Renda Variável

Elas são ações de empresas consideradas nanicas, de baixa capitalização e menor valor de mercado na bolsa de valores, mas que se agigantam em rentabilidade na carteira do fundo de small caps Trigono Flagship 60 Small Caps FIC FIA, da gestora Trígono Capital.

O fundo rendeu 0,78% em agosto, 60,01% em 2021, até agosto, e 90,37% nos últimos 12 meses, de acordo com dados de um levantamento exclusivo feito pela Mais Retorno.

Foto: Jeff Belmonte arrecadação federal
Foto: Jeff Belmonte

Dados da Economatica apontam que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, movimenta pouco mais de 400 ações de empresas, das quais 178 fazem parte do grupo de small caps. Frederico Mesnik, CEO da Trígono Capital, explica que a gestora trabalha em um segmento amplo de ações, com foco nas small caps, um conjunto de 177 empresas cujo valor de mercado, “bastante líquido”, chega a quase R$ 700 bilhões.

São várias e até difusas as definições entre analistas, mas a Trígono classifica como small cap uma empresa com valor de mercado abaixo de R$ 10 bilhões ou que negocie volume inferior a R$ 10 milhões por dia. “Identificamos, nesse universo de empresas, onde estão as melhores oportunidades de ações que compõem a carteira do Flagship”, diz Mesnik.

Os atrativos dessas ações

Pelo foco atávico em papeis de empresas de menor capitalização, quase anãs comparadas com as gigantes do grupo das blue chips, a ponto de ser considerado referência em small caps, a Trígono atua na contramão do que se tem de entendimento e análise dessa classe de ações.

Papeis que são vistos com reservas, pouco amigáveis a investidores e de baixa cobertura pelas casas de análise, classificados em geral como de maior risco, baixa liquidez, mais facilmente atingidas por crise e de recuperação mais lenta ao sair dela.

O CEO da Trígono Capital apresenta o contraponto, item por item, dessas análises que considera equivocadas e produto do desconhecimento. Ele rebate a ideia de maior risco com dados da B3 que, na comparação dos índices, aponta que o de small caps (SMLL), criado em abril de 2008, apresentou variação positiva de 214% até junho de 2021, enquanto o Ibovespa teve variação positiva de 87% no mesmo período.

Os dados de Mesnik vão além e avançam sobre a visão em torno de outros quesitos que considera contaminada por desinformação, como a volatilidade. Nesse item, segundo dados da B3, a medição apontou um risco mais elevado, de 28%, para o Ibovespa, e de 25%, para o SMLL11. A mesma discrepância, em favor das small caps, ocorreu com o grau de performance, obtido pela divisão do retorno pelo risco, que alcançou 8% nas small caps, superior ao de 3% do Ibovespa, argumenta Mesnik.

O CEO da Trígono lembra também que as small caps são mais resilientes a crises e, diferentemente da ideia corrente, se recuperam mais rapidamente, porque “são empresas que precisam de menos capital para crescer que as do Ibovespa”. E também, segundo ele, nada ficam a dever ainda em governança, onde “a porcentagem de small caps é maior”.

A escolha das ações tem foco nas empresas que mais se destacam em cada segmento, “que comprovadamente oferecem perspectiva de maior retorno no longo prazo com menos risco”, afirma.  “Entramos em um processo de parceria de longo prazo, existe todo um trabalho minucioso em torno da empresa, de suas perspectivas.” É uma estratégia agnóstica a índices, que segue uma estratégia de análise fundamentalista, sem se deixar influenciar pelos diversos índices existentes no mercado.

Mesnik explica que o trabalho consiste em olhar a empresa apenas do ponto de vista micro, sem contaminação também pelo cenário macroeconômico. “O que importa para nós é o micro da empresa, todo o resto (como as crises política e econômica) são ruídos que não nos interessa. Pensamos no longo prazo com a cabeça de dono.”

Uma das companhias escolhidas com base nesse perfil de análise é a Ferbasa, líder em produção de ferroligas e única fabricante integrada de ferrocromo das Américas. “Só preocupamos com a dinâmica de preços, produção e investimentos da empresa.”

Small caps que podem virar blue chips

A estrategista de Ações da XP, Jennie Li, diz que as small caps são empresas de menor capitalização que têm bastante potencial de valorização e podem tornar-se blue chips, mas também oferecem riscos. São empresas menos sólidas ou capitalizadas e tendem a sofrer em momentos de crise ou turbulência mais forte.

São percalços que podem ser colocados à frente, “mas no longo prazo as small caps tendem a apresentar um desempenho melhor que as ações de companhias do Ibovespa”, acredita.

De acordo com dados da B3, nos últimos cinco anos o índice de small caps (SMLL) teve uma alta de 200%, comparado com um avanço de 120% do Ibovespa. Em dez anos, o SMLL teve variação positiva em torno de 100% e o Ibovespa, ao redor de 76%. “No longo prazo, as small caps tendem a apresentar melhor rentabilidade que as ações de empresas do Ibovespa”.

A estrategista da XP afirma também que as small caps têm maior exposição ao consumo discricionário, são de viés mais voltado ao crescimento doméstico, enquanto as empresas do Ibovespa estão concentradas mais em commodities e no comércio exterior.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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