Mercado Financeiro

O ambiente doméstico de tensão política e instabilidade econômica tende a continuar dando tom ao mercado financeiro nesta sexta-feira, 6. Mas o cenário externo, que teve uma agenda econômica fraca nesta semana, deve atrair também o interesse dos investidores.

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Mercado financeiro se preocupa com instabilidade política e econômica no País - Foto: Envato

A preocupação com o controle das contas públicas, colocadas sob risco pelas propostas de remodelação de programas sociais, e com o acirramento da tensão política, pelos ataques do presidente Bolsonaro a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), deve dividir atenção com dados sobre o mercado de trabalho que serão divulgados hoje nos EUA.

A instabilidade nas duas frentes, política e econômica, faz parte do radar dos investidores há algum tempo, mas ganhou contornos mais preocupantes nos últimos dias e os investidores não disfarçam o sentimento de mal-estar. A Bolsa de Valores patina no nível de 121 mil pontos com que começou o mês e acumula duas quedas consecutivas.

O sentimento de desconforto entre investidores e gestores de mercado não permitiu que nem a escalada das ações da Petrobras, com valorização superior a 9% após a divulgação de um balanço com resultado acima das expectativas, sustentasse com sinal positivo o Índice Bovespa (Ibovespa), que encerrou o pregão com baixa de 0,14%.

O dólar, apesar da Selic mais elevada que amplia a diferença entre os juros domésticos e os juros no exterior e poderia atrair capitais para aplicação em renda fixa no País, se mantém mais inclinado à alta e acima de R$ 5,20.

Especialistas afirmam que apesar do aumento de atratividade dos juros domésticos, comparados com taxas próximas de zero e até negativas no exterior, o investidor estrangeiro permanece cauteloso, justamente por causa das incertezas políticas. Prefere a segurança à rentabilidade.

Mercado externo

O cenário externo volta a chamar a atenção nesta sexta-feira, desta vez para o relatório com dados sobre a criação de vagas de trabalho que será divulgado nos Estados Unidos.

Em meio a debates sobre o ritmo da atividade econômica e a dinâmica da inflação americana, analistas entendem que os dados poderão dar alguma sinalização sobre o rumo que a política de estímulos monetários poderá tomar nos EUA.

A semana se encerra no mercado financeiro com a divulgação de mais três balanços trimestrais hoje, com destaque para o de M Dias Branco, empresa do setor de alimentos, que costuma fazer parte das recomendações das casas de análise.

Voto impresso

No cenário local, a comissão especial da Câmara dos Deputados rejeitou na noite do dia anterior uma proposta para a adoção do voto impresso pelas urnas eletrônicas, em uma importante derrota para o presidente Jair Bolsonaro.

Por 23 votos a 11, o colegiado decidiu se posicionar contrariamente ao parecer do relator Filipe Barros, mesmo ele tendo apresentado na véspera um substitutivo com alterações à proposta a fim de angariar apoio.

Um acordo para acelerar a votação da proposta foi acertado por dirigentes partidários em meio à escalada da tensão entre Bolsonaro e a cúpula do Poder Judiciário, em especial o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre o voto impresso.

Sob ameaças de não haver eleições, Bolsonaro acusou o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, de interferir nas discussões da Câmara para evitar a aprovação da proposta.

Apesar da rejeição pela comissão, mais cedo o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que a proposta poderia ser votada pelo plenário da Casa mesmo se fosse rejeitada pelo colegiado.

Wall Street: futuros estáveis

Nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York operam com os futuros próximo da estabilidade, com os investidores no aguardo da divulgação do payroll de julho e que pode influenciar os próximos passos da política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

A mediana das estimativas de 26 analistas indica criação de 900 mil vagas. Porém, dados fracos podem exacerbar as preocupações de que a recuperação da pandemia esteja perdendo força.

Em contrapartida, um número robusto pode amenizar o receio de uma reflação vinculada à abertura econômica- desde que os mercados não se assustem com o argumento de que tais dados fortalecem o caso para o Fed reduzir sua compra de títulos.

Os últimos comentários do Fed, pelo membro Christopher Waller, vieram na direção otimista sobre essas perspectivas, além de sinalizar que a política acomodatícia pode ser retirada mais cedo do que algumas pessoas esperam.

O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, espera um mercado de trabalho forte no outono, mas também sinalizou os riscos da variante delta.

CPI da Covid

O colegiado da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado ouviu na véspera o ex-assessor especial do Ministério da Saúde Airton Antônio Soligo, conhecido como "Cascavel", que atuou no cargo durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Ele declarou que foi um "colaborador eventual" da pasta antes de sua contratação. Em 2020, a imprensa revelou a atuação informal do empresário no Ministério.

Sobre sua chegada ao ministério, ele afirmou que inicialmente foi convidado para ser assessor por dez dias pelo então ministro Nelson Teich, que logo saiu do ministério, quando Pazuello assumiu e o nomeou.

Soligo também negou que tenha atuado na negociação da compra de vacinas, segundo ele, sua atuação era na articulação política, negando saber sobre negociação de preços e quantidades, afirmando que negociações no ministério nesse âmbito, pelo que ele sabe, começaram entre junho e julho do ano passado, com a Fiocruz.

Bolsas asiáticas fecham em queda

 As bolsas da Ásia fecharam sem direção única nesta sexta-feira, mas o quadro negativo prevaleceu. Na Bolsa de Tóquio, houve ganhos, impulsionados em parte por ações ligadas ao setor de energia, enquanto Xangai caiu, com papéis de farmacêuticas sob pressão.

Em Tóquio, o índice Nikkei fechou em alta de 0,33%, aos 27.820,04 pontos. A Oanda afirma que, após dados mais fracos do que o previsto hoje de gastos dos consumidores no país, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês pode passar por revisão em baixa para todo o ano atual.

Já na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,24%, aos 3.458,23 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,16%, aos 2.443,06 pontos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,01%, aos 26.201,02 pontos. O índice chegou a recuar 0,7% durante o pregão, mas reduziu perdas adiante. Em Taiwan, o índice Taiex fechou em queda de 0,44%, aos 17.526,28 pontos.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi terminou em baixa de 0,18%, aos 3.270,36 pontos. Ações ligadas ao varejo e à tecnologia estiveram pressionadas em Seul. Além disso, a decisão do governo sul-coreano de estender regras de distanciamento social mais rígidas diante de nova alta em casos da covid-19 prejudicou o sentimento.

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 terminou em alta de 0,36%, aos 7.538,40 pontos, recorde histórico de fechamento pelo terceiro dia consecutivo. Ações dos setores financeiro e de tecnologia puxaram o movimento no mercado australiano nesta sexta-feira. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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