Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em ligeira queda de 0,14% nesta quinta-feira, 5, marcando 121.632,92 pontos, influenciada, principalmente, pela forte desvalorização no preço das ações da Vale e outras empresas do setor siderúrgico. Também pesaram no mercado o posicionamento mais duro do Banco Central, emitido logo após a reunião do Copom, com a sinalização de que pode repetir alta acentuada da Selic em setembro.

O dólar, que começou o pregão em baixa, inverteu o sinal e fechou o dia com valorização. A moeda americana à vista avançou 1,0%, cotada a R$ 5,22.

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Moeda americana recua no cenário local guiada pelos movimentos do exterior - Foto: Envato

As mineradoras e siderúrgicas despencaram hoje refletindo a baixa acentuada do preço do minério de ferro na China. Vale, CSN, Usiminas e Gerdau recuaram 3,19%, 4,23%, 1,59% e 2,34%, respectivamente.

No sentido contrário, a valorização das ações da Petrobras após a divulgação do balanço trimestral da companhia, que superou as expectativas, seguraram uma queda mais acentuada do Ibovespa neste pregão.

Segundo balanço divulgado pela companhia aos acionistas na noite anterior, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 42,85 bilhões, no período de abril a junho deste ano. O montante representou uma alta de 3.572,2% ante o primeiro trimestre deste ano. A projeção do mercado era de R$ 25 bilhões. As ações da petroleira dispararam 7,76% na B3.

Aumento da Selic

A elevação de um ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, que subiu de 4,25% ao ano para 5,25% na noite da véspera, de acordo com as expectativas de analistas e economistas, não causou reações bruscas ou inesperadas no mercado financeiro.

O comunicado mais firme do Copom deixou clara a preocupação do BC com a persistência da inflação além de adiantar a possibilidade de novo aumento de 1 ponto porcentual na Selic no próximo encontro do Copom, em setembro. Portanto, foi a perspectiva de continuidade de novos saltos dos juros nos próximos meses que mais mexeu com o mercado.

Cenário político e fiscal

A tensão no cenário político e fiscal do País mantém os investidores em estado de atenção. O presidente da Câmara, Arthur Lira disse na tarde do dia anterior que o Fundo Brasil, que será criado para bancar o pagamento de precatórios e benefícios sociais, não precisa estar dentro do teto de gastos, dispositivo que proíbe que as despesas cresçam mais que a inflação.

Além disso, a Câmara aprovou a urgência de proposta de reforma tributária do Imposto de Renda por 278 a 158 votos, permitindo que o texto fure a fila e possa ser pautada em plenário imediatamente.

Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu notícia-crime enviada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o presidente Jair Bolsonaro seja investigado no inquérito das fake news.

Sobe e desce da B3

Assim como as siderúrgicas, os bancos também reportaram desempenho negativo. Os papéis do Santander e Bradesco caíram 0,11% e 0,90%, na sequência. O Itaú, por sua vez, conseguiu virar o sinal no fim do pregão e fechou em ligeira alta de 0,10%.

Após divulgar seus resultados do segundo trimestre - lucro líquido ajustado de R$ 5,039 bilhões, alta de 52,5% ante o mesmo período de 2020 - o Banco do Brasil também registrou perdas, após operar em alta ao longo da manhã. No final do dia, as ações do banco apresentaram queda de 1,43%.

Uma das estreias mais esperadas na Bolsa aconteceu hoje com a chegada da Raízen no pregão. Os papéis da companhia chegaram a atingir mais de 1,3% de alta, porém perderam força e e fecharam em baixa de 2,70%.

Na última terça-feira, a companhia precificou sua oferta inicial de ações a R$ 7,40 por papel e movimentou R$ 6,9 bilhões, considerado o maior IPO do ano na Bolsa brasileira.

Também com seus números apresentados aos acionistas, as empresas Lojas Quero-Quero e AES Brasil fecharam com perdas na B3. As ações desvalorizaram 3,39% e 1,79%, respectivamente. Já a Totvs seguiu o rumo oposto, após trafegar em queda. Os papéis da companhia registraram valorização de 1,32%.

O Mercado Livre também comunicou seu desempenho trimestral no âmbito global e no Brasil. A BDR da empresa na Bolsa avançou 11,93%.

Wall Street: bolsas em alta

Nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York fecharam em alta, com os investidores digerindo os últimos dados sobre o auxílio-desemprego no país, além dos discursos do Fed sobre previsões para o tapering. O índice S&P 500 subiu 0,60%, Dow Jones valorizou 0,78% e Nasdaq 100 registrou alta de 0,65%.

Segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho nesta quinta-feira, os pedidos de auxílio-desemprego americano caíram 14 mil na semana, somando 385 mil. O resultado veio em linha com a previsão dos analistas.

O total da semana anterior foi revisado para baixo, de 400 mil para 399 mil pedidos. O número de pedidos continuados, por sua vez, apresentou recuo de 366 mil na semana encerrada em 24 de julho, a 2,930 milhões.

"A recuperação do mercado de trabalho é extremamente desigual e sugere que a economia continua tendo dificuldades para adequar os indivíduos às atuais vagas de trabalho." Segundo Edward Moya, analista da Oanda, um fator sazonal pode contribuir para um resultado acima do esperado no payroll, que será divulgado nesta sexta-feira, 6.

Já os resultados da balança comercial do país trouxeram más notícias para a economia do país. O déficit comercial dos Estados Unidos avançou de US$ 71,0 bilhões em maio a US$ 75,7 bilhões em junho, informou o Departamento do Comércio. Analistas previam US$ 74,2 bilhões.

O relatório sobre o dado informa que as exportações dos EUA ficaram em US$ 207,7 bilhões em junho, alta mensal de 0,6%. Já as importações cresceram 2,1%, a US$ 283,4 bilhões.

O documento ressalta que a pandemia global de coronavírus e o quadro de recuperação continuavam a afetar o comércio internacional em junho.

Richard Clarida, vice-presidente do Fed, afirmou que se vê apoiando o anúncio de tapering ainda neste ano, caso suas previsões econômicas se concretizem. As condições para altas de juros, por sua vez, podem ser alcançadas até o fim de 2022, na visão dele, o que abriria caminho para o aperto monetário em 2023.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard (não vota), defendeu que o banco central americano atue "antes e mais rápido" no 'tapering' e que este processo seja concluído até o fim do primeiro trimestre de 2022.

Além disso, o presidente da distrital de Dallas, Robert Kaplan (não vota), disse que os EUA devem começar a reduzir seu programa de compra de títulos "em breve" e gradualmente.

CPI da Covid: Airton Cascavel

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ouve nesta quinta-feira o empresário Airton Antonio Soligo, conhecido como Airton Cascavel. Ele teria atuado informalmente como o braço direito do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante meses, mesmo sem ter qualquer vínculo com o setor público.

De acordo com a comissão, Cascavel é amigo do Pazuello e participou de agendas públicas e reuniões com o ex-ministro. Quando descobriram a informalidade, o general da ativa o nomeou assessor especial, cargo ocupado de junho de 2020 a março de 2021.

Cascavel entrou com habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal para poder não comparecer à audiência ou, caso compareça, não precisar responder às perguntas ou se comprometer a dizer a verdade. 

O pedido foi analisado pelo ministro Gilmar Mendes, que assegurou ao empresário o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo. Na opinião da maioria dos gestores estaduais e municipais, Cascavel era o "ministro de fato" da pasta.

Da estrita confiança de Pazuello, era ele quem "desenrolava" a maior parte das pendências burocráticas e demandas logísticas com os estados e municípios, como entrega de respiradores, lotes de vacina, equipamentos para leitos de UTI, negociações com laboratórios etc.

Bolsas asiáticas fecham mistas

Os mercados acionários da Ásia fecharam sem sinal único nesta quinta-feira. Na Bolsa de Tóquio, houve alta em meio à temporada de balanços, mas Xangai recuou em dia de fraqueza para petroquímicas e mineradoras e com os riscos da covid-19 novamente no radar.

No Japão, o índice Nikkei subiu 0,52%, aos 27.728,12 pontos em Tóquio. Por outro lado, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,31%, aos 3.466,55 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,75%, aos 2.560,47 pontos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve queda de 0,84%, aos 26.204,69 pontos. O índice tem oscilado dentro de uma faixa, nas últimas semanas, com investidores atentos a possíveis novas investidas regulatórias da China sobre o setor de tecnologia e games, bem como à pandemia e seus efeitos.

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi registrou baixa de 0,13%, aos 3.276,13 pontos, após três pregões seguidos de ganhos. Houve quedas em ações ligadas ao varejo e a viagens, diante de temores com a covid-19, após a Coreia do Sul se aproximar novamente de seu recorde de casos diários registrados do vírus. Em Taiwan, o índice Taiex perdeu 0,12%, aos 17.603,12 pontos.

Na Oceania, em Sydney o índice S&P/ASX 200 terminou em alta de 0,11%, aos 7.779,60 pontos, o suficiente para renovar recorde histórico de fechamento. Ações dos setores financeiro, de saúde e de consumo puxaram o movimento positivo. / com Tom Morooka e Agência Estado

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