Mercado Financeiro

Num dia marcado pela aversão ao risco dominando os mercados, a Bolsa encerrou o pregão desta segunda-feira, 19, com uma forte queda de 1,24%, caindo aos 124.394,57 pontos. O mau-humor dos investidores foi influenciado, sobretudo pela preocupação com a disseminação da variante Delta do coronavírus, além das novas determinações da Opep+ sobre a produção de petróleo.

A busca por segurança faz disparar a busca por títulos de tesouro americano, os Treasuries, o que levou à queda das bolsas pelo mundo. Aqui no Brasil, o Ibovespa chegou a tocar mínimas no nível dos 123 mil pontos.

O dólar, por sua vez, disparou no mundo e não foi diferente frente ao real. A moeda americana fechou o dia cotada a R$ 5,251, em alta de 2,64%.

Foto: envato
Moeda americana sobe mais de 1,4% seguindo o cenário internacional de aversão ao risco - Fonte: Envato

Os investidores reforçaram posições defensivas diante da aversão ao risco internacional que derrubou os preços de commodities metálicas, petróleo e bolsas, diante da piora da disseminação da variante Delta do coronavírus pelo mundo e após acordo da Opep+ para aumentar a produção de petróleo em 400 mil barris por dia, já a partir de agosto.

O temor é de que um recrudescimento maior da pandemia de covid-19 prejudique a retomada da economia global.

Sobe e desce da B3

Com a notícia da Opep+ sobre o aumento da produção de petróleo a partir de agosto, o preço da commodity despencou no mundo todo, influenciando na queda da as ações da Petrobras e da Petro Rio, que caíram 1,50% e 4,40%.

As siderúrgicas e mineradoras seguem na mesma esteira, refletindo a queda no preço do minério de ferro e do aço lá fora. Os papéis da Vale, CSN, Usiminas e Gerdau reportavam forte baixa de 1,33%, 1,61%, 1,60% e 0,41%, respectivamente.

A Eletrobras também viveu um dia com suas ações recuando na B3, após o conselho de administração da companhia aprovar uma captação de recursos de até R$ 1,6 bilhão pela subsidiária Furnas Centrais Elétricas na última sexta-feira, 16. Os papéis da estatal reportaram baixa de 1,52% (ELET6) e 2,22% (ELET3).

Depois de o conselho da Tegma rejeitar a proposta de combinação de negócios com a JSL, os papéis da empresa registraram queda acentuada 6,00% no mesmo horário.

A maior alta do dia ficou por conta das Lojas Americanas. As ações da companhia despencaram 62,20% (LAME4) e 6,61% (LAME3). A partir de hoje, a B2W passa ser negociada com o código AMER3, representando os ativos digitais e físicos da Lojas Americanas e seus papéis caíram 7,11%.

No bloco das altas, os papéis da Energisa subiram 0,39%. A Marfrig registrou valorização de 0,21%. JBS, no mesmo sentido, avançou 0,24% neste pregão.

Segundo o analista da Ativa Research, Sergio Berruezo, não há um motivo aparente para a elevação dos papéis da companhia de energia elétrica. Já em relação à Marfrig e JBS, a valorização do dólar está aumentando o caixa dessas empresas em reais.

"Cerca de 70% da receita da frigoríficas JBS e Marfrig vêm em dólar por conta da importância de suas operações nos Estados Unidos. A inflação está sendo repassada para os preços da carne para o consumidor, além de um desequilíbrio de oferta e demanda por conta da reabertura de bares e restaurantes no país", explicou Berruezzo.

NY: aversão ao risco

Em Nova York, os contratos negociados nas bolsas de valores fecharam com perdas acentuadas com os investidores mais cautelosos e receosos com o avanço da inflação nos Estados Unidos, preocupação com a nova variante da covid-19 e reagindo às últimas notícias sore o petróleo.

O índice S&P 500 encerrou o pregão com uma desvalorização de 1,51%. No mesmo sentido, Dow Jones e Nasdaq 100 caíram 2,09% e 0,90%, respectivamente.

Reflexo da cautela com a disseminação da nova cepa do coronavírus, empresas ligadas ao turismo viveram um dia de fortes baixas. As aéreas American Airlines, United Airlines e Delta Airlines reportaram variações negativas de 4,09%, 5,54% e 4,12%, na sequência.

"O clima otimista em Wall Street se reduziu um pouco depois que o sentimento medido pela Universidade de Michigan caiu significativamente, enquanto a inflação subiu acentuadamente em todas as áreas", diz o analista de mercado Edward Moya, da Oanda.

O índice de sentimento do consumidor americano caiu de 85,5 em junho para 80,8 na leitura preliminar de julho. Analistas previam um avanço a 86,3.

Para o economista Andrew Hunter, da Capital Economics, o dado "tirou o brilho" do resultado do varejo e forneceu mais evidências de que o aumento da inflação tem tido efeito sobre os gastos reais. Isso porque a expectativa inflacionária no curto prazo, um dos componentes do índice, subiu de 4,2% para 4,8%.

"Além da reabertura, o excesso de poupança do consumidor, os efeitos positivos de riqueza e a melhoria do mercado de trabalho devem apoiar aumentos sólidos nos gastos dos consumidores no segundo semestre", avaliaram economistas da corretora americana LPL Financial.

Nos últimos dias, teve início a temporada de balanços do segundo trimestre. Os primeiros a divulgar os resultados corporativos foram os bancos.

"Os balanços desta semana foram em geral positivos, mas a atenção agora está mudando para o que vem a seguir em termos de perspectivas, e aqui a imagem é menos clara", afirma o analista-chefe de mercados da CMC Markets, Michael Hewson.

Também devem continuar no radar dos investidores as perspectivas para a política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e as tensões geopolíticas entre os EUA e a China.

Hoje, o governo Joe Biden alertou empresas americanas que operam em Hong Kong para "crescentes riscos" associados a medidas tomadas por Pequim no território semiautônomo.

Relatório Focus

Na pesquisa Focus, divulgada mais cedo pelo Banco Central, a projeção para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pela autoridade monetária (5,75% ao ano).

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA este ano de alta de 6,11% para 6,31%. Há um mês, estava em 5,90%. Na esteira dos dados mais recentes de inflação, os economistas também modificaram suas projeções para a Selic no fim de 2021, de 6,63% para 6,75% ao ano (mediana). Há um mês, estava em 6,50%.

O interesse para saber como anda a inflação corrente aumenta à medida que se aproxima a data de nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a virada de agosto - entre os dias 3 e 4 - para deliberar sobre a taxa básica de juros, a Selic.

O foco do Banco Central (BC) para a calibragem da Selic é a inflação projetada para 2022, por enquanto bastante abaixo da projetada para este ano.

A preocupação do BC é conter a alta e levar a uma acomodação de preços para evitar que a dinâmica de alta não passe a pressionar a inflação estimada para o próximo ano, já que a de 2021 é considerada dada.

CPI da Covid: Bolsonaro e Pazuello

Após o presidente Jair Bolsonaro atacar novamente a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a pandemia de covid-19, ao deixar o hospital em São Paulo na manhã do último domingo, 18, o presidente da CPI, Omar Aziz, voltou a acusar Bolsonaro de ter prevaricado ao não investigar suspeitas de corrupção na compra de vacinas.

"O presidente mentir é normal, ele é contumaz nisso. Ele prevarica, ele desfaz fatos e cria versões. Ele está internado no hospital, mas está agredindo as pessoas. Ele tenta se vitimizar o tempo todo, mas a gente não vê na boca do presidente uma palavra de solidariedade ao povo brasileiro. Você só vê ódio", disse o senador.

Omar Aziz reforçou a avaliação de que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mentiu à CPI ao afirmar que em nenhum momento teria negociado diretamente a compra de vacinas.

Ele citou o vídeo de março deste ano, no qual o general promete a intermediários a aquisição de 30 milhões de doses da Coronavac a um preço superior ao contratado com o Instituto Butantan.

Mais cedo, Bolsonaro defendeu Pazuello com o argumento de que essa oferta não foi concretizada e avaliou que, se houvesse corrupção, o encontro não teria sido gravado, mas sim feito "às escondidas".

O presidente da CPI reafirmou que há "fortes indícios" de corrupção em negociações de compras de vacinas com preços superfaturados. Segundo ele, a comissão também vai investigar a compra de materiais hospitalares.

"Os indícios são muito fortes. Não podemos prejulgar e dizer quem é o responsável, mas vamos chegar lá. O fato mais grave é que o presidente Bolsonaro foi alertado e não tomou nenhuma providência", completou.

Para Aziz, a questão em jogo na CPI não seria apenas se o governo é corrupto ou não. " A corrupção em plena pandemia é um fato gravíssimo. Mas o pior são as vidas que se perderam pela brincadeira de gabinete paralelo", acrescentou.

Bolsas asiáticas fecham em queda

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira diante da aversão a risco no exterior. Os investidores reagem à piora da pandemia de covid-19 em diversas partes do mundo devido ao avanço da variante delta, que é altamente contagiosa.

Em Pequim, havia também expectativa pela decisão de política monetária do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês).

Na China continental, o índice Xangai Composto encerrou a sessão praticamente estável, em 3.539,12 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,1%, aos 2.452,32 pontos.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 1,8% em Hong Kong, aos 27.489,78 pontos, e o Kospi teve baixa de 1% em Seul, aos 3.244,04 pontos, após a Coreia do Sul impor restrições mais rígidas a reuniões privadas em todo o país para tentar conter a cepa delta.

"Os mercados da Ásia começaram a semana de forma negativa devido à preocupação com o rápido aumento dos casos globais da variante delta, bem como com uma perspectiva econômica de desaceleração", afirma o analista-chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson.

Mais tarde, o mercado acompanhará a definição do PBoC sobre as taxas de juros usadas como referência no país para empréstimos de curto e longo prazo, chamadas de LPR. Em junho, o BC chinês manteve a LPR de um ano em 3,85% e a de cinco anos, em 4,65%. Recentemente, contudo, a autoridade monetária decidiu cortar a taxa do compulsório bancário. (Com informações da Dow Jones Newswires).

O Nikkei, por sua vez, caiu 1,3% no Japão, aos 27.652,74 pontos. No fim de semana, os organizadores da Olimpíada de Tóquio informaram que dois atletas testaram positivo para a covid-19.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, após um reforço do lockdown no país para conter a onda de infecções por covid-19. O S&P/ASX 200 caiu 0,8% em Sydney, aos 7.286,00 pontos. Segundo analistas, a Indonésia, por sua vez, se tornou o novo epicentro da pandemia na Ásia. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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