Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: com inflação e peso doméstica e PIB americano, Bolsa cai e dólar avança

Investidores repercutem a nova taxa de juros do País e seus reflexos nos investimentos

Data de publicação:28/10/2021 às 01:44 - Atualizado um mês atrás
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Após operar em alta nesta quinta-feira, 28, a Bolsa mudou o sinal e trafega em queda, tendo como pano de fundo o cenário doméstico, com aumento do risco fiscal e dificuldades para a votação da PEC dos precatórios e continuidade de pagamento dos auxílios emergenciais.

Às 16h30, o Índice Ibovespa caía 0,74%, e perdia o patamar dos 106 mil pontos - 105.578. Refletindo ainda o cenário externo, com a economia americana exibindo piora nos indicadores. o dólar segue positivo - 1,27%, cotado a R$ 5,626.

Foto: Be/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

PEC dos precatórios pesa no pregão

As incertezas fiscais seguem aumentando a apreensão dos investidores e pesaram no pregão desta quinta-feira. Um dos assuntos que provoca esse temor é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios, que mais uma vez teve sua votação adiada na Câmara por falta de quórum – o que significa um revés para o governo.

A aprovação é essencial para liberar espaço no teto de gastos para a ampliação do Auxílio Brasil. Mais cedo, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, havia afirmado que a apreciação do texto ficou para a próxima quarta-feira (3/11), após o feriado.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que, apesar do atraso, ele alertou que o prazo para a aprovação da PEC em tempo razoável para viabilizar os pagamentos do benefício social está estourado. "O prazo máximo já foi, estamos já na reserva morta", disse.

Ele ainda engrossou os apelos feitos mais cedo pelo ministro da Cidadania, João Roma, em favor da aprovação da proposta. "Estamos tratando de um tema sensível. A um ano da eleição, não podemos deixar de separar. Isso não é assunto de oposição ou de governo", afirmou. Lira disse ainda que opositores sempre buscam "algum escudo" quando não querem votar algum projeto.

A votação da PEC estava prevista para o dia anterior, mas naufragou na falta de quórum necessário para dar ao governo a garantia de uma margem favorável de votos.

As ausências ocorreram na semana em que Lira decidiu retomar a obrigatoriedade da presença dos deputados na Casa para as votações, acabando com o sistema remoto implementado devido à pandemia de covid-19.

Uma PEC precisa de 308 votos de deputados para ser aprovada, em dois turnos de votação. Por isso, governistas calculam que, por segurança, o ideal é ter 490 votantes no plenário. Nessa quarta-feira, a presença mal chegou a 450.

Nos bastidores, aliados do governo tentaram convocar os congressistas a retornarem a Brasília nesta quinta-feira, dia em que normalmente eles viajam na direção oposta, rumo às suas bases. Por isso, uma tentativa de votar hoje o texto é considerada improvável. Diversos deputados, a despeito da perda no salário, avisaram que não retornarão à capital federal antes do feriado.

Até a próxima quarta-feira, Lira disse que buscará o diálogo com a oposição, uma vez que, além do quórum, há um impasse em torno da discussão do texto.

A oposição não quer a limitação do pagamento dos precatórios (dívidas judiciais), que resultaria no adiamento das dívidas da União com Estados relacionadas a repasses antigos devidos ao Fundef (fundo da educação básica extinto), cuja quitação hoje está prevista para 2022. Os governadores de Bahia, Ceará e Pernambuco, maiores credores das ações do Fundef, entraram em campo para mobilizar parlamentares.

Segundo Lira, é "remota" a possibilidade de um acordo que resulte na retirada dos precatórios (só do Fundef ou todos) do alcance do teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação.

A ideia, diz o presidente da Câmara, é fazer com que todas as despesas fiquem dentro do limite. Lira também voltou a cobrar a aprovação da reforma do Imposto de Renda pelo Senado Federal.

Ajuste da Selic indica aperto monetário

Após dois dias de reunião, o Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central comunicou a nova taxa de juros do País, que foi ajustada em 1,5 ponto porcentual, levando o indicador para 7,75% e para 9,25% até o fim do ano – com um novo ajuste nesse patamar.

O movimento de ajuste veio em linha com o que esperava o mercado – as apostas iam em torno de 1,25% a 1,50%, entre os mais puristas – mas algumas casas de investimento chegaram a arriscar um palpite de mais de 2%.

Para Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de renda variável do BTG Pactual, apesar de ter vindo dentro da faixa já esperada, o reajusta dessa magnitude na Selic mostra que os cenários monetário e econômico não estão sob controle.

No entanto, o comunicado emitido pelo BC parece não ter trazido muitas pistas do que vem pela frente, de acordo com alguns analistas. "O tom (do comunicado) foi seco, as avaliações do fiscal foram justas, mas considero que o BC tem cartas na manga para, em algum momento, pausar o ciclo de altas no ano que vem", disse Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original.

Ele cita, por exemplo, o fato de que o BC ainda não deixou explícito o tamanho da desaceleração no crescimento da economia e ainda trabalha, dentro da previsão de preços administrados, com uma bandeira vermelha para preços da energia até 2023. Para o economista, isso deixa um espaço para que o Copom reavalie, mais à frente, uma alta mais agressiva nos juros. 

"O que chamou atenção foi o Copom não dizer, ser mais econômico", avaliou Patricia Pereira, chefe da Mag Investimentos.

"O Copom mencionou questionamentos em torno do arcabouço fiscal, mas isso quer dizer que, para ele, não está claro? Ele tem a opinião de que o teto não foi quebrado? Ele tem espaço para ser mais explícito na ata, mas pode não ser. Pode tentar ganhar tempo, mantendo uma comunicação mais seca sobre a política fiscal”, ressaltou.

Para outros analistas, o ajuste mostra que a autoridade segue compromissada com a promessa de convergir a inflação para a meta, segundo já sinalizado pelo BC.

O aumento da Selic beneficia os ativos de renda fixa, porém, a economista Carol Paiffer aponta que é importante não esquecer do efeito da inflação, que, como está em alta acaba impactando fortemente nos custos.

Juros futuros

Os juros futuros curtos abriram em queda nesta quinta-feira em reação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic em 150 pontos-base, para 7,75% ao ano, e não em 175 pontos-base como era a aposta majoritária na curva.

O movimento, no entanto, foi de curta duração, uma vez que as taxas já subiram bastante nos últimos dias, segundo um trader. Além disso, segundo ele, os demais sobem também pelo fato de o BC ter sido menos agressivo no aperto desta quarta-feira.

Inflação

Outra notícia que ajudou a azedar o humor do mercado foi a divulgação do Índice Geral de Preços – Médio (IGP-M) de outubro, que subiu 0,64%, ante queda de 0,64% no mês anterior, segundo dados divulgados pela FGV ao longo da manhã. O número superou o teto das estimativas dos analistas, que esperavam uma variação positiva de 0,61%.

Sobe e desce da Bolsa

Nesta quinta-feira, as ações das empresas de commodities operam mistas. Com o avanço do preço do petróleo e a expectativa do mercado sobre a divulgação de seu balanço trimestral, logo após o fechamento do mercado, os papéis da Petrobras subiam 0,28%, às 14h24.

Já as siderúrgicas não seguem um sinal único, reflexo da baixa no preço do minério de ferro em Singapura. Também com balanço a ser divulgado no início da noite, a Vale operava em queda de 0,67%, no mesmo horário. A CSN e a Usiminas seguia o caminho da Vale, com baixa de 1,27% . Já a Gerdau e Usiminas subiam 1,20% e 0,55%, respectivamente.

Os bancos trafegam também sem um norte definido, com Itaú e Bradesco em queda de 0,75% e 1,22%, nesta sequência, e Santander valorizando levemente 0,11%. Dados atualizados às 14h26.

Em dia de divulgação de resultados trimestrais, as ações da Ambev saltavam 8,41%, às 14h25, após a companhia reportar um lucro líquido de R$ 3,712 bilhões nos meses de julho, agosto e setembro de 2021, alta de 57,4% ante o mesmo período de 2020.

Outras companhias que apresentaram seus números do trimestre nesta quinta-feira também vivem um dia de avanço em suas ações, como é o caso da Telefonica/Vivo, com alta de mais de 1,1%, e da Multiplan, de mais de 1,7%.

Apesar de registrar alta de 106% no lucro líquido do terceiro trimestre - R$ 255,3 milhões - e avanço de mais de 220% em sua receita líquida, os papéis da Dexco (antiga Duratex) caíam 3,44%, às 14h26.

Seguindo forte em sua máquina de M&A (fusões e aquisições, na sigla em inglês), a Rede D'Or anunciou a compra de mais um ativo - desta vez o hospital Santa Isabel - por R$ 280 milhões, as ações da empresa de saúde subiam 0,43%.

No exterior

Lá fora, diferentemente do cenário doméstico, o clima é um pouco mais ameno no mercado financeiro. Durante a manhã, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu à taxa anualizada de 2% no terceiro trimestre deste ano, de acordo com a primeira leitura do indicador. Por lá, as bolsas operam no positivo.

O resultado ficou bem abaixo da mediana das estimativas dos analistas, que acreditavam em um avanço de 2,5%. No segundo trimestre, a economia americana teve expansão anualizada bem mais expressiva, de 6,7%.

Além disso, o órgão comunicou também que o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu à taxa anualizada de 5,3% entre julho e setembro. Já o núcleo do PCE, que desconsidera preços de alimentos e energia, avançou 4,5% no mesmo intervalo

Outro dado, que tradicionalmente é esperado todas as quintas-feiras, foi o número de pedidos de auxílio-desemprego da semana, que, de acordo com o Departamento do Trabalho norte-americano, registrou queda de 10 mil no período encerrado em 23 de outubro, totalizando 281 mil solicitações.

O volume ficou abaixo das estimativas dos analistas, que previam 289 mil pedidos. O total de solicitações da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 290 mil a 291 mil.

Em paralelo, a temporada de balanços corporativos segue a todo vapor, com destaque para os números das big techs, que, segundo analistas, incentivam o otimismo no mercado em geral. Na véspera, foi a vez da repercussão dos resultados da Microsoft e Alphabet, detentora do Google.

Segundo os resultados divulgados na terça, 26, após o fechamento do mercado, a empresa fundada por Bill Gates teve lucro líquido de US$ 20,51 bilhões em seu primeiro trimestre fiscal, um aumento de 48% ante igual período do ano anterior.

A controladora do Google, por sua vez, lucrou US$ 18,94 bilhões no terceiro trimestre de 2021, alta de 68,4% em relação ao resultado obtido em igual período do ano passado.

Microsoft e Alphabet, na avaliação do analista da Oanda, Edward Moya, reafirmaram seu "domínio" no setor de tecnologia.

Na véspera, os investidores também monitoraram as negociações políticas em Washington. A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, disse que os parlamentares estão perto de um acordo sobre as prioridades dos pacotes de gastos propostos pelo presidente americano, Joe Biden.

Em meio a impasses entre as diferentes alas do Partido Democrata, a agenda econômica do governo está paralisada no Congresso.

Na Europa, o dia também está sendo pautado por uma agenda econômica bastante movimentada. O Banco Central Europeu (BCE), decidiu deixar suas taxas de juros inalteradas após reunião de política monetária concluída nesta quinta-feira, como se previa, mas ressaltou que as compras de ativos por meio do programa emergencial da pandemia, conhecido como PEPP, seguirão em ritmo "moderadamente menor" do que no segundo e terceiro trimestres deste ano. As principais taxas de juros do BCE, a de refinanciamento e a de depósitos, permaneceram em 0% e -0,50%, respectivamente.

Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 4,5% em outubro ante igual mês de 2020, segundo leitura preliminar da Destatis, agência de estatísticas do país.

Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam alta de 4,4%. No confronto mensal, o CPI da maior economia da Europa subiu 0,5% este mês ante setembro, em linha com a projeção do mercado. Segundo comunicado, o resultado reflete a base de comparação fraca, gargalos na cadeia produtiva e o aumento dos preços de petróleo.

 Do outro lado do mundo, as bolsas na Ásia fecharam em baixa nesta quinta-feira, acompanhando após o Banco do Japão (BoJ, pela sigla em inglês) deixar sua política monetária inalterada e cortar previsão de crescimento para o atual ano fiscal.

O japonês Nikkei caiu 0,96% em Tóquio, aos 28.820,09 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,28% em Hong Kong, aos 25.555,73 pontos.

O sul-coreano Kospi cedeu 0,53% em Seul, aos 3.009,55 pontos, e o Taiex registrou baixa de 0,19% em Taiwan, aos 17.041,63 pontos.

No começo da madrugada desta quinta-feira, o BoJ anunciou que manteve as atuais configurações de sua agressiva política de estímulos monetários, mas também reduziu sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão para o ano fiscal que se encerra em março de 2022, de 3,8% para 3,4%.

Na China continental, as perdas foram maiores do que em outras partes da Ásia e mais uma vez lideradas por produtoras de carvão, em um momento no qual Pequim estuda formas de estabilizar os preços da commodity.

O Xangai Composto recuou 1,23%, aos 3.518,42 pontos, atingindo o menor nível em dois meses, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 1,47%, aos 2.362,24 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também foi pressionada por Wall Street, e o S&P/ASX 200 caiu 0,25% em Sydney, aos 7.430,40 pontos.  / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Julia ZilligRepórter do Portal Mais Retorno.
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