Mercado Financeiro

Em um dia marcado pela volatilidade, a Bolsa de Valores brasileira fechou em leve alta de 0,09%, aos 110.559,57 pontos, nesta quarta-feira, 06, puxada pela alta nas ações da Vale e das varejistas. Durante o pregão, o Ibovespa chegou a cair mais de 2% com a Petrobras e dados econômicos internos, mas a sinalização vinda dos Estados Unidos sobre uma possível resolução para o limite do teto de dívidas animou o mercado nos últimos momentos de pregão.

O dólar viveu mais um dia de alta com os investidores nacionais e estrangeiros buscando proteção cambial em uma moeda forte. A valorização foi de 0,31%, e a cotação de fechamento ficou em R$ 5,492.

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Bolsa inverte o sinal e fecha em alta

No cenário externo, as bolsas de Nova York também começaram o dia em queda, mas inverteram o sinal e fecharam no azul. Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 reportaram variação positiva de 0,41%, 0,30% e 0,63%, respectivamente.

De acordo com Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, o que pesou lá fora foi o impacto do teto da dívida, com diversas personalidades da política dos Estados Unidos alertando que, caso não haja uma elevação do teto, o país pode ter o seu primeiro default da história.

Somam-se a isso as expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) comece a retirar os estímulos antes do final deste ano, e, além disso, a pressão inflacionária que atinge o mundo inteiro, principalmente, com as perspectivas de crise energética global no radar.

Neste cenário, os investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, como os Treasuries, os títulos da dívida pública americana, penalizando os ativos de risco, como o mercado de ações, principalmente nos países emergentes.

No entanto, na tarde desta quarta-feira, Mitch McConnell, líder da minoria no Senado, afirmou em comunicado que os republicanos permitirão que os democratas aprovem um aumento no limite da dívida americana até dezembro. Esta notícia proporcionou certo alívio ao mercado, pelo menos no curto prazo, o que ajudou as bolsa de valores, aqui e lá fora, a subirem nas horas finais do pregão.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, explica que, além de aliviar o mercado de ações americano, a notícia em relação ao teto de dívidas nos Estados Unidos também levou a uma descompressão do dólar frente à moedas de outras divisas. Embora a moeda americana tenha fechado em alta neste pregão, a apreciação ante o real foi ainda mais expressiva durante o dia, com a cotação do dólar atingindo o patamar dos R$ 5,53.

Cenário interno

O dia também contou com a divulgação de mais dados econômicos brasileiros. Vale lembrar que, na véspera, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados de produção industrial de agosto ante julho, que vieram abaixo das expectativas do mercado, com queda de 0,7%. No acumulado dos últimos três meses, a indústria reporta baixa de 2,3% em sua produção.

Nesta quarta-feira, o IBGE apresentou, também, os últimos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que apontou uma queda de 3,1% nas vendas do varejo restrito em agosto ante julho, enquanto mercado esperava uma alta de 0,7%, explica Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Estes números refletem um fraco desempenho econômico e colocam os investidores em alerta.

Apesar do desempenho negativo, as varejistas reportaram altas expressivas no pregão de hoje, com os investidores aproveitando as empresas que estão mais baratas após as fortes quedas recentes. Os papéis da Americanas, Magazine Luiza, Lojas Americanas e Via lideraram as altas do dia, com variação positiva de 7,31%, 5,70%, 5,53% e 3,44%, na sequência.

Entretanto, a ação que mais contribuiu para que o Ibovespa invertesse o sinal e fechasse no azul foi a Vale, que responde a cerca de 14% da carteira teórica da B3. A companhia subiu 2,82% no pregão da Bolsa.

Ribeiro afirma que a recuperação da Vale deve-se ao nível atual de preços que, segundo os analistas, está bastante descontado em relação aos pares australianos da mineradora. Além disso, o analista comenta que há a expectativa pela manutenção da demanda por minério de ferro no curto prazo.

O destaque negativo fica por conta da Petrobras, que caiu 2,65%, com os investidores realizando os lucros da alta acentuada registrada na véspera. A petroleira acompanhou o movimento registrado nos preços do petróleo no mercado global. Também ligadas à commodity, PetroRio e Braskem também fecharam no vermelho, com baixa de 0,08% e 4,49%, respectivamente.

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