Economia

A leitura dovish do discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole, continuou garantindo a queda dos juros futuros durante a tarde desta sexta-feira, quando renovaram mínimas em sequência principalmente nos vencimentos longos, mais sensíveis ao vetor externo. Na prática, no entendimento dos agentes, a liquidez no mercado internacional deve seguir favorável para economias emergentes com taxas em ascensão como o Brasil.

Evento mais esperado na semana, Powell não decepcionou em sua participação no tradicional evento do Fed. Embora tenha endossado a ideia de que o "tapering" começa no fim deste ano "se a economia continuar evoluindo", sinalizou também que o processo será gradual e dissociado de aumento de juros, para o qual os requisitos são mais rigorosos. Citou também forças desinflacionárias globais para justificar que as leituras elevadas de inflação são temporárias.

Com estes sinais dovish, só as taxas além de 2030 seguem nos dois dígitos e a curva fechou a semana com perda de inclinação em torno de 30 pontos-base.

A percepção dos agentes, no entanto, é de que haveria espaço para uma devolução até maior não fossem as incertezas fiscais e o cenário pessimista para inflação em meio à crise energética, com o mercado à espera da definição ainda na sexta-feira da bandeira tarifária que vai vigorar em setembro. As tensões no cenário doméstico, nas esferas econômica e política, ainda oferecem alguma sustentação às taxas.

Comportamento dos juros futuros

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 8,44%, de 8,48% no ajuste de quinta-feira, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 9,425% para 9,35%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 9,71%, de 9,804%. O diferencial entre os contratos janeiro de 2023 e janeiro de 2027 fechou em 127 pontos, de 160 pontos na última sexta-feira.

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