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Finanças Pessoais

O que é Hedge? Proteja seus investimentos como um profissional!

É normal buscarmos proteção. Gostamos de nos sentir seguros. Por isso existem tantos produtos relacionados a seguros: seguro de casa, seguro de vida, seguro de carro…

Data de publicação:28/06/2023 às 20:09 -
Atualizado 8 meses atrás
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Quando passamos a investir, é natural querermos não perder dinheiro. A busca por proteção é um requisito importante na hora de aplicar e fazer qualquer tipo de negócio. Não é por acaso que existem tantos serviços e produtos relacionados ao quanto o ser humano quer se sentir seguro, como seguro de vida, seguro de celular, seguro de carro e por aí vai.

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A própria reserva de emergência é uma forma de segurança quando algum imprevisto acontece, porque a verdade é que ninguém gosta ou quer ser pego despreparado e ter que arcar com um custo muito maior, não só financeiro, como psicológico.

É então que deve estar pensando: mas isso é óbvio! Pois mesmo sendo, não é todo mundo que tomou uma atitude e passou a se proteger contra as turbulências o máximo possível. Ainda mais no universo dos investimentos, em que o risco está presente em tudo

Mas calma! A boa notícia é que também há caminhos mais estáveis e seguros que podem ser seguidos para investir, chamados de Hedge. É uma alternativa que você pode incluir na sua carteira, digamos assim.

Em um primeiro momento, pode parecer complicado entender o conceito com embasamento mais técnico. Caso tenha dificuldade, pode ler outros conteúdos por aqui, pode nos chamar no chat, e-mail ou simplesmente deixar um comentário no final do texto!

O que é Hedge nos investimentos?

Como já se pode imaginar, Hedge é uma palavra que vem inglês e que quer dizer algo como cerca ou barreira. No mercado financeiro, o termo significa proteção.

Porém, não é uma proteção contra qualquer tipo de perigo, e sim o chamado Risco Não Sistêmico, ou seja, aquele que não afeta todo o mercado. De forma mais direta, consiste simplesmente em reduzir possíveis e eventuais perdas que o investidor pode ter em seus investimentos caso algo fuja do planejado.

E essa estratégia de alocação não precisa ser necessariamente feita pelo mercado de derivativos, pois também pode ser através da aquisição de ativos que são relacionados de forma inversa entre si.

No entanto, os derivativos costumam ser mais utilizados para hedge, já que são contratos que têm um ativo principal. Isso quer dizer que um contrato depende do preço de um outro.

Por exemplo, existe um derivativo de taxa de juros que é o contrato de DI futuro. Esse contrato estabelece quanto será a taxa de juros no futuro, focada geralmente em alguns meses ou anos, no médio para longo prazo. 

No fundo, isso é como se fosse uma aposta de que no futuro a taxa de juros irá convergir para aquele valor acordado no contrato de hedge, e ainda independe se suas oscilações são bem embasadas. A variação do valor do contrato se dá conforme vão mudando as perspectivas para a taxa de juros ao longo do tempo.

No fim do contrato, é aferido o valor real da taxa de juros e o valor acordado. As diferenças entre eles são liquidadas conforme a aposta, caso a taxa efetiva seja maior do que o valor acordado, o vendedor paga a diferença, e vice-versa.

E é então que o Hedge entra em ação. Ele utiliza de outros contratos para se proteger das oscilações de preço no investimento original, minimizando o impacto das ações do tempo em cima do ativo.

Um exemplo prático

Para entender de uma forma menos técnica e complexa, pense que hedge são produtores da economia real que precisam vender produtos futuramente e logo querem se proteger contra oscilações de preço.

Idealize em sua mente um produtor de cana de açúcar. A cana, como qualquer produto agrícola que existe, precisa ser plantada, colhida, ensacada e depois vendida. Todo esse processo demanda tempo entre o momento que se decide plantar e o momento da venda.

Como a cana é um produto muito exportado, a taxa de câmbio acaba por influenciar muito a receita do agricultor. Se foram produzidas 100 sacas do produto e no momento, a saca é exportada por US$ 2 a unidade. Imagine ainda que a taxa de câmbio seja de R$/US$ 5,00.

Assim, a receita do agricultor seria de US$ 200,00, o que traduzindo para reais (o que importa, já que ele está no Brasil) daria R$ 1.000,00. Agora imagine que a taxa de câmbio sofra uma apreciação e vá para R$ 3,00/US$, a receita do produtor seria de apenas R$ 600,00.

Isso mostra o quanto é importante a taxa de câmbio para ele, uma vez que precisa de alguma forma se proteger dessas oscilações. Não é mesmo? Pois saiba que essa blindagem patrimonial da sua produção de cana por ser feito através do hedge cambial.

Com esse mecanismo, esse agricultor consegue “travar” uma taxa de câmbio a que será vendida sua produção. Isso dá mais previsibilidade de receita para ele e esse tipo de estratégia é feita através de contratos futuros ou de opções, por exemplo.

Só que nada é de graça, como dizemos no mercado financeiro: "não existe almoço grátis". Como todo seguro, o Hedge também é pago. Dessa forma, ao se fazer um hedge, você abre mão de todo ganho possível mas está protegido.

Agora, um exemplo nos investimentos

Entendendo o básico do funcionamento, vamos ver um exemplo prático de como fazer um hedge, de fato, trazendo mais para a situação de um investidor. Considere que um investidor adquira 100 ações da Petrobrás por R$ 10,00, esperando que ela se valorize para R$ 15,00, tendo um ganho de R$ 5 por ação.

Por se tratar do mercado acionário classificado como renda variável, as coisas podem não se comportar como esperamos e de um momento para o outro, a ação pode cair. Nesse sentido, o investidor adquire uma opção de venda a R$ 9,00 daqui a um mês, isto é, ele adquire o direito (e não a obrigação) de vender a ação a R$ 9,00.

Passado esse primeiro mês, nada de evolutivo aconteceu que fosse benéfico e a ação despencou para R$ 5,00. Se o investidor não tivesse sido fixado pelo Hedge, teria um prejuízo de R$ 500,00, pois desembolsou R$ 1.000,00 na compra e depois, vendeu por apenas R$ 500,00.

Mas como o investidor já adquiriu a opção de venda por R$ 9,00, mesmo com o ativo no valor de R$ 5,00, ele pode vendê-la a R$ 9,00 e seu prejuízo será de apenas R$ 100,00, pois desembolsou R$ 1000,0 e depois, conseguiu vender por R$ 900,00.

Utilizar esse recurso é sempre uma opção e não obrigação. É bom ter isso nítido na mente, porque caso a ação evolua favoravelmente a R$ 15,00, como desejado no início, o investidor nada faz com sua opção e apenas vende no mercado por R$ 15,00, angariando um lucro de R$ 500,00.

Como qualquer seguro, a opção não cai do céu. Ter o direito de vender a ação pelo preço de R$ 9,00 custa um valor que pode ser entendido como o preço do seguro de seu carro. Ademais, todo seguro varia de carro para carro, e de benefício para benefício, por isso, o preço das opções também variam de acordo com o ativo subjacente.

Instrumentos de Hedge

Confira abaixo alguns instrumentos pelos quais o Hedge pode ser feito:

  • Contratos Futuros

O contrato futuro é uma forma mais direta de proteção. Simplesmente é acordado um valor entre o vendedor e o comprador do ativo que será válido no vencimento do contrato. Então, se o preço do ativo subir além daquele valor, o comprador ganha no vencimento. Caso contrário, o vendedor é quem ganha.

Aqui, o hedge é feito na medida que se “trava” o preço daquilo que está sendo negociado, podendo ser taxa de juros, câmbio ou preço de uma ação, no momento exato do acordo, do negócio.

Portanto o hedge é feito quando o investidor vai negociar o preço futuro em patamar que aceitar e achar razoável, dependendo do que acredita ser melhor dentro do cenário analisado. E em caso que evolua de forma ainda mais favorável, você não receberá o valor além daquele preço negociado. Por outro lado, se a evolução seja desfavorável, também não terá que pagar além do hedge fixado.

  • Opções

O contrato de opção, como o nome já sugere, te dá a opção, o direito (e não obrigação) de comprar ou vender um determinado ativo, por exemplo: ação, câmbio, taxa de juros ou qualquer outro tipo de título.

Inclusive, essa é a forma mais conhecida de fazer Hedge. Se pegarmos novamente o exemplo do agricultor, ele pode adquirir uma opção de vender sua produção à taxa de câmbio de R$/US$ 5,00. Se a taxa for para R$/US$ 3,00, basta ele executar a opção e angariar a receita com a primeira taxa de câmbio, sem sofrer com a oscilação.

Já se por acaso, o câmbio se desvalorizar ainda mais, o que também pode ser benéfico para o exportador, e ele nada faz, pode vender ao câmbio vigente.

  • Swap

O Swap significa “troca”, outro termo em inglês dentro do vocabulário dos investidores. No nosso caso, essa troca é de um ativo por outro e é feito como forma de trocar o risco dos investimentos.

Esse mercado só é possível pois os riscos e percepção de ativos são diferentes de agente para agente. Exemplificando melhor, é quando duas partes realizam uma operação de swap de Ibovespa por dólar, isto é, um agente troca o rendimento que o Ibovespa terá no futuro pelo rendimento que o dólar dará e vice-versa.

No vencimento do contrato se a valorização do dólar for inferior à do Ibovespa, o agente que “swapou”, ou seja, que trocou o rendimento do dólar pelo do Ibovespa, receberá a diferença entre essas duas variações.

Aqui, o Hedge é feito na medida que existe uma contraparte que assume o risco da operação. Se uma empresa possui dívidas em dólares, por exemplo, ela pode fazer esse tipo de operação com um banco, que seria a parte que assumiria o risco da desvalorização do dólar. Assim, caso a moeda americana suba mais do que aquele valor acordado, a instituição bancária é quem terá de honrar essa alta, além do fixado.

Conheça um fundo com Hedge cambial

Outro exemplo muito bom para entender o conceito é quando o Hedge se baseia no uso do dólar como estratégia de proteção para outros ativos ou operações. Como já falamos, pode ser utilizado se a empresa possui dívidas em moeda estrangeira e quer se proteger das variações das cotações com contratos futuros.

É o caso do IBIUNA HEDGE ST MASTER FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO que tem como objetivo buscar a valorização de suas cotas por meio da aplicação dos recursos dos seus cotistas.

A rentabilidade se dá através das oportunidades oferecidas pelos mercados de taxa de juros pós-fixadas e pré-fixadas, índices de preço, moeda estrangeira e renda variável de forma que o fundo fique exposto a vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator especial.

O fundo investido também é destinado a receber aplicações de um público restrito de investidores, enquadrados ou não como investidores qualificados. Além disso, sua política de investimento consiste na aplicação de, no mínimo, 95% do seu patrimônio líquido em cotas do fundo.

Atualmente, o IBIUNA HEDGE ST MASTER FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO apresentou rentabilidade de 6,37% nos últimos 12 meses, com patrimônio líquido de R$ 2,74 bilhões e conta com mais de 50 mil cotistas.

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Devo incluir investimentos com Hedge na minha carteira?

Até aqui, é normal passar a considerar incluir investimentos com Hedge na sua carteira, já que serve como um princípio básico de proteção e também vai ao encontro do mercado internacional, buscando dolorizar a sua receita.

As operações de Hedge fazem parte do mercado financeiro, pois somos avessos ao risco por natureza (uns mais do que os outros) e buscamos sempre a proteção para o nosso dinheiro. O que quer dizer que isso pode ser necessário.

Como qualquer seguro, é algo que tem seus custos e que devem ser levados em consideração. Sendo assim, ao optar pelo Hedge, o investidor pode fixar o preço do negócio e ter mais previsibilidade. Por mais que o ganho pode não ser o máximo, o prejuízo também não será o pior para o seu bolso ao se executar essa estratégia.

Além disso, existem diversos instrumentos de Hedge. Tenha sempre em mente que deve se investir “hedgeando” suas aplicações mais arriscadas e escolha o melhor seguro a se ter, podendo contar com um especialista do seu lado para te ajudar a prever as movimentações do mercado, como um assessor de investimentos. / PRODUÇÃO FEITA POR GABRIELA BULHÕES

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