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As sucessivas rodadas de operações de Oferta Pública Inicial de Ações (IPOs, na sigla em inglês) têm ampliado não apenas o leque de opções de papeis para investimento e movimentado os negócios na bolsa de valores, como também tem provocado efeitos colaterais de baixa no câmbio.

As ofertas de ações pelas companhias que abrem o capital na bolsa têm atraído investidores estrangeiros que procuram opções mais rentáveis que a renda fixa com juros próximos de zero no mercado internacional.

fundos

O capital externo que ingressa no País para a compra de ações é um dos fatores que têm contribuído para deprimir o dólar, apesar das incertezas no cenário doméstico, relacionadas à crise política, e no cenário externo às decisões que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) poderia adotar em relação à política de estímulos monetários.

A chegada desses capitais ao País impacta diretamente o câmbio porque os dólares transitam pelo mercado financeiro, diferentemente das captações com a emissão de títulos soberanos que direcionam os dólares diretamente para o caixa das reservas internacionais.

Os IPOs atraem a participação do capital estrangeiro, sobretudo por meio dos fundos de pensão e soberanos, que, de acordo com analistas, têm preferência por ofertas de maior porte. “O estrangeiro tem mais apetite por ofertas de grandes lotes”, afirma Vítor Saraiva, responsável pela Área de Renda Variável em Mercado de Capitais da XP Investimentos.

A abertura de capital da Smart Fit, na semana passada, ofertou R$ 2,3 bilhões em ações e teve a participação de dois estrangeiros de peso – um fundo de pensão do Canadá e um fundo soberano de Singapura.

As ofertas iniciais de menor valor, abaixo de R$ 1 bilhão, estão dominados pelos investidores locais, cerca de 75%, por meio das assets. Segundo Saraiva, 63% das ofertas deste ano foram abaixo de R$ 1 bilhão.

Três IPOs estão marcados para esta semana. Uma das ofertas é a da Multilaser, nesta segunda-feira, 19; na terça, 20, será a da Privália Brasil, e na quarta-feira, 21, a da Desktop. Outras cinco companhias têm a estreia na bolsa de valores prevista ainda para este mês.

“Empresas estão aproveitando para vir a mercado para se capitalizar, financiar, para traçar planos e expandir novos projetos, neste momento de retomada de atividade econômica”, analisa Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Por que cenário estimula ofertas

Os IPOs são a porta de entrada para um financiamento barato, afirmam especialistas e analistas, que apontam uma série de vantagens para a companhia que abre o capital na bolsa. Principalmente o cenário econômico, global e doméstico, favorável do momento.

“Um dos grandes drivers é que existe excesso de liquidez (oferta de recursos no sistema financeiro mundial) e a taxa de juros está muito baixa”, aponta Flávio de Oliveira, head de Renda Variável da Zahl. Essa combinação entre liquidez abundante e juros baixos aumenta o apetite dos investidores para a alocação do capital em ativos de risco.

Luiz Cesta, head de Análise da Monett, afirma que a liquidez que não pode ficar empoçada em ambiente de juros baixos busca ativos de risco, na renda variável. “Procura retorno adicional, é um mercado cíclico de IPOs, de listagem de empresas na bolsa de valores.”

Oliveira explica que quem quer ganho real, acima da inflação, busca empregar maior volume de recursos nessas operações e as empresas estão aproveitando o momento de juros baixos para a abertura de capital na bolsa. Para ele, o momento é interessante para a empresa se financiar. “A economia real ainda está patinando e os ativos financeiros estão se valorizando”, o que atrai o investidor para a bolsa.

A conjuntura estrutural também está por trás dessa maior oferta de IPOs em um momento que, além da queda estrutural dos juros, outros fatores ampliam a demanda por ações, avalia Vítor Saraiva, da XP.

A desbancarização e a pulverização da indústria de fundos locais, com a criação de assets, leva à maior alocação de recursos em ações. “Outro fator que contribui para a demanda é a crescente participação de investidor pessoa física na bolsa de valores, que chega a 3,7 milhões.”

O responsável pela área de Renda Variável da XP diz que as empresas que abrem o capital com oferta de ações têm novas fontes de financiamento que não pelo endividamento e os investidores novas opções para a alocação de recursos com perspectivas melhores de retorno. Para Luiz Cesta, da Monett, “quanto mais empresas listadas, maior a facilidade do investidor de diversificar em ações e também em setores”.

Prós e contras de comprar nos IPOs

As ações de companhias que abrem o capital são uma oportunidade mais na renda variável, mas um investimento bem-sucedido em IPOs, de acordo com analistas, exige que o investidor conheça muito bem o que está comprando.

Para especialistas, empresas que estreiam no mercado podem ter um futuro promissor, com elevado potencial de crescimento e atraente retorno para os acionistas. Investir em IPOs pode ser a oportunidade de pagar um preço ainda mais baixo pela ação de empresas que podem ser inovadoras ou atuam em setores ainda pouco consolidadas.

Analistas afirmam que, em geral, são ações que também embutem maior risco e volatilidade, além de movimentar menor volume de negócios, o que pode dificultar a venda. Elas são vistas com menos restrição para investimento de longo prazo. “É importante investir olhando sempre a perspectiva de longo prazo para o papel”, reforça Saraiva, da XP. Analistas indicam a participação em IPOs de companhias de setores totalmente novos na bolsa ou cujas ações estejam mais baratas que as de empresas concorrentes já listadas no mercado.

Quem não participa de IPO pode perder a oportunidade também de comprar uma ação barata que fica cara no mercado à vista se o preço do papel disparar após o lançamento, afirma Luiz Cesta, head da Monett. Como ocorreu com a Smart Fit, cuja ações dispararam e subiram 30% no dia seguinte ao de lançamento.

Estreantes da semana

A Multilaser abre o trio de IPOs da semana nesta segunda-feira, 19, cercada de grande expectativa, dada a multiplicidade e a velocidade com que coloca produtos inovadores no mercado. “Vende de tudo, de A a Z, em temos de portáteis”, comenta Luiz Cesta. A empresa, segundo o head da Monett, tem tido muito sucesso na invenção e colocação em alta velocidade de novos produtos, “velocidade que vale dinheiro no mundo eletrônico”.

A rapidez na oferta de novos produtos, fruto da tecnologia que detém, faz com que a empresa leve vantagem em produtos que as concorrentes ainda não disponibilizam. “São cerca de 5 mil produtos diferentes em seu portfólio, que vão desde smartphones, tablets, acessórios de informática até utensílios domésticos.” A expectativa é que a retomada do consumo acelere o ritmo de crescimento da companhia.

A Privália Brasil abre o capital na B3 nesta terça-feira, 20, com o código PRVA3. A companhia se coloca como um outlet online com mais de 1.500 marcas parceiras e uma base de 15,2 milhões de membros cadastrados. A varejista atua em 10 segmentos, como beleza, kids, pets, home & decor, food & beverage, dentre outros.

A faixa indicativa de preço de compra foi definida entre R$ 16,30 e R$ 18,10 por ação. O preço será fixado na terça-feira, dia 20.

A Desktop tem estreia prevista na quarta-feira, 21, com o código DESK3. Nota afirma que a companhia é uma das maiores provedoras de serviço de informática do País e a maior do Estado de São Paulo. A companhia atua em ampla escala no mercado de banda larga com tecnologia de fibra óptica em que tem como alvo o consumidor pessoa física.

A empresa definiu o intervalo indicativo de preço por ação entre R$ 23 e R$ 28. O preço será fixado nesta segunda-feira, 19.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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