Mercado Financeiro

A Bolsa, que já vinha animada nesta quarta-feira, 28, com os papéis dos bancos em ritmo de forte valorização, engatou uma primeira marcha após fala do presidente do FED (Federal Reserve, banco central americano), e fechou o dia em alta de 1,40%, aos 121.061,23 pontos.

Mercado ao vivo: confira a Bolsa e o dólar nesta quarta-feira, 28
Mercado ao vivo: confira a Bolsa e o dólar nesta quarta-feira, 28 - Foto: B3/Divulgação

O dólar seguiu sentido oposto e caiu 1,82%, cotado a R$ 5,361.

EUA: manutenção da taxa de juros

A puxada da Bolsa e a queda do dólar são consequência do discurso do presidente do FED, Jerome Powell, nesta tarde, que garantiu a manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos no piso.

O dirigente disse que não é hora "nem de começar a falar sobre a retirada de estímulos monetários" para a economia norte-americana e prometeu a maior uma aceleração da atividade, por meio de sua política monetária, "pelo tempo que for necessário".

Como resultado, o investidor que esperava algum retorno maior com títulos do governo americano, resolveu partir para a renda variável.

Esse é um movimento que tem impactos em todo o mundo e aquece moedas de outros países, que passam a ser procuradas pelo aplicador, já que a ordem do dia é ampliar um pouco o apetite por risco.

Assim, o DXY, índice que compara o dólar frente outras seis moedas fortes do mundo, caia 0,35% às 16h, aos 90,567 pontos. Antes do discurso de Powell, ele cedia apenas 0,01%.

E o real também se valoriza temporariamente frente o real.

A Dow Jones registrou queda de 0,48%, assim como o S&P 500 e a Nasdaq, que caíram 0,08% e 0,33%, respectivamente.

Santander abre a fila dos bancões

Outra notícia que corroborou para o aquecimento local da Bolsa foi o início da temporada de balanço dos grandes bancos brasileiros. Como de praxe, o Santander Brasil abriu a fila. O banco apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 4,012 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 4,1% maior que no mesmo período de 2020.

A carteira de crédito ampliada encerrou março com R$ 497,566 bilhões, 2,9% menor que no final do ano passado. Na comparação anual, a carteira se expandiu em 7,4%.

As ações da companhia (SANB11) subiam na Bolsa, puxando também os demais bancos, o que fazia o índice do setor financeiro avançar acima dos 1,5% na manhã desta quarta-feira. Às 13h12, os papéis do Santander valorizavam 8,68%, a R$ 40,89.

Balanços

Ontem, a Claro Telecom divulgou seus números referentes ao primeiro trimestre do ano. De acordo com o balanço da companhia, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 4,029 bilhões, alta de 5,2% ante o mesmo período de 2020. A subsidiária da mexicana América Móvil não divulga lucro líquido no Brasil.

A Cielo também comunicou os resultados da empresa no trimestre. Segundo balanço, a empresa apresentou lucro líquido de R$ 241,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, volume 44,6% maior do que o registrado no mesmo intervalo de 2020.

CPI da Covid ouvirá ex-ministros

A instalação da comissão, com a escolha do presidente e do relator, gerou comentários nos mercados, na véspera, sem aparentemente influenciar as decisões por enquanto. O início das investigações, de todo modo, deixou os investidores em estado de atenção.

Após várias tentativas de aliados do governo de adiar os trabalhos, o Palácio do Planalto perdeu a primeira batalha para a CPI. A principal foi a confirmação do senador Renan Calheiros como relator da comissão parlamentar de inquérito.

Ao assumir o posto, Calheiros fez um duro discurso com recados ao Planalto, dizendo que não se curvará a “intimidações”. Além disso, apresentou uma lista com 11 sugestões de requerimentos – oito dos quais com foco na gestão de Bolsonaro, que se junta a outros 169 pedidos protocolados por integrantes da CPI para investigações.

Um dos primeiros convocados para falar à CPI, na próxima terça-feira, 04, será o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, um dos principais críticos à condução da pandemia de coronavírus por Bolsonaro.

Médico, Mandetta foi demitido em abril do ano passado, após defender o isolamento social e se recusar a indicar o tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina.

Porém, uma das maiores preocupações do governo atualmente é com o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que também será convocado. Ao deixar o cargo em março, Pazuello denunciou um esquema de corrupção no ministério.

Novos nomes na Economia

Outro fato que atraiu os olhares dos investidores também foi a demissão, na véspera, do secretário Waldery Rodrigues, um dos principais nomes da equipe econômica de governo.

A saída em si não chama a atenção dos investidores, diz Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos. Rodrigues já foi até substituído pelo secretário do Tesouro, Bruno Funchal.

Na noite anterior, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou novas mudanças em postos-chave de sua equipe e negou que a decisão esteja ligada a pressões políticas, apesar das mudanças virem na esteira dos embates em torno do Orçamento 2021.

Segundo Guedes, o atual secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, será remanejado para a assessoria especial da pasta.

O ministro também anunciou a saída do secretário de Orçamento Federal, George Soares, que será substituído por Ariosto Culau, que foi secretário-executivo-adjunto da Fazenda no governo Michel Temer.

De acordo com Lelis, a saída de principais auxiliares da equipe econômica pode enfraquecer o ministro da Economia, Paulo Guedes, a tal ponto que ele mesmo acabe deixando o governo.

O executivo da Valor Investimento não acredita, contudo, que a demissão de Waldery deixe o mercado financeiro fortemente  estressado.

“Toda movimentação originada em notícias políticas é circunstancial, momentânea, no curto prazo e diluídas no médio e longo prazo pelos resultados das empresas”, avalia.

“A menos que os movimentos redundem em mudanças estruturais”, enfatiza Lelis.

Caged e programas de auxílio

Pela manhã, o Ministério da Economia divulgou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com saldo positivo 184.140 carteiras assinadas em março.

O volume de vagas criadas superou a mediana das projeções do mercado, que era de 150 mil vagas, assim como a desaceleração no número de novos postos de trabalho perante ao mês anterior.

O resultado do mês passado decorreu de 1,608 milhão de admissões e 1,423 milhão de demissões. Em março do ano passado, em meio às medidas mais duras de restrição de circulação devido à primeira onda de covid-19, houve fechamento de 276.350 vagas com carteira assinada.

Boa parte do mercado já esperava um novo avanço no emprego no mês. No acumulado dos três primeiros meses de 2021, ao saldo do Caged é positivo em 837.074 vagas. No mesmo período do ano passado, a criação líquida de vagas foi de 108.825 postos formais.

De acordo com o ministério, 3,152 milhões de trabalhadores seguiam com garantia do emprego em março graças às adesões em 2020 ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm).

Para cada mês de suspensão ou redução de jornada no ano passado, o trabalhador tem o mesmo período de proteção à sua vaga. O programa foi relançado nesta terça-feira, 27, por meio de Medida Provisória, por mais quatro meses em 2021.

Mortes por covid-19 em alta

O Brasil registrou 3.120 mortes por covid-19 na véspera, segundo dados do consórcio de imprensa. Com isso, a média móvel de óbitos, que leva em consideração números dos últimos sete dias, ficou em 2.399.

No entanto, a média da véspera foi 20% menor na comparação com o dado de 14 dias atrás. Porém, o patamar ainda se mantém elevado, uma vez que a média atual é mais do que o dobro do pico da covid-19 no ano passado no País.

Até o momento, o Brasil contabiliza 395.324 vítimas da doença desde o início da pandemia.

Já em número de vacinados, o País atingiu na véspera o volume de 30.259.475 pessoas imunizadas com pelo menos a primeira dose da vacina, o que corresponde a 14,29% da população total.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta moderada nesta quarta-feira, 28, com investidores evitando negócios antes da decisão de política monetária do Federal Reserve.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,21% em Tóquio hoje, aos 29.053,97 pontos, impulsionado por ações de eletrônicos e telecomunicações, e o Hang Seng avançou 0,45% em Hong Kong, aos 29.071,34 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto se valorizou 0,42%, aos 3.457,07 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve ganho de 0,83%, aos 2.300,94 pontos.

Por outro lado, o sul-coreano Kospi caiu 1,06% em Seul, aos 3.181,47 pontos, pressionado por ações de grandes empresas que divulgaram balanços trimestrais desanimadores, e o Taiex apresentou modesta baixa de 0,16% em Taiwan, aos 17.567,53 pontos.

Investidores na Ásia vêm mostrando cautela desde ontem, à espera do anúncio de política monetária do Fed, a ser feito às 15h.

Como a expectativa é a de que o BC americano deixe os juros básicos e outras características de sua política inalterados, a atenção vai se voltar para comentários de seu presidente, Jerome Powell, sobre a perspectiva econômica e dos estímulos atuais.

Desdobramentos da covid-19 na região asiática, principalmente na Índia, onde a situação tem sido mais preocupante, continuam no radar.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, após dados de inflação mais fracos do que o esperado. O S&P/ASX 200 avançou 0,44% em Sydney, aos 7.064,70 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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