.

"Na China, a redução forçada da produção de energia termelétrica a carvão tem impactado também vários setores. A produção de aço na China deve cair 10% no 2º semestre de 2021 em comparação a 2020 e outros setores também sofrerão impactos", afirma a carta.

Impactos econômicos

A gestora explica que a alta dos preços na energia chegam num momento em que os governos estão considerando retirar os estímulos econômicos adotados durante a pandemia. "Preços altos de gasolina, diesel e gás natural colocam uma pressão altista de juros ainda maior para bancos centrais de países emergentes", destaca a carta.

Embora seja difícil saber ao certo qual o cenário futuro, a gestora considera que este contexto aumentam as estimativas de risco de uma desaceleração econômica global, sem retrocessos na agenda ambiental, pelo menos por enquanto.

"Para o Fed, banco central dos EUA, país que é auto-suficiente em energia, a alta de preços de petróleo deve ser vista como transitória, não levando necessariamente a juros mais altos. Porém, um evento raro pode acontecer. Preços altos de petróleo e um dólar forte no mundo. É melhor que este inverno no hemisfério norte seja mais ameno", comenta a Dahlia Capital.

Neste contexto, a gestora finaliza dizendo que segue comprada em ações, dólar e algumas commodities.

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Repórter na Mais Retorno

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