Mercado Financeiro

Após passar boa parte do dia em terreno positivo, a Bolsa fechou em leve baixa de 0,19% nesta terça-feira, 14, aos 116.180,55 pontos, puxada pela queda das ações da Vale, Petrobras e bancos. Os investidores também passaram o dia repercutindo as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a política monetária.

De acordo com Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, o mercado interno também foi marcado pelo debate sobre a situação das termelétricas e o preço do combustível que aconteceu na Câmara e contou com a participação do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, que reforçou o discurso de Jair Bolsonaro ao afirmar que a escalada nos preços é responsabilidade dos tributos estaduais.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O dólar voltou a subir neste pregão, após registrar queda nos últimos dias, acompanhando a cautela do investidor estrangeiro com dados econômicos divulgados nos Estados Unidos nesta manhã. A moeda americana subiu 0,58%, cotada a R$ 5,244.

Política monetária

Os investidores acompanharam as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participou de um evento do BTG Pactual. Segundo ele, em sua última participação em encontros antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), não haverá alteração de plano de voo da política monetária a cada número novo de alta da inflação

Ele frisou, no entanto, que a Selic, taxa básica de juros do País, será levada onde for preciso para alcançar a meta de inflação. "Vamos levar a Selic onde precisar, mas não vamos reagir sempre a dados de alta frequência", disse.

Depois da surpresa negativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto (0,87%), o mercado passou a precificar aumento entre 1,25 ponto porcentual e 1,50 ponto no próximo Copom, neste mês, o que seria uma aceleração do passo ante a última reunião, em que houve alta de 1 ponto.

O presidente do BC afirmou que nunca houve tantos choques de inflação em um período tão curto no Brasil, destacando as surpresas com alimentos, energia elétrica e combustíveis.

Neto reconheceu que a inflação em 12 meses tem rodado bem acima da meta e disse que o BC tem observado os núcleos para verificar a disseminação.

O presidente do BC repetiu ainda que as expectativas de inflação para 2021 e 2022 estão subindo e que a autoridade monetária está avaliando as diferenças entre as previsões do mercado e do Copom, indicando novamente que podem estar ligadas às estimativas de hiato do produto e de inércia inflacionária.

Sobe e desce da B3

Nesta terça-feira, as ações da Petrobras e Vale - que têm um peso de cerca de 9% e 14%, respectivamente, na cesta de ativos do Ibovespa - fecharam em baixa. Enquanto a petroleira registrou uma queda de 1,33%, a mineradora caiu 0,71%.

A Petrobras foi alvo de críticas do presidente da Câmara, Arthur Lira, no dia anterior, e nesta terça-feira, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, falou sobre a companhia em plenário da Casa.

As ações dos bancos também fecharam em baixa neste pregão. Itaú, Bradesco e Santander recuaram 0,62%, 0,66% e 0,62%, na sequência.

A Camil anunciou a aquisição da marca Seleto da JDE Brasil, mais um movimento de compra feito pela empresa nos últimos meses. Com a notícia, as ações da companhia subiram 2,55%.

A Méliuz e o Banco Inter fecharam com forte alta em mais um dia de pregão. Os papéis das duas companhias saltaram 15,10% e 3,17%, respectivamente.

Os papéis da Eneva valorizaram 3,42%, após o Itaú BBA elevar sua recomendação dos ativos da companhia para equivalente à compra.

Petrobras: Silva e Luna

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, enalteceu nesta terça-feira, 14, o trabalho da petroleira, lembrando que a companhia teve três momentos de superação. Para o general, a empresa continua a ser importante e supera a produção de dois milhões de barris de óleo por dia.

"É uma empresa muito, mas muito bem controlada", afirmou durante debate sobre a situação da operação das termelétricas, o preço dos combustíveis e outros assuntos relacionados à empresa no plenário da Câmara dos Deputados.

O presidente da estatal afirmou que a Petrobras tem forte estrutura de governança corporativa. "É uma empresa forte, e faz investimentos selecionados, além de ter forte governança evitando qualquer desvio de seu foco, naquilo que faz de melhor."

Ele afirmou que a empresa contribui para o Brasil, principalmente nestes tempos desafiadores e salientou que, em dois anos, a estatal pagou R$ 546 bilhões em tributos.

Na noite anterior, o presidente da Câmara, Arthur Lira, criticou a gestão da Petrobras, causando forte reação nos papéis da petroleira em Nova York. A mensagem foi publicada no Twitter após a Casa confirmar que o presidente da estatal participaria do debate.

"Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso? Amanhã [terça], a partir das 9h, o plenário vira Comissão Geral para questionar o peso dos preços da empresa no bolso de todos nós. A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas", escreveu Lira.

O posicionamento de Lira vem na sequência de ataques feitos à política de preços da Petrobras - realizados da oposição a membros do governo, incluindo o presidente Jair Bolsonaro - diante da alta da inflação.

Setor de serviços: em alta

Um dos mais prejudicados pela pandemia, o setor de serviços cresceu 1,1% em julho ante junho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados durante a manhã.

O resultado veio idêntico à mediana das estimativas dos analistas, que previam uma alta de 0,5% a 2,5%. O resultado, segundo eles, serve de termômetro sobre como caminha a retomada da atividade econômica.

No exterior, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, subiu 0,3% em agosto ante julho, segundo dados com ajustes sazonais divulgados pelo Departamento do Trabalho.

O resultado veio abaixo da mediana das previsões dos analistas, que projetavam alta de 0,4%. A leitura no mercado americano é de que a inflação abaixo do previsto adia a retirada de estímulos à economia.

Cenário político e fiscal

No Brasil, os investidores acompanham o desdobramento de assuntos importantes que mexem com o equilíbrio das contas públicas, como os precatórios, o novo valor do Auxílio Brasil e a reforma do Imposto de Renda.

A definição dessas questões, segundo especialistas, é importante para conter a deterioração de expectativas em relação à inflação, que passou por nova revisão para cima pelos analistas de mercado.

Wall Street: novos dados econômicos

Nos Estados Unidos, após abrirem em alta, as bolsas locais mudaram o sinal e fecharam em queda, com os investidores digerindo os dados da inflação de agosto, que vieram abaixo do esperado - alta de 0,3% - e podem adiar os planos do Fed de iniciar a retirada de estímulos da economia nos próximos meses.

Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 recuaram 0,57%, 0,84% e 0,33%, respectivamente.

O núcleo do CPI, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, avançou 0,1% na comparação mensal de julho, também abaixo da mediana das projeções, de acréscimo de 0,3%.

Na comparação anual, o CPI dos EUA teve alta de 5,3% em agosto, como previsto pelo mercado. Já o núcleo teve ganho anual de 4%, menor do que o incremento projetado de 4,2%. O Fed (Federal Reserve, o banco central americano), busca meta de inflação de 2%.

O impacto da inflação segue um dos principais temas observados na economia, assim como o ritmo da retomada global e os possíveis desdobramentos da variante Delta do coronavírus.

Na visão da Oxford Economics, quatro temas principais devem dominar os mercados nos próximos meses: um caminho de recuperação volátil; uma reversão da "modesta estagnação secular"; liquidez abundante que está apoiando as avaliações de ativos; e crescentes riscos políticos. Diferentes estratégias de contenção da covid-19 e interrupções nas cadeias de suprimentos "significam que o caminho para a recuperação total será acidentado", avalia a consultoria.

Para a Capital Economics, com as autoridades não demonstrando interesse em impor restrições à atividade e novos casos de vírus agora se estabilizando nos EUA, "é improvável que a variante delta tenha um impacto tão grande na economia quanto as ondas anteriores" na pandemia.

"Dito isso, ela se soma a uma série de outros fatores que pesam sobre a demanda, e a nova interrupção nas cadeias de abastecimento globais pode piorar a escassez e manter a pressão de alta sobre os preços", conclui a consultoria.

Bolsas asiáticas fecham sem direção única

As bolsas asiáticas fecharam o pregão desta terça-feira sem direção única, com os investidores aguardando os dados da inflação americana.

No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,73%, aos 30,670,10 pontos, atingindo o maior patamar desde agosto de 1990, em meio a expectativas de que o próximo primeiro-ministro do Japão adote mais estímulos fiscais e outras medidas para ajudar o país a superar o impacto da pandemia de covid-19.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng concluiu o dia em queda de 1,21%, aos 25.502,23 pontos. O resultado refletiu o tombo de 11,87% das ações da Evergrande, após a incorporadora imobiliária chinesa prever uma significativa queda nas vendas de imóveis em setembro, mês que costuma ser positivo para o setor no país asiático. No dia anterior, a Evergrande desmentiu rumores de que estaria prestes a falir.

Na China continental, a questão da Evergrande pesou em papéis de outras imobiliárias. Já as ações de siderúrgicas, que vivenciaram um rali nas últimas semanas, sofreram fortes perdas hoje.

Em Seul, o Kospi fechou em alta de 0,67%, aos 3.148,83 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto fechou o pregão em baixa de 1,42%, aos 3.662,60 pontos.

Já na Oceania, o S&P/ASX200 encerrou as atividades na Austrália com alta de 0,16%, aos 7.437,30 pontos. /com Tom Morooka e Agência Estado

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