Economia

Os juros futuros tiveram mais um dia de forte volatilidade, à medida que o mercado acompanhava o desenlace na situação fiscal no País, ficava de olho na cena política e aguardava, com ansiedade, declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acerca da conjuntura econômica.

Depois de muitas idas e vindas, a curva acabou perdendo um pouco de inclinação em relação ao dia anterior, quando tocou a máxima em dois meses.

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Banco Central: levar a inflação para dentro da meta ajuda o País a crescer de forma sustentável

No encerramento da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 subiu de 6,636% a 6,660%. O 2023 passou de 8,359% a 8,360%. E o janeiro o 2027 avançou de 10,024% a 10,030%. O diferencial entre as taxas de 2022 e 2027 passou de 339 pontos-base na segunda-feira a 337 pontos-base nesta terça.

A despeito de mudar de sinal no ajuste de fechamento, o janeiro 2027 terminou bem longe da máxima de 10,140%. Isso porque o momento de mais tensão nas taxas longas veio perto das 14 horas, quando a XP/Ipespe divulgou nova pesquisa eleitoral.

Nela, não apenas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga no primeiro turno como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perde para ele e Ciro Gomes (PDT). Sérgio Moro (sem partido), João Doria (PDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) aparecem empatados com o atual chefe do Planalto, mas numericamente à frente.

Corrida presidencial pressionam juros futuros

O repique nas taxas após o levantamento ocorre menos pela simpatia do mercado com este ou aquele candidato e mais pelo temor de Bolsonaro pressionar ainda mais a situação fiscal do País na corrida pela eleição de 2022.

Foi neste contexto, então, que o mercado de juros entrou a tarde, no aguardo das falas de Campos Neto em evento do Bradesco BBI.

No evento desta terça, o discurso sobre o fiscal foi menos duro, ainda que sem deixar de sublinhar as dificuldades das contas públicas. Campos Neto reconheceu que os recentes ruídos sobre efeitos do Bolsa Família afetam as projeções do mercado. Para ele, o "barulho fiscal" contribui para aumentar a já alta volatilidade no mercado de câmbio.

Quanto à política monetária, Campos Neto reafirmou que o BC persegue a meta de inflação e fará o que for preciso para cumpri-la. "Queremos levar inflação para a meta, é a melhor forma da economia crescer de maneira sustentável", afirmou.

O mercado segue de olho no debate se haverá votação ou não da reforma do Imposto de Renda nesta terça. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que a apreciação do texto em plenário dependerá de acordo com líderes. O MDB, que tem 34 deputados, anunciou no Twitter que vai orientar contra a aprovação do texto./Agência Estado

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