Índices e Indicadores

Quantas vezes você ouviu, enquanto acompanhava o noticiário, algumas frases como "humor dos investidores piora e o Ibovespa cai" ou "otimismo do mercado eleva o Ibovespa". Mas, afinal, o que isso significa na prática? Ou melhor, por que esses efeitos ocorrem?

Apesar de muito mencionado na mídia e no universo financeiro, há pouca gente que explica de fato o que é o Ibovespa e qual a sua composição. Pensando nisso, hoje vamos conversar sobre tudo que você precisa saber sobre o principal índice do mercado acionário brasileiro.

O que é o Ibovespa?

O Ibovespa é o principal índice utilizado para monitorar o mercado de ações brasileiro. Mas, afinal como funciona um índice? A definição parece que complica mais do que explica, certo? Não se preocupe, é bem fácil de entender.

No mercado financeiro, um índice de ações representa uma carteira teórica de ativos. Em outras palavras, é uma ferramenta que simula o resultado de um conjunto de ações dentro de uma série de critérios (neste caso, aqueles papéis que estão entre os mais negociados do mercado brasileiro).

Ou seja, o Ibovespa não é um fundo ou um gestor que compra as ações com maior volume de negociação, mas simplesmente uma ferramenta de análise que simula o desempenho desses ativos. Ele permite, portanto, o acompanhamento do mercado acionário brasileiro como um todo.

Assim como o IBOV, como é carinhosamente chamado o Ibovespa, existem outros diversos índices de ações no mercado global. Veja alguns exemplos e o que eles representam:

  • S&P 500: válido para o mercado de ações dos Estados Unidos, representa uma carteira teórica com as 500 ações com maior valor de mercado.
  • NASDAQ: representa as 100 principais empresas listadas na National Association of Securities Dealers Automated Quotations, a segunda principal Bolsa de Valores dos Estados Unidos, desconsiderando as companhias financeiras.
  • DAX: representa as 30 principais ações da Bolsa de Valores de Frankfurt (Alemanha).

Como funciona o Ibovespa?

Ok, já entendemos o que são os índices de ações e qual a finalidade principal dessas ferramentas. Contudo, como são escolhidas as ações que fazem parte do Ibovespa?

Para esse objetivo, a B3 determinou alguns critérios na seleção dos ativos. São eles:

  • Índice de Negociabilidade: é o nome para classificação percentual dos ativos mais negociados. Ao somá-los, em ordem decrescente, a ação precisa estar dentro do grupo que representa ao menos 85% do indicador. A regra precisa ser atendida em ao menos três carteiras anteriores.
  • Volume em pregões: além de atender ao Índice de Negociabilidade, a ação precisa marcar presença (ser negociada) em ao menos 95% dos pregões realizados da Bolsa de Valores do Brasil.
  • Volume financeiro: em termos financeiros, o ativo deve representar ao menos 0,1% de todo volume de dinheiro utilizado pelos investidores ao longo do período de apuração da carteira teórica.
  • Preço de mercado: para pertencer ao Ibovespa, uma ação não pode ser uma Penny Stock. Esse é o nome dos ativos cujo valor de negociação é inferior a R$1,00. Se um papel é negociado a R$0,80, por exemplo, ele já está excluído do índice.
  • Localização: por fim, um aspecto pouco mencionado é que o ativo precisa pertencer ao mercado acionário brasileiro. Ativos como os BDRs (Brazilian Depositary Receipt), que representam ações internacionais, também não são elegíveis.

Se a ação de uma empresa atende a todos esses critérios acima descritos, então ela pode ser adicionada à carteira teórica do Ibovespa. Contudo, há uma observação importante: elas não possuem o mesmo peso.

Qual é o peso de uma ação no Ibovespa?

Uma ação pode ter maior representatividade do que outras dentro do índice, de acordo com seu Índice de Negociabilidade e o valor de mercado das ações em livre circulação no mercado (free float).

Importante mencionar, contudo, que não há permissão para que um ativo, isoladamente, supere 20% de participação no índice. Portanto, esse é o limite para o peso de uma ação no Ibovespa.

Qual é a unidade de medida do Ibovespa?

O Ibovespa é medido em pontos desde a sua criação. A avaliação do indicador, contudo, é bem simples. Cada ponto equivale a um real. Ou seja, se você ouvir que o IBOV chegou a 120 mil pontos, isso representa que comprar todos os ativos em proporções idênticas custaria R$120.000 ao investidor.

Além disso, é uma forma de identificar a valorização ou desvalorização dos papéis. Se o Ibovespa ganha pontos, significa que as suas ações, na média subiram de preço no mercado. E vice-versa.

Qual é o período de validade de uma carteira?

A B3, responsável pela manutenção do Ibovespa, realiza um novo balanceamento da carteira a cada quatro meses. Ou seja, a cada ano o Ibovespa tem uma composição válida para três períodos distintos:

  • Janeiro até abril
  • Maio até agosto
  • Setembro até dezembro

Em cada ajuste, as ações podem entrar ou sair do índice, a depender do seu comportamento de mercado. Os critérios para seleção dos ativos costumam ser mantidos, conforme aprendemos anteriormente.

Quais são as ações que fazem a composição do Ibovespa?

Como vimos, a carteira de ativos do Ibovespa é calculada a cada quatro meses e, neste processo, pode sofrer algumas mudanças. No entanto, existem algumas ações que estão sempre presentes e com maior peso no indicador.

E quais seriam essas ações? Aqui, falamos de algumas das maiores e mais conhecidas empresas brasileiras. É o caso da Itaú, Bradesco, Vale, Petrobrás, Ambev ou até mesmo da própria B3, por exemplo.

Para que você entenda um pouco melhor como funciona o nosso principal índice de ações, listamos abaixo a composição dos dez ativos com maior peso do Ibovespa em março de 2021, pouco antes de um novo balanceamento:

  • Vale (VALE3): 12,91%
  • Itaú (ITUB4): 6,36%
  • Banco Bradesco (BBDC4): 5,44%
  • Petrobrás (PETR4): 5,10%
  • B3 (B3SA3): 4,96%
  • Petrobrás (PETR3): 3,67%
  • Ambev (ABEV3): 3,14%
  • WEG (WEGE3): 2,57%
  • Magazine Luiza (MGLU3): 2,54%
  • Suzano (SUZB3): 2,51%

Observe como nas dez primeiras posições, nós temos basicamente as grandes empresas que listamos anteriormente. Isso acontece porque, pela popularidade e valor de mercado das companhias, é normal que elas atraiam maior atenção dos investidores.

Eu posso investir no Ibovespa?

Justamente pelo fato de oferecer as empresas mais negociadas da Bolsa de Valores, muitos investidores se interessam em investir na carteira do Ibovespa. E, embora não seja possível fazer isso oficialmente pelo índice, hoje em dia é bem fácil fazê-lo usando dos ETFs (Exchange Traded Funds).

Os "fundos de índices", como são popularmente chamados os ETFs, são ativos com gestão passiva, o que significa que eles buscam replicar índices. Alguns deles oferecem justamente o serviço de copiar a carteira do Ibovespa, oferecendo aos cotistas um retorno muito próximo do nosso índice acionário.

Caso esse seja um tipo de investimento que te interesse (afinal, é muito difícil copiar essa carteira teórica manualmente), esses são alguns dos ETFs negociados na Bolsa de Valores que tentam replicar o Ibovespa:

  • BB ETF Ibovespa Fundo de Índice (BBOV11)
  • Caixa ETF Ibovespa Fundo de Índice (XBOV11)
  • ETF Bradesco Ibovespa Fundo de Índice (BOVB11)
  • Ishares Ibovespa Fundo de Índice (BOVA11)
  • IT Now Ibovespa Fundo de Índice (BOVV11)

Vale a pena investir no Ibovespa?

Uma vez que já existem mecanismos para investir no Ibovespa, a pergunta natural é até que ponto vale a pena tentar copiar o índice. Esse pode ser um bom investimento para quem deseja investir na Bolsa de Valores, mas ainda tem pouco dinheiro disponível. Isso porque, naturalmente, há uma grande diversificação dos ativos de uma só vez.

No entanto, é preciso que você entenda que investir no Ibovespa tem também as suas limitações. A primeira delas é que, por ter um volume muito grande de ativos, não temos como realizar filtros qualitativos. Assim, muitas empresas ruins podem influenciar o seu resultado (nem só de grandes negócios vive um índice).

Além disso, um outro ponto de atenção está na concentração. Ao contrário de outros índices globais, o Ibovespa é extremamente concentrado em ações de companhias financeiras (B3, Itaú e Bradesco) e commodities (Vale e Petrobrás). Somente essas cinco empresas representam mais de 40% do índice.

Portanto, se você tiver disponibilidade e interesse para avaliar as empresas individualmente, poderá fazer negócios muito melhores na Bolsa de Valores com alguns filtros e, consequentemente, obter uma rentabilidade superior ao índice. Já para quem ainda está começando e quer apenas uma exposição à renda variável com baixo custo, os ETFs do Ibovespa podem atender bem.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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