Logo Mais Retorno
Mercado Financeiro

Saiba o que é uma carteira teórica e como ter investimentos atrelados a ela

Uma carteira teórica é utilizada para representar os índices do mercado financeiro

Data de publicação:04/03/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Você já ouviu falar em uma carteira teórica de investimentos? Esse é um termo muito comum no mercado financeiro e está diretamente relacionado aos índices globais. No entanto, nem sempre o seu conceito é entendido de forma clara e de imediato.

No artigo de hoje, nós vamos explicar passo a passo como funciona uma carteira teórica, qual é a sua finalidade e, evidentemente, se você pode investir diretamente nesse formato.

carteira teórica
Foto: Reprodução

O que é uma carteira teórica?

Como o próprio nome sugere, uma carteira teórica nada mais é do que um conjunto de ativos que são compostos de maneira fictícia. Isto é, não há dinheiro real investido nesse portfólio, mas sim uma simulação.

O principal objetivo de uma carteira teórica é permitir o acompanhamento e o monitoramento de um determinado mercado. É algo bem comum entre as ações, por exemplo. Desta maneira, podemos ter diversas carteiras que permitem que os investidores possam entender o desempenho de um segmento específico. Ou então reunir empresas com determinadas características similares.

A aplicação da carteira teórica é especialmente comum em índices, que nada mais são do que indicadores que refletem o desempenho de um mercado específico. O Ibovespa, por exemplo, é um índice que mede o resultado médio das principais ações brasileiras. E ele é monitorado justamente por uma carteira teórica de ações, que é atualizada a cada quatro meses.

Como uma carteira teórica é montada?

Para selecionar os ativos de uma carteira teórica, um índice deve se basear em regras e diretrizes. Com base nessas definições, um portfólio será composto e permite que o seu desempenho seja monitorado a partir de então. No entanto, vale reforçar: não há dinheiro real investido nesse tipo de controle.

Já que mencionamos o Ibovespa, podemos usá-lo como referência para entender a sua dinâmica de composição. As regras definidas pela B3, empresa responsável pelo índice, são as seguintes:

  • O Índice de Negociabilidade da ação está entre os principais papéis da bolsa (85%).
  • O papel precisa ter algum tipo de negociação em ao menos 95% dos pregões.
  • A ação não pode ser classificada como Penny Stock (valor inferior a R$1,00).
  • Ativos internacionais, como BDRs, não podem participar do índice.
  • O peso de cada papel no Ibovespa vai depender do seu Índice de Negocialibilidade e do valor de mercado das ações.

Veja que, com essas cinco regras, já há uma definição clara sobre como o Ibovespa deverá ser composto. Assim, uma carteira teórica pode ser montada seguindo esse racional para acompanhamento do mercado acionário brasileiro. E a mesma lógica se aplica para outros índices, respeitando o direcionamento de cada indicador.

Quais são as principais carteiras teóricas?

Agora que você já entendeu a dinâmica e a importância de uma carteira teórica para o mercado financeiro, vamos apresentar brevemente alguns exemplos práticos de índices que utilizam desse recurso — e qual a sua finalidade para um investidor.

Ibovespa

O primeiro índice que utiliza uma carteira teórica é, como vimos, o próprio Ibovespa. Ele utiliza as regras que apresentamos no tópico anterior para representar uma média do mercado acionário brasileiro.

Como há um peso relacionado ao valor de mercado, o índice acaba concentrado nas principais empresas brasileiras. Há uma participação relevante de empresas de commodities (Petrobrás e Vale, principalmente) e instituições financeiras (como Itaú, Bradesco e B3). Por esse motivo, o resultado do Ibovespa acaba diretamente relacionado com essas companhias.

Small Caps

Outro índice de ações brasileiras que é bem popular é de Small Caps. Aqui, ao contrário do Ibovespa, o foco são em empresas de menor nível de capitalização dentro da B3. São negócios em crescimento e que ainda não possuem a mesma consolidação das grandes companhias da nossa bolsa.

De um modo geral, o índice de Small Caps costuma apresentar um resultado superior ao Ibovespa em períodos otimistas da nossa economia, assim como quedas mais fortes em momentos de crise. Não é uma regra absoluta, mas é o que vai acontecer com maior frequência.

S&P 500

Ainda que você não invista no exterior, muito provavelmente já ouviu falar do S&P 500. Esse é o nome do principal índice de ações dos Estados Unidos. O indicador reúne as 500 principais companhias americanas, também em formato de carteira teórica.

Embora não seja a única referência do país (podemos citar o Dow Jones como outro indicador importante), o S&P 500 acaba sendo o índice mais comum para avaliar o desempenho das ações americanas.

IFIX

Não é apenas para as ações que podemos usar uma carteira teórica. O mercado de fundos imobiliários também apresenta um índice que reflete o desempenho médio dos FIIs, que é conhecido popularmente como IFIX.

Aqui, assim como no caso do Ibovespa, são listados os principais fundos imobiliários seguindo regras estabelecidas pela B3 — como presença em ao menos 60% dos pregões, participação entre 99% dos principais ativos no Índice de Negociabilidade e não ser classificado como "Penny Stock".

Eu posso investir em uma carteira teórica?

Você gostou de conhecer o conceito das carteiras teóricas? Talvez esteja se perguntando se é possível investir nesses portfólios, ainda que eles sejam apenas fictícios, acompanhando o desempenho dos índices. A resposta é sim e não ao mesmo tempo. Vamos explicar.

Atualmente, não é possível investir diretamente em nenhum dos índices que mencionamos ao longo do artigo. Isto é, você não pode fazer aportes no Ibovespa, no Small Caps, no IFIX ou no S&P 500, por exemplo. No entanto, isso não significa que não seja possível ter um investimento cujo desempenho acompanhe essas carteiras teóricas de forma indireta.

Esse cenário é possível por meio dos Exchange Traded Funds (ETF). Em tradução livre para o português, eles são os "fundos negociados em bolsa". Em outras palavras, são fundos de investimentos com gestão passiva (isto é, eles acompanham os índices que perseguem) que possuem como objetivo justamente replicar o desempenho de uma carteira teórica.

Existem diversos ETFs que realizam esse processo de seguir uma carteira recomendada. Apesar de não ser possível investir no Ibovespa, por exemplo, você pode comprar cotas dos fundos BOVA11 ou IBOV11 — para citar apenas dois ETFs, mas existem outros tantos — para esse objetivo. Ou então investir no IVVB11 para replicar o desempenho do S&P 500.

Veja, portanto, que os ETFs permitem que você faça a exposição do seu capital às carteiras teóricas representadas pelos índices do mercado financeiro. Ainda que seja uma maneira indireta e que exista a cobrança de uma pequena taxa de administração, é a forma de investir em uma carteira teórica atualmente.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.