Mercado Financeiro

O mercado financeiro deve enfrentar muita volatilidade nesta semana, apesar da agenda relativamente fraca de eventos, principalmente no exterior, de acordo com especialistas e gestores de mercado.

Os desdobramentos de decisões e sinalizações das reuniões de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, no Brasil e do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), na quarta-feira da semana passada, continuarão sendo o tema predominante no mercado.

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Decisões e sinalizações sobre as políticas monetárias brasileira e americana devem atingir o mercado nesta semana - Foto: Envato

O Copom aumentou mais 0,75 ponto porcentual, pela terceira vez seguida, a taxa básica de juros, a Selic, para 4,25% ao ano. A diferença é que, desta vez, adotou um tom mais duro no comunicado pós-Copom que, para analistas, sugere a possibilidade de aperto mais forte na política monetária se não houver melhora nas expectativas de inflação para 2022.

O Fed, por sua vez, manteve a taxa de juros americana de curto prazo no intervalo de zero a 0,20% ao ano, mas deu a entender que a economia sofre pressões pontuais de inflação e antecipou o reajuste dos juros, previsto inicialmente para 2024, para 2023, com dois aumentos.

No cenário doméstico, três eventos relacionados à dupla inflação/juros poderão apimentar o debate entre especialistas de mercado ao longo desta semana. O relatório Focus que será divulgado nesta segunda-feira, 21, trará as novas projeções de indicadores econômicos de analistas e economistas do mercado à luz do comunicado mais duro pós-Copom.

Na terça-feira, às 8h, será divulgada a ata do Copom, que pode explicitar melhor as expectativas de inflação e juros do Banco Central e do mercado, os motivos da adoção de uma linguagem mais dura sobre a condução da política monetária e os possíveis próximos passos da trajetória da Selic.

Mudança no discurso do Fed pode afetar o mercado

Em uma semana de agenda fraca nos EUA em relação a indicadores econômicos, deverá atrair a atenção do mercado financeiro global, incluído o doméstico, nesta terça-feira, o pronunciamento do presidente do Fed, Jerome Powell, em comitê econômico da instituição. 

A expectativa de parte dos analistas é que Powell dê alguma sinalização de que poderá mudar em breve o tom moderado no discurso do Fed para conter uma inflação mais estressada.

Com a inflação atraindo intensamente a atenção dos mercados, o Banco Central divulga na quinta-feira, 24, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). No dia seguinte, será conhecido o IPCA-15 de junho, considerado prévia da inflação oficial, estimado pelo mercado em 0,85%.

Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, diz que o debate sobre a inflação passou a atrair a atenção do mercado porque é um fenômeno global, generalizado, não restrito ao Brasil. “Inflação em alta pressiona em escala global juros e tudo que é ativo real, incluindo commodities e dólar.”

Para além de dados e indicadores econômicos, o comportamento das bolsas americanas também entrará na pauta de cada dia, afirma Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos,. “É uma semana em que elas devem passar por forte volatilidade”, acredita, movimentos que influenciam a trajetória da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.

NY: futuros em alta

Nos Estados Unidos, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em alta  com o mercado refletindo a guinada hawkish (mais dura) do Fed sobre a inflação e o retorno da discussão sobre tapering, o processo de retirada de estímulos à economia.

Na última sexta-feira, o índice Dow Jones caiu 1,58%, aos 33.290,08 pontos, enquanto o S&P 500 teve baixa de 1,31%, aos 4.166,45 pontos, e o Nasdaq recuou 0,92%, aos 14.030,38 pontos. Na comparação com o fechamento da semana anterior, as quedas foram de 3,45%, 1,91% e 0,28%, respectivamente, com o Dow Jones no pior desempenho semanal desde outubro.

Os investidores prestarão muita atenção às aparições nesta semana de representantes do Fed, incluindo o presidente Jerome Powell, para obter mais orientações sobre um possível cronograma para reduzir as compras de ativos.

Na última sexta-feira, o presidente da distrital do Fed em St. Louis, James Bullard, reforçou que a autoridade monetária americana iniciou a discussão sobre o processo de retirada de estímulos à economia do país. Ele também disse esperar uma elevação da taxa básica de juros no próximo ano.

Desde que a decisão de política monetária da instituição indicou que a maioria dos dirigentes espera um aumento de juros em 2023, os mercados acionários vêm sendo pressionados.

"Concordamos que o mercado de ações está respondendo ao Fed potencialmente aumentando os juros, embora não mais rápido do que o esperado - o Fed há algum tempo indica um prazo provável de 2023", aponta a Stifel. O movimento ocorre sobretudo por isso e "não por causa do aumento da inflação - já que a inflação mencionada está se comportando como previsto", segundo a consultoria.

CPI da Covid: 500 mil mortes

No cenário doméstico, os desdobramentos dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado seguem na pauta de atenção do mercado.

A cúpula e outros integrantes da CPI da Covid lamentaram a marca de 500 mil mortes provocadas pela covid-19 no Brasil, registrada no último sábado, 19. Em nota, os senadores disseram assegurar que os responsáveis por esse quadro "devastador e desumano" pagarão por seus "erros, omissões, desprezos e deboches", e que os culpados serão "punidos exemplarmente".

Na última sexta-feira, após dois meses de funcionamento, a CPI avançou para uma nova etapa ao transformar 14 testemunhas em investigados, sendo a maioria dos nomes ligada ao presidente Jair Bolsonaro.

A lista de 14 pessoas foi anunciada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros, e inclui o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; o general Eduardo Pazuello, ex-titular da pasta; e o ex-chanceler Ernesto Araújo, além de integrantes do chamado "gabinete paralelo", núcleo de assessoramento do presidente na condução da pandemia.

Renan também afirmou que avalia incluir o próprio presidente na relação, mas que a competência de a CPI para investigar o presidente diretamente ainda é analisada.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira, com a de Tóquio liderando as perdas, após os mercados acionários de Nova York se enfraquecerem na última sexta-feira, 18, em meio a temores gerados pela perspectiva de aperto da política monetária nos EUA.

Uma das missões do Fed é manter a inflação sob controle. O receio é que a tendência de alta da inflação global leve grandes BCs a reverter os agressivos estímulos que adotaram em reação à pandemia da covid-19 antes do previsto.

O índice Nikkei sofreu tombo de 3,29% em Tóquio hoje, aos 28.010,93 pontos. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng caiu 1,08% em Hong Kong, aos 28.489,00 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,83% em Seul, aos 3.240,79 pontos, e o Taiex registrou perda de 1,48% em Taiwan, aos 17.062,98 pontos.

Já na China continental, os mercados conseguiram driblar o mau humor hoje, após o BC local manter suas principais taxas de juros inalteradas pelo 14º mês consecutivo. O Xangai Composto subiu 0,12%, aos 3.529,18 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,74%, aos 2.396,20 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés predominantemente negativo da região asiática, e o S&P/ASX 200 teve a maior queda em mais de um mês em Sydney, de 1,81%, aos 7.235,30 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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