Mercado Financeiro

A renda variável desandou em ações e dólar, seus dois principais segmentos, em agosto. O mês foi da renda fixa, que ocupou o topo do ranking dos investimentos.

A Bolsa de valores de São Paulo, B3, ocupou o último lugar no ranking de investimentos, com desvalorização de 2,48%. O dólar também fechou no negativo, com queda de 0,77%.

Os cálculos são do administrador de investimentos, Fábio Colombo

Títulos indexados à inflação no topo do ranking dos investimentos

A liderança coube à renda fixa, tendo à frente os títulos indexados à inflação. Beneficiados pela aceleração do IPCA, renderam na faixa entre 0,85% e 0,95% bruto, acima da inflação de 0,66% estimada para o mês.

A inflação em alta foi uma das fontes de preocupação dos investidores, mas o que afetou os mercados foram as incertezas com a crise política e a desconfiança com a sustentação do equilíbrio das contas públicas. A tensão entre os Poderes, pelos ataques do presidente Bolsonaro a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em um ambiente de muitas incertezas, gerou mal-estar nos investidores.

“O ruído político aumentou nos últimos 45 dias, o que, somado à preocupação com a questão fiscal, diante das reformas que não andam e do imbróglio com os precatórios, estressou muito o mercado financeiro”, analisa Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

O economista diz que o ambiente doméstico ruim e algumas incertezas internacionais, como indicadores econômicos ruins na China, dúvidas em relação à variante delta da covid-19 e à política monetária dos EUA, contribuíram para o fechamento negativo da B3 e a força do dólar.

O mau humor dos mercados, acrescenta Bertotti, refletiu ainda o desconforto com a inflação em alta e as revisões para baixo nas previsões de crescimento do PIB, de acordo com os dados do boletim Focus.

Vendas de institucionais deprimem a bolsa

O mercado de ações passou por uma pressão vendedora mais forte ao longo de agosto, apesar do saldo positivo do fluxo de capital estrangeiro na bolsa. A média de agosto, de acordo com Bertotti, registra fluxo superavitário de R$ 6,5 bilhões, o que significa que “o investidor estrangeiro está vendo o Brasil (ações brasileiras) barato”.

O economista da Messem diz que o que tem deprimido a bolsa são as vendas de investidores institucionais, os grandes fundos, multimercados e bancos. Um volume de resgates que, na média, chega a R$ 7,2 bilhões em agosto. Um dos motivos das vendas pelos institucionais, segundo o economista da Messem, seria a elevação da curva dos juros futuros, que aumenta a atratividade da renda fixa em aplicações mais longas, comparada com uma renda variável ainda com uma trajetória bastante incerta.

O fluxo de capital estrangeiro para a compra de ações no mercado doméstico seria um dos freios ao avanço mais forte do dólar, que encostou em R$ 5,47, em 21 de agosto, mas não teve sustentação e fechou o mês cotado por R$ 5,17. Um preço próximo do de R$ 5,15, o mais recente estimado por analistas do Focus para o fechamento do ano.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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