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O banco Itaú vem apresentando resultados positivos nos últimos meses e acima da média. Situação que o coloca em condições mais confortáveis para enfrentar o cenário desafiador, com muitas mudanças, que estão promovendo uma desestruturação do mercado.

Segundo relatório da XP, que analisa os movimentos do banco, esse ambiente pode ser mais complicado do que o esperado.

Foto: Adrian Michael
Fachada de uma das agências do Itaú no Brasil - Foto: Adrian Michael

Para os analistas da casa, o Itaú se beneficiou de um cenário regulatório que incentivou a consolidação e, consequentemente, a escala. E isso em um ambiente competitivo com fortes barreiras para que novos entrantes consigam ganhar escala.

No entanto o cenário agora é distinto. Segundo eles, o Banco Central está agora estimulando agressivamente a concorrência por meio de uma série de microrreformas, como Pix, open banking e o mercado de recebíveis, “enquanto novos participantes estão alcançando milhões de clientes por meio digital e sem os bilhões em opex e capex incorridos por um incumbente”.

Além disso, de acordo com o documento da XP, o Itaú pode precisar adaptar suas habilidades a um ambiente onde agilidade, experiência do cliente e eficiência são chaves para o crescimento.

Varejo omnichannel

Durante live promovida pela XP, o diretor de varejo do banco, André Rodrigues, mostrou a nova estratégia omnichannel do Itaú, que permitirá aos clientes interagir com o banco por meio de suas operações físicas e digitais integradas.  

Na visão da casa, isso apresenta ao banco a chance de finalizar, por meio de seu aplicativo, uma transação iniciada por um cliente em uma agência, e, com melhor análise de dados, avaliar as interações físicas do cliente e oferecer produtos digitalmente.

Em uma análise mais geral, os analistas apontam para uma redução de custos, um aumento de lucro sustentado pelo relacionamento com seus clientes e alto nível de satisfação.

“Nossa opinião é positiva, com o discurso dando sinais de que o Itaú será capaz de ter um Custo-Para-Servir (CTS, voltado para contabilizar todos os custos de fornecimento de produtos aos clientes) mais baixo, um Life Time Value (LTV, ou valor no ciclo de vida, em português) de clientes mais alto e seu Net Promoter Score (NPS, ou indicador de satisfação de clientes, em português) alto de 78 para o aplicativo, o que sugere que o banco pode ser capaz de realmente engajar os clientes”, reforça a XP.

Crédito

O Itaú pretende avançar no segmento de empréstimos de varejo, como, por exemplo, o crédito imobiliário, mercado no qual o banco atingiu um volume de R$ 10,3 bilhões de crédito concedido em 2020. Isso representa um salto de market share de 11% para 30%.

Além disso, contabilizou R$ 6,6 bilhões em concessões de crédito para financiamento de veículos no mesmo período, aumentando a participação do banco no mercado de concessões de 11% para 15%.

“No geral, as concessões cresceram 80% em 2020 em áreas onde o custo do risco é baixo e isso pode ajudar a engajar clientes por um longo período, o que pode impulsionar o Itaú a reter seus clientes premium”, atesta o relatório.

Oportunidades x riscos

Se os dados são o novo petróleo, para a XP o Itaú está sentado em uma enorme reserva que apresenta oportunidades e riscos. De acordo com o banco, os quase 100 anos de relacionamento com os clientes permitiram à instituição armazenar 7- petabytes de dados. O tamanho do Itaú também ajuda, pois o banco movimenta cerca de 25% dos pagamentos e transferências no Brasil.

“Esses dados podem permitir ao banco monetizar melhor sua base de clientes. No entanto, acreditamos que também pode dar oportunidades para que as fintechs naveguem pelos dados do Itaú com a implementação do open banking pelo Banco Central”, analisa a XP.

O Itaú prevê que 50% do banco estará na nuvem até 2022 e que isso criará novas oportunidades, como a possibilidade de o banco analisar melhor esse alto volume de dados, o que dará espaço para monetizar seus clientes de diferentes maneiras.

No entanto, os analistas da XP enxergam o open finance como um risco. “A acessibilidade desse imenso banco de dados nos trimestres seguintes por fintechs e concorrentes representa um risco para a liderança do Itaú no setor bancário”.

“A capacidade de aproveitar melhor esse ‘campo de petróleo’ será uma obrigação para o banco manter uma posição forte no mercado de crédito e não um diferencial”, ressalta o relatório.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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