Mercado Financeiro

O mercado financeiro chega a esta sexta-feira, 8, para o fechamento da semana com o foco voltado à divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro. O índice que mede a inflação oficial será conhecido às 9h, portanto antes da abertura dos negócios nos mercados.

A expectativa de consenso dos analistas é de uma elevação de 1,25%, ligeiramente acima do IPCA-15, de 1,14%, considerado prévia de inflação oficial, calculado e divulgado pelo IBGE em 24 de setembro.

Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campo Neto, prevê que setembro marcará o pico de inflação, que passaria a traçar doravante curva descendente e achatar também a variação acumulada em 12 meses, que pode chegar a 10,33% com o IPCA de setembro, se forem confirmadas as projeções de especialistas e analistas.

Inflação e juros, além do ajuste das contas públicas, continuam sendo uma das principais preocupações do mercado financeiro, que teve ontem mais um dia de relativa estabilidade da bolsa de valores e nova alta do dólar.

Mercado está sem tração para reagir

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3,continuou marcando passo em torno dos 110.550 pontos pelo quarto dia consecutivo. Fechou o pregão de ontem com valorização residual de 0,02%, em 110.582,45 pontos, sem tração suficiente para acompanhar as bolsas internacionais, que tiveram desempenho positivo principalmente nos Estados Unidos.

O mercado de ações americano reagiu bem à perspectiva de um acordo nas negociações no Congresso dos EUA que pode elevar o teto da dívida americana, pelo menos temporariamente, até dezembro.

A expectativa de investidores e gestores de mercado nesta sexta-feira está voltada, no cenário externo, aos dados de mercado de trabalho nos EUA, com a divulgação do Relatório de Emprego, que podem trazer à tona e acirrar o debate em torno de mudanças na política monetária americana.

Principalmente se os dados indicarem aquecimento do mercado de trabalho e, portanto, possível pressão sobre a inflação, o que reforçaria a ideia de que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) pode iniciar o corte gradual nas recompras de títulos já em novembro. Uma decisão que enxugaria a oferta de recursos no sistema financeiro e pode exercer pressão baixista sobre o mercado de ações e de alta sobre o dólar.

Bolsonaro e a inflação

Com a inflação no centro das atenções dos investidores no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou sobre o tema. Em sua live semanal, na noite do dia anterior, pediu que aqueles que o criticam por causa da escalada inflacionária no Brasil apresentem a ele soluções para combater o problema.

Bolsonaro voltou a reconhecer o aumento dos preços, mas relativizou a crise ao dizer que a alta acontece em todo o mundo, e não só no País.

Ao comparar preços de produtos no Brasil e em outros países, como os Estados Unidos, Bolsonaro afirmou: "Tá reclamando que tá alto aqui? Lá também está. Essa crise é no mundo todo. Não é só no Brasil", disse, para depois convocar a população a trazer medidas para conter o problema da inflação.

"Algumas pessoas dizem que eu tenho que fazer algo mais. Algo mais o quê? Dá exemplo. Outro dia me deram sugestão: para reduzir preço da carne, proíba exportação por 30 dias. Quem fez isso foi a Argentina. Isso gerou depois alta de preços e desabastecimento", afirmou.

Bolsonaro voltou a culpar a pandemia e as medidas restritivas pela debacle na economia, mas sustentou que o País foi um dos que menos sofreu nesta área por causa da Covid-19. Ao citar nações que estão enfrentando crise econômica, ele novamente citou a Argentina como exemplo negativo. "Um vizinho pobre é ruim para o Brasil", lamentou.

O presidente também falou, mais uma vez, sobre a alta nos combustíveis e disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, tem ajudado o governo a achar soluções para redução nos preços, como a mudança na incidência do ICMS sobre o produto.

"Se o ICMS não incidir sobre o valor da refinaria na gasolina, ou em cima do etanol da usina, a gente vai ficar vivendo essa incerteza o tempo todo", declarou.

PEC 110

As questões fiscais no País ganham novos capítulos a cada dia. O senador Roberto Rocha (PSDB-MA), relator da PEC 110 no Senado, disse durante Broadcast que não está em discussão neste momento a volta de um imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) como forma de compensar uma eventual desoneração da folha de pagamento.

Antes de Rocha apresentar ao Senado o seu parecer sobre a PEC 110, ele se reuniu com empresários e estes pediram a volta de uma contribuição parecida com a CPMF para compensar a desoneração da folha.

Rocha admitiu ter dito aos empresários que não teria nenhum preconceito em discutir a questão. Até porque, segundo ele, por conta do sistema eletrônico e do nível de modernização do sistema bancário brasileiro, o Brasil tem condições, com uma contribuição nos moldes da CPMF, de descobrir onde está o dinheiro roubado, fruto de lavagem, e do dinheiro de sonegação.

De acordo com ele, não precisaria ser uma alíquota alta como era antes. Se fosse algo como 0,1% numa única ponta, se arrecadaria anualmente algo como R$ 50 bilhões.

"R$ 50 bilhões é o IPI. É o que o IPI arrecada por ano. R$ 50 bilhões será 1 ponto do IVA. O que quero dizer é que neste momento não está em discussão isso seja com que nome for. Não está em discussão", disse.

De acordo com o senador, "o que está sendo colocado no combo para a reforma tributária ampla é a PEC 110 mais o Imposto de Renda, com as devidas alterações, mais o imposto seletivo, mais o passaporte tributário, que tem o Refis".

"Esses quatro projetos que estão na Câmara e no Senado se constituem num combo que para mim é uma necessidade nesse momento que é a nossa reforma tributária ampla. Essa discussão de que vai criar outro mecanismo para desonerar folha vai ser lá na frente, em outro governo", disse.

Wall Street e o mundo

No exterior, os investidores estão em compasso de espera para a divulgação do payroll, o relatório de empregos do país, que acontece às 9h30 (horário de Brasília). Os futuros operam no positivo nas bolsas de Nova York.

Os números de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA divulgados na véspera apontaram um mercado de trabalho mais saudável do que o esperado por analistas e, juntamente com os dados da ADP de geração de vagas no setor privado, alimentam as expectativas para o payroll.

A mediana das estimativas aponta para abertura de 500 mil postos de trabalho, o que seria suficiente para sustentar o anúncio da retirada de estímulos pelo Federal Reserve na reunião de novembro de política monetária.

O acordo selado entre democratas e republicanos para elevar o teto da dívida dos Estados Unidos, ainda que temporariamente, ajuda a manter o mercado mais animado. Caso não fosse aprovado, seria um calote federal sem precedentes em Washington.

“Se isso der certo, então a data de morte em 18 de outubro não se sustenta mais e é por isso que os mercados estão suspirando aliviados", dizem analistas do BBH, referindo-se ao risco de default caso o teto da dívida americana não fosse elevado.

Há a expectativa de que o Senado vote a medida nas próximas. Os índices de Wall Street aceleraram alta no dia anterior quando o líder da maioria na Casa, o democrata Chuck Schumer, confirmou que o acordo foi firmado.

Seguem ainda no radar dos investidores, além do payroll e do teto da dívida, a crise energética e os desdobramentos da crise da gigante chinesa Evergrande, que, por enquanto, ainda não tomou uma direção.

Falando em Ásia, por lá as bolsas fecharam o pregão desta sexta-feira majoritariamente em alta nesta sexta-feira.
Na China continental, onde os mercados retomaram os negócios após feriado de uma semana, o Xangai Composto subiu 0,67%, aos 3.592,17 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,79%, aos 2.413,92 pontos.

Dados de atividade (PMIs) mostraram que o setor de serviços chinês e a atividade econômica como um todo voltaram a se expandir em setembro.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei teve valorização de 1,34% em Tóquio, aos 28.048,94 pontos, e o Hang Seng registrou alta de 0,55% em Hong Kong, aos 24.837,85 pontos.

Alguns mercados asiáticos, porém, ficaram no vermelho hoje. O sul-coreano Kospi caiu 0,11% em Seul, aos 2.956,30 pontos, e o Taiex recuou 0,44% em Taiwan, aos 16.640,43 pontos.

Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 0,87% em Sydney, aos 7.320,10 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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