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Ministério da Indústria e Comércio da Rússia pede a suspensão das exportações de fertilizantes
Economia

Ministério da Indústria e Comércio da Rússia pede a suspensão das exportações de fertilizantes

Órgão governamental alegou problemas de logística, segundo comunicado

Data de publicação:04/03/2022 às 15:39 -
Atualizado 2 anos atrás
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O Ministério da Indústria e Comércio da Rússia recomendou que os produtores de fertilizantes russos suspendam os embarques de exportação em meio a problemas de logística, segundo comunicado divulgado pelo órgão governamental nesta sexta-feira, 4, para a imprensa.

Ministério da Indústria e Comércio russo pede a interrupção das exportações de fertilizantes
Ministério russo pede a suspensão de embarques de fertilizantes para outros países - Foto: PIXNIO

“Devido à sabotagem das entregas de fertilizantes por parte de várias empresas de logística estrangeiras, os agricultores da Europa e de outros países podem não receber os volumes de fertilizantes contratados”, enfatizou.

No documento, o ministério ressalta ainda que esse pedido de suspensão dos embarques seja mantido até que haja garantia de entrega dos fertilizantes na íntegra.

“Tendo em conta a situação atual com o trabalho dos operadores logísticos estrangeiros e os riscos a eles associados, o Ministério da Indústria e Comércio da Rússia foi obrigado a recomendar aos produtores russos a suspensão temporária até que os transportadores retomem o ritmo de trabalho e forneçam garantias para as entregas de fertilizantes russos na íntegra”.

Brasil pode ser prejudicado com essa suspensão

Essa suspensão pode complicar o acesso a insumos agrícolas por parte dos agricultores brasileiros. Segundo dados do Ministério da Economia, 23% do produto importado pelo País vem da Rússia. O agronegócio brasileiro é o quarto maior consumidor do produto, ficando atrás somente de países como a China, Índia e Estados Unidos.

Os fertilizante é o produto mais comprado da Rússia pelo Brasil, respondendo por cerca de 60% dos US$ 5,9 bilhões importados do país no ano passado.

No último domingo, 27, o presidente Jair Bolsonaro, em entrevista coletiva, afirmou que pretende manter certo “equilíbrio” sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia justamente por conta da dependência brasileira dos fertilizantes vindos do país de Vladimir Putin.

“Para nós, a questão do fertilizante é sagrada”, disse o chefe do Executivo, que esteve na Rússia uma semana antes da guerra com a justificativa de garantir o fluxo de fertilizantes ao país.

.A dependência do Brasil dos fertilizantes vindos de fora aumentou depois que foram fechadas três fábricas de fertilizantes da Petrobras durante o governo do ex-presidente Michel Temer.

Por conta dessa dependência, o Palácio do Planalto acendeu o sinal de preocupação, com receio dos impactos das sanções do Ocidente contra Moscou e a interrupção do fluxo de navios cargueiros saindo dos portos russos.

Falta de potássio, um dos ingredientes mais importantes dos insumos agrícolas

Na última quarta-feira, 2, Bolsonaro afirmou que o Brasil corre o risco de lidar com a falta de potássio, mineral presente em fertilizantes, ou com o aumento do preço desse insumo. Para ele, a aprovação do Projeto de Lei 191/2020, apresentado pelo governo federal para obter autorização para explorar recursos em terras indígenas – ajudaria a resolver uma parte do problema.

Essencial para diversos tipos de cultivo, o potássio é um dos minérios mais importantes para a indústria de fertilizantes e, junto com o nitrogênio e o fósforo, integra os macronutrientes de maior relevância para o aumento da produtividade no campo.

Além da Rússia, a Bielorrússia também exporta boa parte desse mineral para o Brasil - o equivalente a 6,1% do total, frente a 20% da Rússia -, mas o país também é alvo de sanções econômicas por ser o principal aliado russo.

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