Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em queda superior a 1% nesta terça-feira, 27, acompanhando o mau humor do exterior e a desvalorização dos papéis da Petrobras e do setor de mineradoras e siderúrgicas. O Ibovespa registrou baixa de 1,10%, marcando 124.612,03 pontos.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Pressionadas pelas questões regulatórias do governo chinês sobre empresas locais, além da queda do preço do minério de ferro na bolsa de Dailan, as mineradoras e siderúrgicas, tiveram forte contribuição para o mau humor do Ibovespa. As ações da Vale, CSN, Usiminas e Gerdau recuaram 2,08%, 1,01%, 3,30% e 3,58%, respectivamente.

O tom azedo da Bolsa também foi reforçado pela desvalorização das ações da Petrobras, que caíram 1,16%, mesmo com a estabilidade do preço do barril do petróleo nesta terça-feira.

Cenário externo

Lá fora, grande parte das bolsas mundiais viveram um dia de perdas, refletindo as questões regulatórias da China, cujo governo vem fechando o cerco regulatório sobre empresas de tecnologia, educação privada e commodities. Segundo analistas, há um temor de que essa atitude se estenda para companhias de outros setores.

Além disso, os investidores estão em compasso de espera sobre a reunião do Fomc (Copom americano), que acontece na quarta-feira, 28, para deliberar sobre atividade econômica, inflação e juros, além das decisões que podem mexer com o rumo de diversos segmentos do mercado financeiro.

Sobe e desce da B3

Após iniciar o dia em baixa, as ações dos bancões subiram e chegaram a ser as maiores altas da Bolsa neste pregão. Bradesco, Itaú e Santander avançaram 0,79%, 0,98% e 0,61%, respectivamente, na B3.

Em dia de divulgação de seu balanço trimestral, as ações do Carrefour caíram 0,40%. Os papéis da BK Brasil registraram forte desvalorização de 2,21% depois que a companhia informou que pode atingir a marca de mais de mil restaurantes em 10 anos com a fusão com a rede Domino's.

Após divulgar um lucro líquido de R$ 344 milhões no segundo trimestre - alta de 45,2% ante o mesmo período de 2020 - as ações da EDP Brasil recuaram 0,79%.

As ações do Magazine Luiza também fecharam no vermelho na B3. Os papéis da companhia contabilizaram perdas de 2,68%. A desvalorização dos ativos acontecem após a empresa anunciar na véspera a compra da plataforma de entregas Sode.

Dólar estável

O dólar opera próximo da estabilidade no mercado doméstico, acompanhando uma valorização discreta da moeda americana ante pares principais e algumas divisas emergentes, como o peso mexicano.

O desempenho do dólar reflete a cautela persistente nos mercados internacionais com o aumento das infecções pela cepa delta do coronavírus no mundo e o cerco regulatório do governo da China sobre vários setores da economia, como tecnologia, educação privada e commodities.

A moeda americana à vista reportou alta residual de 0,06%, cotada a R$ 5,178.

Wall Street: bolsas no vermelho

Nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York fecharam em baixa, com o mercado refletindo as questões regulatórias da China, preocupações com o avanço da variante delta do coronavírus e em compasso de espera sobre a reunião do Fomc (Copom americano) que acontece na próxima quarta-feira, 28.

O índice S&P 500 registrou queda de 0,47%, com Dow Jones e Nasdaq 100 na mesma esteira, com desvalorização de 0,24% e 1,12%, respectivamente.

Nos EUA a inflação também continua no radar. Porém, nesta manhã o índice de encomendas de bens duráveis no pais subiu 0,8% menos que o esperado em junho - 2%.. Isso, em tese, pode realimentar as expectativas de que o Federal Reserve ainda não sinalizará fim do "tapering" (medidas de estímulo), nesta quarta-feira.

O índice de confiança do consumidor nos EUA subiu de 128,9 em junho (dado revisado) a 129,1 em julho, segundo informou o Conference Board nesta terça-feira.

O resultado surpreendeu alguns analistas, que previam queda do indicador a 124. O índice de expectativas, baseado nas perspectivas de curto prazo dos consumidores para renda, negócios e condições do mercado de trabalho, avançou de 107 a em maio para 108,4 nessa base comparativa. Já índice das condições atuais subiu de 159,6 a 160,3.

"Os mercados ficarão na espreita dessas reuniões Fed e Copom, como se dará a parte dos estímulos monetários. E o Copom na semana que vem deve balizar bem esses dados recentes de inflação, que mostraram pressão", avalia Lorena Farias, da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros).

Apesar de ter mantido suas projeções para o crescimento global, a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, alertou que a variante delta da covid-19 é uma preocupação importante e pode gerar risco à economia mundial.

Gopinath afirmou que o PIB no mundo se recupera, mas há defasagens entre países avançados e emergentes. Conforme o FMI, a inflação deve continuar alta em emergentes em 2022 com pressões de preços e câmbio.

Além da espera pelo Fed e pelo Copom, o temor de que a China adote medidas restritivas a outros setores após o cerco aos segmentos de tecnologia e de educação continua no radar, diz Cássio Bambirra, sócio da One Investimentos.

"Isso tem impacto nos mercados emergentes, inclusive no Brasil", afirma. Vale lembrar que o país é um importante parceiro comercial do Brasil

O mercado também está atento à continuidade da temporada de balanços trimestrais. Hoje o mercado conhece os números do 2º trimestre das chamadas big techs – Apple, Microsoft e Alphabet, dona do Google – logo após o fechamento do mercado.

De acordo com Jennie Li, da XP, os resultados dessas empresas surpreenderam no 1º trimestre deste ano e devem trazer uma nova onda de números expressivos novamente.

“Mesmo com o avanço da vacinação e a volta das pessoas para a rotina normal, com ida presencial ao trabalho, os resultados devem vir fortes, pois são empresas muito sólidas que estão aproveitando esse momento da digitalização”, analisa Jennie.

Para César Crivelli, analista da Nord Investimentos, a expectativa é de um crescimento médio de 32% no lucro dessas companhias americanas, impulsionado principalmente pelo aquecimento dos serviços digitais.

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas da Ásia fecharam o pregão desta terça-feira sem direção única, com os índices acionários na China e em Hong Kong ainda fortemente impactados pela ofensiva regulatória do governo de Pequim sobre os setores de tecnologia e educação privada.

Além disso, há cautela com a disseminação da variante delta do coronavírus e seus possíveis efeitos para a retomada econômica no mundo.

Na China continental, o índice Xangai Composto recuou 2,5%, aos 3.381,18 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 3,3%, aos 2.331,43 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 4,2%, aos 25.086,43 pontos, no menor nível desde novembro de 2020. O subíndice de tecnologia, por sua vez, cedeu 8,0%, aos 6.249,65 pontos.

"A repressão a vários setores da economia chinesa que dependem de investimento estrangeiro resultou em uma fuga de capital das empresas chinesas, especialmente aquelas com ações listadas no exterior, levantando preocupações sobre quais outros setores podem vir a seguir", afirma o analista-chefe de mercados da CMC Markets, Michael Hewson.

Na véspera, Pequim anunciou novas regras para as empresas de tutoria escolar. A partir de agora, esses serviços terão de ser administrados como operações sem fins lucrativos. Além disso, não poderão fazer levantamento de capital e nem oferecer aulas nos fins de semana.

O principal órgão regulador do setor de tecnologia da China também ordenou ontem que empresas de tecnologia do país corrigissem certas práticas anticompetitivas, em um avanço do cerco regulatório.

Em relatório enviado a clientes, o Danske Bank frisa que o mercado acompanha, ainda, as conversas entre autoridades de Pequim e de Washington. "Mas há poucos sinais de movimento em qualquer lado quando se trata de acomodar quaisquer pedidos do outro lado", avaliam analistas do banco dinamarquês.

Divulgado na noite de ontem, o lucro industrial chinês registrou alta anual de 20% em junho, uma desaceleração quando comparado com o avanço de 36,4% em maio ante igual período de 2020.

Em outras partes da Ásia, o Kospi encerrou a sessão com alta de 0,2% em Seul, aos 3.232,53 pontos. No segundo trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Sul subiu 0,7% em reação aos três meses anteriores e 5,9% na comparação anual. O Nikkei, por sua vez, subiu 0,5% no Japão, a 27.970,22 pontos.

Também no radar dos investidores estão as preocupações com a pandemia de covid-19. Nesta terça-feira, Tóquio teve um novo recorde diário de casos, 2.848, no quinto dia dos Jogos Olímpicos, que ocorrem na capital japonesa.

Na Oceania, a bolsa da Austrália renovou mais uma vez o recorde histórico de fechamento. O índice acionário S&P/ASX 200 encerrou a sessão em Sydney com ganho de 0,5%, aos 7.431,4 pontos, impulsionado por ações do setor financeiro e ligadas a commodities. / com Tom Morooka e Agência Estado

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