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O mercado financeiro recebeu com estranheza o anúncio de aumento de capital feito pela Lojas Renner nesta segunda feira, dia 19, que poderá resultar no ingresso de algo entre R$ 4,8 bilhões a R$ 6,4 bilhões para o seu caixa. Logo após a divulgação, os papeis subiram quase 1%, mas depois engataram em curva de baixa e fecharam com queda de 3,56%, cotados a R$ 45,23.

"A oferta é muito grande para ser utilizada apenas em crescimento orgânico”, dizem os analistas da XP Investimentos. "Acreditamos que a companhia possui algum tipo de aquisição em vista", complementam.

Lojas Renner: aumento de capital está acima de suas necessidades financeiras; analistas apostam em compras de empresas Foto: Divulgação

O endividamento também considerado baixo pelo mercado não justificaria tamanha investida. Dados em seu balanço do 4º trimestre de 2020 mostram uma dívida líquida em torno de R$ 712 milhões, e um caixa bastante confortável, de R$ 2,7 bilhões. "Sua posição financeira atual era suficiente para sustentar seu crescimento orgânico", reforçam Daniella Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt, analistas de Varejo da XP.

"É muito dinheiro, dado o modus operandi tradicional deles. O que eles vão fazer com todo esse dinheiro" questiona Fábio Passos, diretor-geral de Investimentos da Gestora de Patrimônio Ca Indosuez. "Eles normalmente não fazem aquisições. Para levantar tanto dinheiro eles devem ter algo em mente. Mas o quê?

Com tantas dúvidas envolvendo o destino da operação, em um passo seguinte, o mercado passou a especular sobre que empresas fariam sentido dentro do portfólio da Renner. "Vemos as empresas listadas como as principais possíveis candidatas, como C&A e Dafiti", indicam os analistas da XP.

Mas não há consenso: "Por que precisaria ser uma empresa listada? Por que a C&A? Qual o racional? Por que não uma empresa de tecnologia?" são questões levantadas por Passos.

As fintechs também estão no radar dos analistas da XP, especialmente as que estiverem focadas em fortalecer e acelerar a construção do ecossistema da companhia ou do seu braço financeiro, a Realize. "Acreditamos que a companhia pode ter um movimento similar ao visto na Magalu, com anúncios de aquisições de pequenas empresas que complementam sua proposta de valor em algum sentido", explicam os analistas. Segundo eles, entre essas áreas estariam as de dados, de conteúdo, e de serviços financeiros, as fintechs.

A aposta maior dos analistas da XP, no entanto, recai sobre empresas de vestuário multicanais, entre elas a C&A, (valor estimado de R$ 3,9 bilhões no final de 2020), combinação entendida por eles como estrategicamente positiva, e também sobre as de vestuário digitais, como a Dafiti, estimada pelo valor de R$ 3,4 bilhões.

Contribuem para essas hipóteses o fato de essas duas empresas já terem aparecido no noticiário sobre a disposição de seus respectivos comandos em desfazer-se das operações no País.

Além delas, Marisa e Le Lis Blanc também estariam entre as cobiçadas, na percepção do mercado. No entendimento dos profissionais da XP, no entanto, ambas como menos prováveis, por causa do público-alvo distinto e o fato dessas empresas estarem passando por um período de reestruturação de suas operações . Apareceram outros nomes, como de Guararapes e Hering, em que a forte posição familiar, segundo eles, seria um impeditivo frente à estrutura de corporação, sem controlador, da Lojas Renner.

Por que Lojas Renner compraria a C&A

O favoritismo dos analistas por C&A é explicado pelo fato de as duas redes atenderem o mesmo público-alvo, o que reduz o risco de execução em relação a entender um novo tipo de consumidor. Além disso, apontam como pontos fortes da filial do grupo holandês, a velocidade de lançamentos de coleções e forte atuação em novas tendências, que complementariam o portfólio da Lojas Renner, e atuação no digital, pelo marketplace Galeria & Cia e o social commerce, também complementar à visão da Renner de se tornar um ecossistema de moda e lifestyle.

"A principal lacuna em que a C&A tem trabalhado é a melhora da sua operação logística, o que é uma fortaleza da Lojas Renner e que poderia ser rapidamente endereçada sob a gestão da companhia", afirmam os analistas da XP.

Estão ainda no radar, dos especialistas da XP, empresas digitais focadas em outras categorias, mas que sejam aderentes à proposta de valor do ecossistema de moda e lifestyle, como cosméticos.

Diante de tantas indefinições, o mercado parece querer aguardar os próximos passo de Lojas Renner para saber como será empregado esse farto colchão de recursos formado pela oferta de ações. De concreto, parece nítida a movimentação das empresas para uma consolidação do varejo brasileiro.

A XP Investimentos reforça sua recomendação "neutra" para as ações de Lojas Renner, com preço-alvo de R$ 50,00 por ação no final de 2021, e recomendação de "compra" para papeis da C&A, como preço-alvo de R$ 18,00.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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