Economia

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, afirmou que a projeção atual do banco para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, de 5,50%, é alta, mas não desafiadora, já que o carrego estatístico deixado pelo resultado do primeiro trimestre (1,20%) é de 4,90%.

Mário Mesquita, economista-chefe do banco Itaú Unibanco - Foto: Reprodução

Segundo o economista, a perspectiva é de normalização da economia no quarto trimestre, com a retomada do setor de serviços permitida pelo avanço da vacinação. Mas esse cenário não conta com uma terceira onda forte da pandemia provocado pela variante delta.

Mesquita afirmou que a variante que surgiu na Índia tem trazido incerteza aos mercados globais, pois parece "escapar" mais das vacinas, que, por sua vez, continuam eficazes para prevenir casos mais graves e hospitalizações por covid-19.

"A taxa de reprodução da covid mundial estava abaixo de 1 e voltou a subir, sinalizando expansão da doença", explicou.

O economista também avaliou que há recuperação no mercado formal de trabalho, mas ela está incompleta, com 4 milhões de empregos a menos frente ao pré-crise.

Para o PIB de 2022, o Itaú projeta alta de 1,80%. Segundo Mesquita, a redução do ritmo de crescimento deve ser provocada pela alta de juros, pelo menor estímulo fiscal, mesmo com a expansão do Bolsa Família, pela desaceleração da economia mundial, e, assim, de preços de commodities.

Mas avalia que o risco de alta seriam um cenário de sustentação maior de preços de commodities.

Câmbio

Após avaliar que o mercado tem reagido com exagero ao risco político, motivado por acusações de desvios e superfaturamento de vacinas que colocam o governo no centro da CPI da Covid, Mário Mesquita, considerou hoje que o valor justo do dólar está entre R$ 4,50 e R$ 5,00.

Na expectativa de a alta da taxa básica de juros (Selic) - com a possibilidade de aumento de 1 ponto porcentual já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) se apresentando "bem viva" - prevaleça, junto com o ciclo favorável das commodities, sobre os "ruídos políticos", Mesquita reforçou a visão do banco que aponta a um dólar em R$ 4,75 no fim deste ano.

O economista ponderou, no entanto, que o câmbio deve voltar a ficar acima R$ 5,00 no ano que vem em razão da redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos.

A expectativa, disse, é de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) diminuir a injeção de liquidez via compra de títulos em 2022 e voltar a subir os juros entre o fim do ano que vem e início de 2023.

Os títulos do tesouro americano com vencimento em dez anos devem ir, assim, para a faixa de 2,5% a 3% no fim de 2022, o que não será, no entanto, necessariamente ruim para países emergentes, avaliou o economista.

Ao tratar do risco de racionamento de energia no Brasil, o economista-chefe do Itaú avaliou que este é um debate frequente em ciclos de atividade aquecida pelo fato de o sistema tarifário não funcionar, na avaliação dele, de forma ideal. "Os preços de energia devem subir estruturalmente no Brasil", observou.

Dívida

Mesquita também considerou que, apesar da melhora sobre a percepção do risco fiscal, o problema do desequilíbrio das contas públicas segue presente.

Nas contas do Itaú Unibanco, a dívida pública, dos quase 90% como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado, deve ir para cerca de 82% neste ano, mantendo-se perto deste nível em 2022.

"Ainda é um patamar muito alto. Dívida em 80% do PIB não é um patamar confortável, especialmente para um país emergente. O problema fiscal segue com a gente", comentou Mesquita, citando que as discussões políticas em torno do teto dos gastos do governo suscitam preocupações diante da situação fiscal considerada "precária". / com Agência Estado

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