Mercado Financeiro

O mercado financeiro está sem disposição para grandes tacadas ou iniciativas, adotando posições mais defensivas nos negócios, em face das incertezas que permeiam o cenário doméstico e internacional. E os especialistas não esperam para esta quinta-feira, 7, um comportamento diferente em relação aos últimos dias.

Na véspera, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou o pregão praticamente estável, mais uma vez, com valorização residual de 0,09%. O dólar também encerrou os negócios quase na estabilidade, com valorização marginal de 0,02%, cotado por R$ 5,486.

Dólar chegou a ser cotado a R$ 5,53 nas negociações do dia anterior - Foto: Envato

Ao longo do dia, porém, o dólar chegou ao preço de R$ 5,53, valor que mostra a ampla volatilidade no câmbio que o Banco Central tenta controlar com oferta de contratos de swap cambial, como ocorreu na terça-feira.

O suposto envolvimento do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com empresas offshore tem causado mal-estar no mercado financeiro. Um desconforto que se agravou com a aprovação ontem, pela Câmara, da convocação de Guedes para que preste informações sobre essa empresa no exterior.

Questão fiscal ainda no radar do mercado

As preocupações com os desdobramentos dos casos que envolvem os dois comandantes da política econômica aumentam em um cenário que cresce também o temor com o rumo da política fiscal.

Questões que impactam diretamente as contas do governo, como a fonte de recursos para o pagamento de precatórios, permanecem sem solução.

Uma indefinição que, segundo especialistas, gera desconfiança nos investidores, o que contribui para pressionar o dólar, a inflação e os juros, fatores que tenderiam a contribuir para deprimir o crescimento da economia estimado para o próximo ano.

Previsões que vêm passando por seguidas revisões para baixo nos dados estampados a cada semana pelo boletim Focus, do Banco Central. Em um mês, a previsão de crescimento do PIB para 2022 recuou de 1,93%, no Focus de 6 de setembro, para 1,57%, na última edição.

A preocupação com a questão fiscal influencia também as expectativas de inflação, o que aguça o interesse de investidores e gestores de mercado com a divulgação amanhã, pelo IBGE, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida da inflação oficial, de setembro.

No cenário internacional, a atenção dos investidores continua focada em possíveis novos lances da crise financeira da incorporadora chinesa Evergrande, que pode contaminar negativamente a economia chinesa.

Auxílio Brasil

Os desdobramentos sobre a acomodação do Auxílio Brasil no teto de gastos do governo seguem sendo acompanhados de perto pelo mercado. Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro editou decreto para regulamentar a operacionalização do pagamento do programa já anunciado pelo governo federal para substituir o Bolsa Família.

O Decreto, que ainda será publicado no Diário Oficial da União, atribui a instituições financeiras federais a função de agente operador do programa e dos recursos e benefícios financeiros previstos, em condições a serem pactuadas com o governo federal.

Segundo a Secretaria Geral da Presidência da República, o decreto esclarece que haverá possibilidade de subcontratação, com anuência do governo federal, pelo agente operador de instituições financeiras para a realização dos pagamentos.

Mais receitas para os municípios

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite anterior um repasse adicional de 1% das receitas com Imposto de Renda e IPI aos municípios. Como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi votada em segundo turno e já foi aprovada pelos senadores, o texto vai à promulgação. Não cabe possibilidade de veto do presidente da República.

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) celebrou a aprovação da proposta, que significará um incremento de R$ 1,6 bilhão no caixa das prefeituras em setembro de 2022, o equivalente a 0,25% das receitas com IR e IPI.

A proposta teve apoio massivo no plenário da Câmara, inclusive da base governista. O texto foi aprovado por 456 votos a três. O resultado da votação, porém, foi considerado ruim pela área econômica, pois resulta em menos receitas para a União.

Wall Street e o mundo

No exterior, o clima do mercado está às voltas com a proximidade de um acordo entre democratas e republicados para uma extensão provisória do limite de endividamento do governo dos Estados Unidos.

Com isso, afasta-se a possibilidade de um "shutdown" do governo americano no curto prazo.Os futuros refletem esse cenário e operam em alta.

Na véspera, o líder do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell, anunciou que vai oferecer um acordo para que os parlamentares democratas suspendam o teto da dívida até dezembro.

No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou, durante coletiva, que não há uma proposta dos republicanos sobre o assunto até agora. “Um press release não é uma proposta formal”, disse.

Ela afirmou que o cenário pode levar à elevação do teto da dívida sem os votos dos oposicionistas, mas para isso os republicanos precisam dar aval para os trâmites no Congresso, não usando, por exemplo, estratégias para protelar as sessões.

Questionada sobre investimentos pessoais de dirigentes do Feed e a avaliação da Casa Branca sobre o assunto, Psaki disse apenas que o presidente Joe Biden respeita a independência do Fed e que Biden confia no presidente da instituição, Jerome Powell, sem mais comentários.

Antes do anúncio de McConnell, o presidente dos EUA, Joe Biden, havia reunido na Casa Branca diretores presidentes de grandes empresas como JPMorgan, Citi e Nasdaq para tratar do assunto. Os executivos alertaram para as consequências econômicas de um calote e defenderam a suspensão do teto.

A oferta da Rússia para aliviar a crise energética da Europa e os planos do presidente Joe Biden de se encontrar virtualmente com o presidente chinês Xi Jinping também ajudaram a trazer o otimismo de volta aos mercados.

Soma-se a isso um novo estudo do Banco Central Europeu (BCE) de um novo programa de compra de títulos para evitar qualquer turbulência no mercado quando as compras emergenciais foram finalmente suspensas.

Os investidores continuam a pesar a recuperação econômica contra os riscos de inflação, provocados pelo recente salto nos custos de energia. Segundo analistas, o payroll de amanhã pode “pavimentar” as previsões de uma reunião no estímulo do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a partir do próximo mês.

Na frente geopolítica, o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, criticou as recentes manobras militares da China em torno de Taiwan. Pressionado sobre os problemas financeiros da gigante imobiliária chinesa Evergrande, Blinken disse que o país espera que a China “aja com responsabilidade e lide com eficácia contra quaisquer desafios”.

Falando sobre o continente asiático, as bolsas por lá fecharam em alta, acompanhando o tom positivo da véspera em Wall Street.

O índice japonês Nikkei subiu 0,54% em Tóquio, aos 27.678,21 pontos, e o Hang Seng saltou 3,07% em Hong Kong, aos 24.701,73 pontos, impulsionado por ações de tecnologia.

O sul-coreano Kospi avançou 1,76% em Seul, aos 2.959,46 pontos, e o Taiex registrou ganho de 1,96% em Taiwan, aos 16.713,86 pontos.

Negócios com ações da Evergrande, a gigante do setor imobiliário chinês que enfrenta uma grave crise de liquidez, continuam suspensos em Hong Kong.

Na China, os mercados acionários estão sem operar há uma semana por causa de um feriado, mas reabrem nesta sexta-feira, 8.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu os ganhos de Wall Street e da Ásia, e o S&P/ASX 200 avançou 0,70% em Sydney, aos 7.256,70 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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